Pesquisa do Palavrório

28.12.04

Impotência

Não há nada a fazer. A onda gigantesca vem, arrasando tudo. Pular, se esconder, correr, nadar, nada, absolutamente nada trará a salvação. E assim, em um instante, lá se vão mais de 50 mil pessoas (e contando).

Vulcões também são imprevisíveis. Até um certo ponto, dá para saber quando explodem. Até um certo ponto. Um dia, eles jogam tudo pra fora. E assim, cidades são eliminadas em segundos. E lá se vai Pompéia, alguns de seus habitantes ainda eternizados em estátuas instantâneas, para que nós vejamos.

E a terra tremeu. E onde tremeu, muitas vezes, tudo desabou. Foi assim na Cidade do México, foi assim em Lisboa (1777), foi assim em San Francisco, e será assim em tantos lugares ainda. As falhas geológicas estão aí para não deixar ninguém seguro.

E vão tornados, enchentes, nevascas, furacões, avalanches, catástrofes naturais que ainda não são 100% previsíveis, que podem acontecer em determinados lugares, e que apesar disso não afastam as pessoas de viver nesses lugares.

Pois tenham certeza, assim que a região que foi devastada no Sudeste Asiático tiver limpa e recuperada, ela será novamente ocupada pelo ser humano. A crença que a desgraça só atinge os outros é sempre maior que a razão.

E assim, encostas de morros, beiras de rios, falhas geológicas e outras regiões propícias à tragédia continuarão sendo habitadas, e por muita gente. Até quando, não se sabe. Mas talvez seja essa a seleção natural a que se referia o Darwin...

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