Postagens

Mostrando postagens de 2010

Medo inconsciente

Dos sete aos 17 anos estudei em um colégio de padres, um colégio jesuíta. Na época da formação política de todos os jovens, entre os 15 e os 17 anos, tive um professor de História que havia sido torturado pelos militares que governaram o país entre 1964 e 1985. Ele tinha uma raiva muito grande dos militares e da direita como um todo, e tinha toda a razão do mundo para ter essa raiva. Deu que eu fiquei com um medo pavoroso de ditaduras, mesmo aquelas que se proclamam benignas. Depois de um bom tempo me achando socialista (mas que jovem não o é?), agora sou liberal. Quero cada vez menos Estado, pois ele é uma instituição que premia o incompetente. A teoria marxista é muito bonita ao dizer que quem produz mais compensa aquele que produz menos. Mas quando o que produz mais percebe que ganha o mesmo que aquele que produz menos, o que acontece? Ele passa a produzir menos, pois não é recompensado. Somos ainda um pouco cachorros, queremos recompensa. Ser liberal não significa não reconhecer ...

Algo ficou pelo caminho

Um dia tive sonhos, peguei uma mochila e saí para viajar. Disse que voltaria em seis meses, e fiquei dois anos e meio fora. Voltei e recomecei, mas um tempo depois, descontente com os rumos que a coisa estava tomando, saí de novo mais um ano e meio. Voltei e recomecei, dessa vez para não sair nunca mais. Tem algo que ficou pelo caminho nessas idas e vindas. Pode ser que o que tenha ficado para trás seja a inocência, aquela coisa meio pueril de achar que o mundo trabalha a seu favor, quando é você quem tem que trabalhar antes para fazer o mundo girar pro lado que você quer. Há uma dificuldade em ver as coisas de um ponto de vista mais positivo, mais esperançoso, que faça o sorriso aparecer mais fácil. Também deve ter ficado para trás o sonho, ou os sonhos, que envolviam aquela vontade de ser alguma coisa no futuro, se trabalhava para isso e que agora, já na metade da estrada, vemos que é necessário ser mais pragmático que sonhador. O sonho de agora é aquele de doce de leite na padaria, ...

Palpiteiro

Já que todo mundo dá palpite quando o Brasil perde, lá vou eu também. Em primeiro lugar, a seleção era muito ruim. Nem de longe ela era a seleção dos melhores jogadores do Brasil em atividade atualmente. Kléberson? Grafite? Nem o Felipe Melo, que é muito melhor como açougueiro ou cortador de cana pelas foiçadas que dá poderia estar ali. Tudo ruim. Em segundo lugar, a total e completa ausência de esquemas táticos. Depois do gol de empate com a Holanda ficou evidente que não havia esquema tático. O segundo gol só mostrou que o rei estava nu, ou melhor, que a seleção esperava algum lampejo de genialidade do Kaká (ainda machucado), do Robinho (que só reclamou e não jogou) ou do Luís Fabiano (também machucado). Ou seja, sorte, não competência, sendo que sorte faz tempo que não entra para jogar. Em terceiro lugar, o destempero do Dunga contaminou a toda a seleção. Se eles achavam que ganhariam as coisas no grito, se deram mal. A Holanda bateu sim, mas o Brasil também. E nesse ponto ficamos...

A âncora do rancor

Se existe alguma coisa que atravanca o desenvolvimento pessoal, essa coisa é o rancor. Imperfeitos que somos, arrastamos nossos rancores durante muito tempo e só depois que conseguimos nos livrar deles é que temos condições de progredir. Enquanto o rancor está ali, ele funciona como uma âncora a nos segurar, a impedir o voo, a bloquear o avanço, a parar o progresso. Cada rancor tem origem em um ato específico e pode atravancar uma determinada faceta de nossas vidas, mas consegue contaminar todo o resto. Um revés profissional afeta a tua carreira e, se não for trabalhado e solucionado internamente, impedirá você de ter alguma outra ocupação bem sucedida. Enquanto você não fizer as pazes com essa mágoa, você patinará. E enquanto você patina, você fica de mau humor. E de mau humor, você não consegue se dedicar à sua família como deveria, não consegue estar com os amigos como gostaria, nada vai. Se o rancor é de uma relação pessoal, então, a coisa é ainda mais difícil. Até você conseguir...

logos 3

Imagem
logos 3

Logo Biorad

Imagem
logo

logo 4

Imagem
vai

Logo Capricorn

Imagem
Logo Capricorn

Pos Meridion

Pos Meridion, Pos Meridion, Pos Meridion. O Google me salvou. Não mais esquecerei. Veja a pusta foto aqui < http://www.radiocaos.com.br/website/?p=735 >!! Putz, isso sim é nostalgia!!

