Tédio ou desesperança
Segunda, seis da manhã, saio da cama. Na prática, já estou acordado desde as três, me comportando como um bife bem passado, virando de um lado para outro, na tentativa de achar uma posição que me faça voltar a dormir. Mas o sono não vem, e os pesadelos do dia começam a aparecer. Sim, do dia, pois os sonhos são ok, o problema está na realidade. Trabalhar para quê? Trabalhar por quê? Bate uma desesperança - mas ainda não o desespero - de que parece tudo em vão. Saio de casa já pensando na hora em que estarei de volta. Dez módulos semanais, é o que me digo. Cinco manhãs e cinco tardes, mais ou menos quatro horas cada, e logo acaba a semana. Triste começar a segunda pensando na sexta. E quando a sexta chega, ela traz um alívio momentâneo. O cérebro quase desliga, quase, e o trabalho fica lá onde ele está, parado. As dívidas não se mexem, o estoque não se mexe, os funcionários não falam, o telefone não toca. Entro em uma bolha para disfarçar que não tenho trabalho, nem problemas relacionado...