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Chega de empulhação (parte 4)

Esta tarde (07/03) a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós Graduação da Universidade Federal do Paraná ( UFPR ), Maria Benigna Martinelli de Oliveira, foi morta durante um assalto em Curitiba (clique aqui ). Ao lado está a notícia que dois motoristas do Instituto Médico Legal do Paraná cobravam para liberar corpos, algo que é um serviço obrigatório do Estado (clique aqui ). A Cidade Sorriso (sim, um dia Curitiba já foi chamada de Cidade Sorriso) está a cada dia um pouco mais triste. E a culpa é toda nossa, mas talvez mais de um governador turrão que, em seus devaneios de achar-se perseguido por tudo e por todos, esquece que segurança pública é uma função do governo do Estado. No primeiro caso, falhou a Polícia Militar. No segundo caso, a Polícia Civil. Em ambos, todos dependentes do Secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Ferreira Delazari, que ficou perdendo muito mais tempo tentando manter a sua boca como promotor de Justiça do Estado do que gerenciando a segurança pública....

Chega de empulhação (Parte 3)

Ainda não vi o último documentário do Michael Moore, Sicko, mas deve ser uma coisa muito bacana de se ver. Primeiro, por ver a empulhação que é o sistema de saúde norte-americano, todo ele baseado na iniciativa privada e sem nada de governo por trás. Segundo, por ver que uma alternativa pública é viável. Ops, alguém pode até perguntar, dado o tom das empulhações anteriores, "mas esse cara agora tá defendendo o sistema público?" Veja só, existem duas concepções diferentes em jogo, uma é tornar a saúde universal e gratuita, e outra a saúde pública e gratuita – exatamente como falei sobre educação. Precisa todo o sistema de saúde (médicos, hospitais, enfermeiros e muitos, mas muitos, funcionários de administração) ser público? Não, não precisa. Pode todo ele ser privado? Sim, pode. Mas só funcionará se houver um governo competente e concentrado em fazer a coisa certa. Tem que ter um Ministério da Saúde que se preocupe em criar uma tabela do SUS que realmente remunere dec...

Maus tratos ao consumidor

Cena 1: Servopa (revenda Volkswagen em Curitiba) De que adianta ter um painel com senha de atendimento se os atendentes não respeitam a chamada e atendem quem se posta à frente? Pois é, peguei a senha 15, mas só fui atendido depois do 16 e do 17. O que devo fazer, gritar e espernear? Bom, deixei pra lá na hora, reclamei depois, e decidi que provavelmente nunca mais levo o carro lá, nem compro um carro lá. Perderam um cliente. Cena 2: Pátio do Arvoredo (restaurante em São José dos Pinhais) Uma carta com 150 vinhos. Beleza, vamos de espumante rosè nacional. Cinco minutos depois, a resposta. "Ah, este está em falta", diz o garçom. Pedimos então o outro espumante rosè nacional. Mais cinco minutos, e a mesma resposta, desta vez com a explicação: "É que tá muito quente e tá tendo muita saída, ontem pediram bastante e hoje uma mesa pediu a última garrafa". Sem contar que um dos pratos pedidos veio cru e um dos restaurantes que motivou minha ida até lá tava fechado...

Chega de empulhação (parte 2)

(Antes de começar, deixe-me terminar um raciocínio do post anterior. Aquilo tudo vale até o fim do Ensino Médio, que deveria ser profissionalizante. As universidades todas deveriam ser privadas, todas. E vamos fazer que nem nos Estados Unidos: bolsa de estudos para quem se destaca, mensalidade para o resto. A bolsa pode ser custeada pelo governo, desde que haja mérito em sua conquista, ou pela própria universidade, que viveria das mensalidades dos alunos, de doações de gente que dá valor ao ensino e de convênios com a iniciativa privada para a realização de pesquisas. E aí, fim da mentira do uso da verba pública em educação, onde as universidades recebem uma parte do bolo desproporcional ao número de alunos atendidos.) Cara, se tem algo que pode irritar profundamente uma pessoa é ver um dia do seu salário comido com o imposto sindical. É literalmente um dinheiro jogado praticamente no lixo. Digo praticamente pois alguns sindicatos, uma vez por ano, aparece em ação negociando os salário...