E lá se foi o Ivo Rodrigues, que os deuses do rock o tenham

Hoje faleceu o cantor Ivo Rodrigues, vocalista da mítica banda parananense Blindagem e da mais mítica ainda, quase secreta, A Chave. Da segunda, não posso falar nada pois nunca ouvi nada (na real, estou escutando nesse momento a música De Ponta Cabeça, graças a essa que é talvez a maior invenção da Internet, o Google). Mas do Blindagem, há, esse faz parte de mim. Eu comecei a sair na noite curitiba aos 15 para 16 anos. A primeira vez que saí para a nite  foi um programa com quase tudo que alguém procura: começou com um show (tá, não tão bom, do João Lopes, o Bicho do Paraná, mas foi curtição), seguido de um cesto de frango frito do Balaio de Frango no Largo da Ordem, encerrado por uma caminhada para casa com direito a assalto a mão armada (canivete) no caminho. Sorte minha que apontaram o canivete para o meu amigo Geléia, o Gustavo Guimarães, que estava junto. Mais sorte ainda que só apontaram e não fizeram nada. Talvez nessa primeira noite eu já devesse ter percebido que minha vida n...

Que momento...

O mundo está convulsionado. Do micro ao macro, tá tudo do avesso, tudo está sendo questionado. Na minha cidade, o prefeito super bem avaliado deixa a prefeitura para concorrer a governador. No entanto, sai deixando a cidade esburacada, os ônibus lotados e sem lugar para por o lixo. O governador, maluco, deixa o governo se achando o máximo, mas em sete anos não conseguiu fazer nada para a população, só para si próprio e os seus. A insegurança toma conta das ruas de todas as cidades, as estradas estaduais estão um lixo, a saúde idem, a educação idem, e ele se achando o Chávez do Sul. Não sei o que é pior, se o narcisismo ou a inspiração. E no nível nacional, a coisa é ainda pior. Há uma renca de gente defendendo esse governo que privatiza tudo para os seus, aparelhando tudo o que podem com os colegas sindicalizados, os pelegos de sempre, gente que não quer trabalhar mais, apenas mamar. Não é nem questão ideológica, é privatização para alguns. Eu queria um governo que socializasse mesmo, ...

Via crucis burocrático

Se existe algo que dá nos nervos de quem quer produzir nesse país, é a burocracia e a leniência com que o cidadão é tratado quando tem que recorrer a qualquer órgão público. Se você vai a um cartório, é para confirmar que você é você. Isso é ridículo, mas é assim que funciona no Brasil. E tem lógica um cartório de registro de imóveis demorar cinco dias para emitir um registro em Curitiba, e sair na hora em Campo Largo? Não, não é lógico, não consigo entender. Nos tribunais, em alguns casos você é bem atendido, em outros não. Mas, na maior parte, é um vai e vem de números, guias, pagamentos, autorizações etc. Em Curitiba, precisa da assinatura de um desembargador ou quem quer que seja para expor um cartaz no elevador. E tem que estar carimbado, assinado, registrado, se quiser voar (ah, Raulzito!). Fora o elevador privativo das "otoridades". Ridículo. E o serviço de atendimento ao cidadão em prefeituras, governo do estado, secretarias etc? Em alguns casos, novamente as exceçõ...

Problema de criação

A maior parte das pessoas se sente bem não fazendo nada, acredito. Há uma imensa batelada de gente que recebe o bolsa família numa boa e fica agradecida por não ter que oferecer contrapartida alguma.  Há milhares de funcionários fantasmas por esse país afora, deixando de fazer aquilo para o que foram contratados. E não são apenas funcionários públicos, há muitos fantasmas também nas empresas privadas. No linguajar moderno, são os presenteístas, o contrários dos absenteístas, que estão presentes mas não fazem nada. Funcionário público fantasma já é conhecido por muitos, infelizmente vicejam em todas as repartições públicas do Brasil. Mas há quem não consiga ficar parado esperando as coisas acontecerem, por mais que lhe digam: "calma, fique observando apenas, por enquanto tá bom, não precisa fazer nada mesmo." E receber por isso?! Parece uma afronta ao dinheiro de quem está pagando, ainda que ele tenha dito expressamente que não é necessário fazer nada no início. O problema é...

Tristes países

Tenho dois países, o Brasil e a Itália. Moro no Brasil, morei na Itália. Em ambos, dois governos de perfil autoritário, que não gostam da contestação a suas idéias, populistas, que preferem dar esmola e subsídios a quem não produz que estimular o trabalho e a educação. Alguns poderão achar estranho, mas o Lula e o Berlusconi são muito, mas muito parecidos. Não se fala aqui de esquerda ou direita, mas de características pessoais. Com todos os esforços que o governo Lula fez para tentar controlar a mídia nacional - vamos deixar de lado os milhões gastos com publicidade que sustentam milhares de veículos picaretas por aí - vê-se que seu sonho é ser que nem Berlusconi, que tem três redes de TV privadas e controla as outras três estatais por ser o primeiro-ministro. Mas Lula não é, e tem que aguentar um que outro jornal mais crítico. Lula tem imunidade pelo cargo que ocupa. Até hoje não respondeu ao juiz que conduz o processo do mensalão - por escrito. Berlusconi tentou criar uma lei que ...

