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Mostrando postagens de outubro, 2005

Diferenças cruciais

Hoje há um "grande" escândalo nos jornais ingleses. O ministro do Interior, Dave Blunket, foi acusado de ter ações em uma empresa que presta serviços ao governo (ainda que a um ministério léguas de distante do dele) e isso poderia gerar um conflito de interesses. O medo é que ele favorecesse a empresa, ou soubesse de informações privilegiadas, para ficar rico. E isso que ele tem um pacote de ações pequeno, nada grande. Enquanto isso, aqui na Botocúndia, descobre-se que cerca de US$ 94 bilhões de dólares foram enviados ao exterior por meio das contas CC-5 do Banestado. No mundo inteiro não existe ladroagem maior que esta. Só para vocês terem uma idéia, a máfia russa mandou cerca de US$ 8 bilhões para fora da Rússia. Somos quase 12 vezes mais pilantras que os russos. E digo somos pois é a nossa grana, e é o nosso país. Tento me lembrar sempre que o Brasil tem apenas 505 anos de civilização ocidental, e que tem menos de 20 anos de democracia constante. A primeira eleição depois ...

Gostos diversos

Felizmente os homens têm gostos diversos (quando falo homens, entenda-se a humanidade como um todo, não os bípedes do sexo masculino). No entanto, quando se fala sobre os gostos, ainda somos da idade das cavernas, onde o consenso era resolvido no porrete e no tacape. Pois a pior coisa que existe é você falar mal de uma banda ou músico para alguém que é fã dessa banda. De nada adiantam os critérios técnicos que justifiquem porque aquele músico ou banda é ruim, a pessoa gosta da banda, e se você falar mal dela, sai da frente que lá vem porrada. Acontece mais ou menos a mesma coisa no futebol. Mesmo que o seu time esteja indo para a segunda divisão, só um torcedor meia boca admitirá que ele está jogando mal. Em todas as situações, todas, o time sempre é bom. E se alguém falar mal dele, pancada. Infelizmente, nesse caso podendo levar até à morte. Comidas, filmes, livros, roupas, enfim, tudo o que mexe com o pessoal acaba sendo motivo para um desgaste. Tudo bem que as vezes você achincalha ...

Perguntas erradas

O referendo sobre a proibição à venda de armas já passou, o não ganhou, e noves fora qualquer opinião que você tenha sobre o tema, a pergunta estava errada desde a sua formulação. E o governo atual, que realmente não sabe lidar com as palavras, não conseguiu fazer com que a sua vontade - a proibição - ganhasse. A pergunta que deveria ter sido feita, e que não envolve a venda ou não de armas, é se a pessoa é a favor da vida. Se sim, e acredito que a maior parte das pessoas seja a favor, se começa a verdadeira discussão, que é sobre segurança pública, educação pública, saúde pública e políticas públicas de inclusão social. O problema é que aqui na Botocúndia o que invertemos o conceito de público. A res publica , a coisa pública, é, ou deveria ser, de todos. No entanto, a pessoa aqui lê público e pensa que não é de ninguém. E dá-lhe pichação, roubo de fios de telefone e luz, depedração de pontos de ônibus etc. E como não é de ninguém, ninguém cuida. Por isso a escola pública é ruim, o h...

Esperança para a humanidade

Uma vez o Luis Fernando Veríssimo escreveu que ainda havia esperança para o futuro da humanidade. Ele estava em casa de amigos, e era o aniversário do menor de todos, um criança entre três e seis anos, não me lembro ao certo. Um dos presentes da criança era um brinquedo eletrônico, super-sofisticado, desses que você aperta um botão e ele faz tudo sozinho, alijando completamente a criança do processo do brincar, mas que infelizmente fazem tanto sucesso por aí. Pois bem, o piá ganhou o brinquedo, viu qual era, e saiu brincando pela sala. Com a caixa de papelão do brinquedo. O menino solenemente ignorou a tecnologia - talvez não tenha sido tão solene, pode até ser que tenha sido insolente, mas pelo menos teve personalidade - e foi brincar com a própria imaginação. Todo esse palavrório para chegar ao que importa. No sábado, fui jantar com minha namoramada após o cinema. Fomos a um restaurante legal, e à mesa ao lado estava sentada uma família: pai, mãe, irmã mais velha com o namorado maior...

Os homens de hoje

Caro Aleksey, caro Marcos Amend, desculpem se roubo a idéia de vocês, mas não posso deixar de falar das novas categorias em que vocês classificaram os homens. A primeira delas, talvez a menos engraçada, é o pseudo-maduro. E não há como negar. Nós, homens, somos em grande maioria uns piás crescidos que não gostaram de ter crescido. Pode perceber que, quando se coloca uma bola no meio de um grupo de homens, viram todos piás. E a competição para ver quem joga melhor, para ver quem marca mais gols, logo começa. Homem é um piá com mais responsabilidades e uma certa dificuldade em reconhecê-las e aceitá-las. Mas a segunda é a mais fantástica. Somos todos pedreiros do amor. Na prática, o que é isso? É que todo homem, na frente de uma mulher gostosa, se comporta como uma gostosa. E o que nos impede de dizer, com todas as letras, "Ô sua gostosa!!!", meio que salivando quando falamos isso, é a educação. Daí que dizemos palavras mais sutis como "como você está elegante hoje!" ...

Tempo, tempo, tempo

O que pode acontecer em um mês? No mundo, dá para testemunhar um ou mais furacões nos Estados Unidos e no Caribe, um terremoto no Paquistão, a eleição da primeira mulher como chanceler na Alemanha, o líder do Partido Republicano do Bush pedir renúncia por corrupção e malversação dos gastos, outras tantas descobertas da gripe do frango, da Ásia chegando à Europa, e mais algumas coisas de que não me lembro. Em Brasília, dá para acontecer de tudo. Dá pra caçar um deputado, fazer outros três renunciarem ao cargo para não serem cassados, levar mais 13 a enfrentar um processo de cassação e não votar nenhuma, mas absolutamente nenhuma lei que faça esse país melhor. No Paraná, não aconteceu nada, pois o governador não faz nada. Talvez seja até bom. Em Curitiba, não aconteceu nada também, pois o prefeito não faz nada. Mas os buracos nas ruas aumentaram sobremaneira, e as ruas estão ruins como há muito não se via. No meu bairro, provavelmente algumas crianças nasceram, algumas pessoas morreram, ...