Chega de empulhação (parte 1)

Cara, a gente vai cansando do que fazem aqui e em muitos países do mundo. O discurso de quem está no poder é pura empulhação. Vejam só o que dizem todos (com raríssimas exceções): "queremos o ensino público gratuito!" Que balela!! Do jeito que é hoje, as chances de que ele seja de baixa qualidade, que atraia professores ou movidos pela paixão de ensinar (que muitos há, com certeza, mas que abandonam sua paixão quando vêem a remuneração que percebem) ou sem competência, mas desairosos de se tornar funcionários públicos e viver na mamata. Pois é. Tenho um tio que uma vez me disse uma coisa que até hoje me marca e que tenho certeza que funcionaria e acabaria com uma tacada só a moleza dos professores que fingem que ensinam, do estado que finge prestar ensino e do nosso dinheiro pago em impostos sumir nos escaninhos do Ministério da Educação e seus "n" sub-órgãos. Ele falou que o melhor seria cada criança em idade escolar receber um cheque mensal, cheque que só poder...

O eu, o me, o mim

A grande tentação que acomete quem tem um blog é passar a escrever apenas e exclusivamente sobre si mesmo. Ainda que se tenha a pretensão de se dar uma opinião sobre os assuntos, o que é muito bom e salutar, em boa parte do tempo o trabalho se perde no nheco-nheco do "eu fiz, eu vi, eu acho, eu consegui, eu perdi...", ou seja, há apenas três pronomes que são ditos: eu, me e mim. Acaba que, na maior parte dos casos, a vida das pessoas não chama atenção alguma. Todas são interessantes sim, mas apenas quando são contadas por elas sem a pretensão de se dar uma mensagem ao mundo. Quem não gosta de entrar em um boteco e escutar as pessoas falar de suas vidas, do que aconteceu, de rirem todos de uma piada que só quem está ali entende? (Corta para momento egotrip. Estávamos minha esposa e eu [pelo menos eu convido mais alguém para a festa] em Pinhão (Portugal), quando bate a fome. Entramos em um hotel hiperchique mas ninguém dá bola. Daí que saímos do hotel para entrar em um boteco n...

Para sempre, talvez

Era uma manhã normal, como a maioria das manhãs. Ele percorria o caminho de sempre rumo ao seu escritório, onde um dia de poucas emoções com certeza o esperava. Nenhum pensamento o assolava, nem bom nem ruim. Talvez uma ou outra vontade de que algo diferente acontecesse, alguma boa notícia que lhe trouxesse mudanças de ares, ou um dinheiro inesperado. Mas como as chances eram pequenas, ele prestava atenção apenas ao seu caminho. De repente, a luz aparece. Um casal de idade vem subindo a rua na direção contrária. Casais de idade há vários, muitos por aí. Mas este parecia diferente. Ele e ela tinham mais de 70 anos, com certeza. E estavam juntos, de mãos dadas. Claro, há vários casais de idade de mãos dadas por aí. Mas este estava junto, de mãos dadas, e conversando. Claro, há alguns casais de idade de mãos dadas por aí, conversando. Mas este estava junto, de mãos dadas, conversando e rindo. Rindo!! E os que ainda riem juntos nesta idade são poucos. Ele ri junto com o casal, que nem perc...

