Reflexões matinais
Houve uma época em que o rock, ou grande parte dele, era de protesto. Os tempos eram bicudos, os Estados Unidos estavam enfiados até o pescoço no Vietnã, uns dez anos depois a economia era desalentadora, não havia espaço para nada. No primeiro caso, o rock foi meio psicodélico e altamente político. No segundo, o rock foi pancada absoluta e gerou o punk, anarquista até a medula. Mas aí vieram os anos 80, começou a década do individualismo e o protesto foi minguando. Hoje, nada parece mais anacrônico que uma banda começar a fazer música de protesto. Foi o que senti escutando o último disco do U2 (quer dizer, toda a discografia da banda, do primeiro álbum em 1980 até o último). O som continua bacana, mesmo as músicas antigas permanecem atuais, mas acaba provocando um certo desconforto escutar as canções que falam de Martin Luther King, do Domingo Sangrento na Irlanda, do Apartheid, enfim, de todas as bandeiras que eles desfraldaram. A realidade hoje é a da música eletrônica. Uma batida h...