Os euscritores

Há escritores aos borbotões por aí, inclusive este que vos tecla. Sempre os houve, e sempre os haverá. Mas existe um fenômeno atual em que aparecem cada vez mais os "euscritores", isto é, os escritores que não conseguem falar de outra coisa a não ser do próprio umbigo e da relação de todo o resto do universo com ele. É fácil reconhecer um euscritor. Em primeiro lugar, ele fala apenas de si próprio. Todos os seus textos têm obrigatoriamente algum pronome na primeira pessoa: eu, meu, minha, me, para mim. Eventualmente, há um nós, ou nosso, se o euscritor estiver comentando algo acontecido com ele e outra pessoa ou animal. Mas, mesmo nesses casos, o pronome coletivo serve apenas para situar o euscritor em primeiro lugar e a outra pessoa em qualquer outro lugar que não o principal. Em segundo lugar, há um deslocamento no foco do texto para as opiniões sempre subjetivas do euscritor. Se ele estiver falando do terremoto do Chile, começará por ele mas falará do seu drama uma vez n...

Para onde estão indo as bundas?

Ando pelas ruas procurando-as e cada vez as vejo menos. Falo de bundas, bundas femininas, belas bundas femininas, daquelas que querem fugir dos jeans que as levantam e aprisionam. A cada dia, parece que há menos bundas na praça! Sei que moro em Curitiba, uma cidade mais branca que negra ou índia, e que as bundas que andam por aqui são menos formosas que as cariocas e as nordestinas. Mas houve uma época em que havia mais bundas pela cidade. Mesmo meninas branquelas tinham belas calipígias adornando-as, eventualmente. Hoje, parece que as bundas sumiram, foram fatiadas por algum maluco americano que só gosta de peitos (uma homenagem à nossa colega de faculdade, Márcia Fa!). As meninas enfiam-se em jeans superapertados que, quando vistos de lado, ainda mostram alguma protuberância na traseira, mas quando vistos de costas, mostram que elas não têm mais quadris. Junto com as bundas, perde-se aquela curva que o fim do tronco fazia com as ancas (ainda sou do tempo de ancas), mostrando, ou me...

A dificuldade de se lidar com o ócio

É difícil lidar com o ócio. Fico angustiado, tenso, vou pulando de uma página a outra na internet, em busca de algo com que distrair o cérebro para não pensar. Não quero pensar, não estou com vontade de encarar meus demônios íntimos nos meus momentos de ócio, pois, se não tenho nada para fazer, vou pensar, e inevitavelmente vou filosofar. Não quero filosofar, quero apenas executar coisas, raciocinar apenas o que devo para executar bem minhas funções. Não quero tomar grandes decisões a respeito da minha vida (até deveria, chega de ficar enrolando), quero deixar para lá o que realmente preocupa e aflige para ver meu cérebro flanar pelas efemeridades da vida: o trabalho, o futebol, as fofocas, as novas descobertas da medicina etc. Pode ser um assunto até mesmo espinhoso, mas será sempre uma distração para não pensarmos no que devemos, naquilo que mais nos aflige, que é nosso destino. Se estou ocioso, quero logo fazer algo. O ócio criativo talvez seja só uma boa idéia para se ler livros,...

Mais um ano ou menos um ano?

Ontem o João Ubaldo Ribeiro escreveu algo interessante. Ele falava que o Ano Novo pode ser encarado como mais um ano ou menos um ano. Claro, a visão pessimista é a que diz menos um ano: menos um ano de vida, menos tempo para fazer tudo o que se quer até o fim inevitável, menos energia para tanta coisa represada. A visão otimista diz que tudo é possível ainda, que os anos vividos são experiências que aprendemos para perder menos tempo à frente e que, se quisermos, poderemos fazer tudo o que se quer. Eu duvido. Apenas a quantidade de livros que merecem ser lidos, se não houvesse mais nenhum lançamento que preste daqui até o fim do século XXI, já seria o suficiente para preencher umas duas ou três vidas em que a única atividade fosse a leitura. E a quantidade de músicas para se escutar, bebidas e comidas para apreciar, enfim, a quantidade de coisas que deixaremos de fazer será infinitamente maior do que a quantidade de coisas que poderemos ter feito. Provavelmente o que querem nos dizer...