Assincronia

O casal de namorados está parado na esquina se despedindo. Pode não ser um casal de namorados ainda, parecem mais um par que está prestes a se tornar um casal de namorados. Isto porque não estão já se beijando, se abraçando, aquele abraço forte de quem tem a absoluta certeza de que será a última vez em que eles se verão, mas que também traz a absoluta certeza de que eles se verão dali a pouco. Ainda não há esse beijo, esse abraço. Há apenas um encontro de mãos e um cruzamento de olhares. Olhares que revelam desejo, mas que ainda não é concretizado. Eles se despedem com um beijo de um na bochecha de outro. É daqueles beijos que pára no meio do caminho, entre a boca e a bochecha. Um beijo meio tímido, o último que antecede o verdadeiro beijo. Ele fica no meio do caminho e, sem coragem de rumar ao centro da boca, deixa aquele delicioso gosto nos lábios de "quero mais, venha logo", mas que por alguma razão há uma timidez no ar que não deixa o casal concretizar o desejo de ambos....

Lugar correto

Escutei de um professor uma frase capital, que norteia-me desde então: “Se você não está feliz em seu trabalho, significa que você não é o talento certo para a empresa”. Li a frase da seguinte maneira: eu tenho talento sim, mas os talentos que tenho não servem naquele lugar, devo procurar outro onde meu talento seja melhor utilizado. Daí eu pensei que a questão do talento certo pode ser aplicada a praticamente qualquer coisa na vida. Se você está em uma relação que não te satisfaz, você não é o talento certo para a tua parceira. Não quer dizer que você não seja bom, nem que ela seja boa demais, apenas que não casou oferta e demanda. Se com os parceiros de bola você não se afina, não consegue entrosamento (e não tem nada a ver com ser um perna de pau, apenas de curtir a suadeira), deve ser porque você não fala a mesma língua que eles. Vai que eles realmente competem entre si, quando tudo o que você quer é dar umas corridas e, quem sabe, marcar um gol, sem se ligar no resultad...

Defecando

Deve haver um número ilimitado de cagadas que um ser humano pode cometer ao longo de uma vida (claro, vamos nos limitar a uma encarnação pois se entrarmos nos méritos das cagadas que podem ser feitas nas múltiplas encarnações, faltará latrina). Ainda esta manhã, cometi mais uma. Não chequei o endereço da reunião de meus dois chefes em outra cidade. Assim, logo cedo, enquanto me preparava para dar uma bela cagada (esta, literal), toca o telefone com minha chefe me dizendo que eu havia feito uma cagada (esta, metafórica). Putz, que merda!! Basta uma nova mancada para nos lembrarmos de tantas outras que cometemos ao longo da vida. Me lembro sempre de quando errei o dia de um exame de Língua Inglesa que vinha da Inglaterra, ou seja, inadiável e sem jeitinho para consertar. Tive que praticamente me ajoelhar na frente da gringa que cuidava do exame para me deixar fazer a prova (desde que eu não contasse para ninguém o que tinha acontecido). Foi mal, muito mal. Os porretes ...

Old Friends

Old friends, Old friends Sat on their park bench Like bookends. A newspaper blown though the grass Falls on the round toes Of the high shoes Of the old friends. Old friends, Winter companions, The old men Lost in their overcoats, Waiting for the sunset. The sounds of the city, Sifting through trees, Settle like dust On the shoulders Of the old friends. Can you imagine us Years from today, Sharing a park bench quietly? How terribly strange To be seventy. Old friends, Memory brushes the same years Silently sharing the same fears Old Friends , de Paul Simon É isto, meus amigos. Podemos não nos encontrar muito, mas tenham certeza que, sem vocês, este mundo seria praticamente intolerável. Obrigado por serem!

O tempo que não volta

Em dias de chuva fecho os olhos e me lembro de quando dei a volta ao redor da Irlanda de mochila. Tá, não foi tão excitante como Tony Hawks mas foi, à minha maneira, muito bacana. Claro, a primeira relação que se pode fazer é de chuva com Irlanda. Afinal, chove pelo menos 300 dias por ano lá, o que ajuda e muito a deixar o país com os infinitos tons de verde que eles têm. Mas me lembro da chuva de quando fiz a caminhada até um lugar chamado Giants Causeway no norte da Irlanda. O dia estava meio estranho, não pendia nem para a chuva nem para o sol. Assim, de mochila nas costas, desci do ônibus em Carrick-a-Rede e comecei a caminhada pela beira do mar até Giants Causeway, 15 km distante. O tempo ameaçou fechar, e coloquei minha capa de chuva. Continuei andando. Daí o tempo abriu, com sol e tudo. Tirei a capa e continuei andando. Mas não era um tempo estável. Logo se via no horizonte o tempo fechando e a nuvem negra, carregada de chuva, chegando. E era muita chuva, ...

Tudo devagar

O começo do ano deveria ser em meio período. Afinal, mesmo que as pessoas queiram trabalhar, metade das pessoas com quem elas devem trabalhar não estão lá. Estão em férias, estão na praia, na montanha, no exterior, em qualquer outro lugar, menos no escritório. Aproveita-se que as escolas estão paradas para viajar ou, quando não há dinheiro, para ficar em casa. Infelizmente, há um pedaço do mundo que esqueceu o que é parar uns momentos. O tal do capital obriga que quase todos os trabalhadores do mundo não parem nunca. Afinal, o mercado exige lucros, os acionistas exigem resultados, alguém (que não se sabe direito quem é) está ali cobrando, desde o primeiro minuto do segundo dia do ano (pelo menos um dia eles são obrigados a conceder) que haja geração de resultados, lucros gordos e fartos para serem distribuídos. Nada contra o lucro. Foi a ausência dele que fez o comunismo ruir. É a presença dele que faz o mundo avançar. Mas a dose poderia ser um pouco menor, a pressa m...

Reflexões

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Assino uma newsletter do cartunista Doug Savage, um cartunista que desenha uma tira por dia em um post-it, chamado Savage Chikens. No dia 31 ele desenhou este abaixo, sensacional, por resumir o espírito do Ano Novo. Na prática, é isso aí, não muda nada. Temos sempre a esperança de que algo mudará, por mágica. Ou melhor, que tudo mudará. Esquecemos sempre que somos nós que provocamos a mudança e que, se não fizermos nada, nada acontecerá. Exatamente o que mudará, eu não sei. Pelo menos fiz a barba para começar o ano diferente, mudado. E também para ter a sensação concreta que pelos crescem na minha cabeça (não na parte de cima, infelizmente, mas já é algo em que acreditar).

Movimento circular

Tem uma poesia do Drummond (se não me engano) em que ele fala da beleza que é a invenção do Ano Novo. Com ela, podemos ter uma chance de apagar todos os erros do passado, pensar no que fizemos durante um ano inteiro e no que faremos para não cometer os mesmos equívocos. O Ano Novo é época de renovação de um monte de coisa, mas principalmente de renovação e fortalecimento da esperança e da fé em dias melhores para nós mesmos. O que talvez ele não tenha visto é que todo ano revivemos as mesmas angústias, inquietações, eventuais alegrias e tristezas inerentes à esta época. Até um certo ponto, os desejos são recorrentes: “trabalhar menos para ficar mais tempo com a família e os amigos, ser mais sincero com todos eles, me esforçar para ganhar mais dinheiro para poder gastar melhor (não esbanjar) etc...” Percebi isso ao pegar-me no flagra, esta manhã, pedalando para o trabalho e pensando em como seria bom se o mundo parasse de funcionar de verdade nesta época. Que ninguém p...

Época estranha

Esta época do ano é um período estranho. Ainda que todos digam que é uma época de festas, não se vê tanta gente contente pelas ruas. Não importa a classe social, estão todos meio pensativos, até um certo ponto encafifados com o que acontece ao redor. As lojas gritam que é Natal, é motivo de festa, de alegria, de juntar-se com a família para celebrar o nascimento de Cristo ou, mais mundanamente, trocar presentes comprados à prestação. Já no Ano Novo todos devem parar alguns instantes para refletir como foi o ano que passou, fazer o balanço de erros e acertos e programar o próximo ano para que este seja, como todos os Anos Novos, um ano cheio de realizações e coisas boas. Mas tem algo que não anda direito. A pressão do cotidiano é muito forte para ser sublimada por toda essa pressão pela felicidade coletiva universal. Lá no fundo (ou não tão fundo assim) sabemos que nada mudará com a passagem do ano; que não importa quantos presentes recebamos, a felicidade depende de o...

Relembranças

O momento parece se repetir. Aquela calmaria que precede os grandes acontecimentos. Com certeza aconteceu com você. Uns dias antes de algo importante acontecer com você (saiba você disto ou não), tudo parece dar uma pausa. As horas se arrastam, não há motivação para começar nada novo, talvez alguma para concluir o que está em aberto, mas nada realmente significativo acontece. Eu imagino que já escrevi sobre isto em algum momento. Mas com o grande irmão corporativo bloqueando o acesso ao meu blog, fico aqui reescrevendo o que talvez já reescrevi. Talvez, se já tiver escrito sobre isto, o tema pareça chato. Mas vai que agora a sensação de espera de que algo diferente e grande aconteça seja outra? Vai que muda o tom da ansiedade? Por um lado há ansiedade pois os fatos novos serão grandes (novas casas, novos endereços?, uma viagem de férias muito bacana e longamente esperada). Por outro lado, há já alguma resignação de que não adianta o que acontecerá ou mudará, tudo mudará muito pou...

Chuvas de verão

Primeiro foi um inverno fora de hora, com temperaturas sempre abaixo dos 10° durante uma semana. Depois começou um calor desgraçado de quente. Agora é assim. De manhã está meio fresco, daí a temperatura sobe até uns 30°, pelo menos, e lá pela metade da tarde, ou fim da tarde, cai um baita pé d'água que interrompe tudo, pára o trânsito, acaba a luz porque caem galhos sobre fios de transmissão, enfim, um caos. Será que ninguém percebeu que a maneira como estamos vivendo (nós Planeta Terra) levará invariavelmente ao fim de tudo? Ou acabará com seca ou com chuva, mas que se continuar assim acabará, ah isso vai...

Ambigüidades

Todo dia, no caminho para o trabalho, estou propenso à poesia. Vou de bicicleta, em um ritmo mais calmo que o resto das pessoas, escutando música, cheirando grama molhada de orvalho, passando por caminhos onde há gente caminhando, ainda há pássaros, eventualmente o trem ao lado me faz companhia. Aprecio os quintais das casas que ainda existem – casas e quintais – e lembro de um tempo mais simples, mais calmo (me lembro de meu vizinho, o Júnior, rapagão alto à beça que pulava a cerca de casa sem usar as mãos, como um corredor de 110 metros com barreiras), em que havia tempo para brincar na rua – era possível brincar na rua. Aí eu chego ao trabalho, cheio de poesia na cabeça, e ligo o computador com o nobre objetivo de escrever alguma coisa nesse sentido. E nos últimos três meses sou soterrado pela avalanche de trabalho – muitas vezes insensato e sem objetivo. Aí a poesia que havia pela manhã vai se esgotando, vai diminuindo, até ser completamente apagada por números, cifras, tabelas, ap...

Agora é hora de lutar!

Para começar, temos que falar o que pensamos, mudar nossas atitudes em relação a tudo e ser intolerantes a qualquer desmando, inclusive o próprio, que são os mais perigosos. Pelo menos abrir a boca para começar a dizer o que pensamos, jogar para fora a raiva de eleger idiotas e representantes imbecis que só querem enriquecer à custa de uns bocós que somos nós. Abrir a boca, lotar as caixas postais daqueles vagabundos que nada fazem para mostrar que pelo menos estamos atentos. E quem sabe, a longo prazo, mudar.