Triste mulher gorda
São oito horas da manhã e lá está ela, a triste mulher gorda, sentada na lanchonete, tomando o seu café da manhã. É um café diet , levinho: uma coxinha de frango com catupiry, daquelas pingando óleo, e uma garrafa de Chocomilk. Talvez tenha também comido uma esfiha antes, quem sabe? Sozinha, ela olha o vazio à sua frente e mastiga. E mastiga. Triste mulher gorda, sozinha na lanchonete, a pensar na vida. Ela talvez esteja pensando na noite anterior, onde mesmo com as amigas estava sozinha. Sim, pois nenhum homem olha pra ela, a mulher gorda. Suas amigas, magras ou no máximo dentro do peso, chamam os homens. Mas eles não olham para ela, ela é apenas uma mulher gorda. E por isso, para chamar a atenção, faz-se de assanhada, usa decotes mais que generosos, calças com numeração abaixo da necessária, tudo para mostrar o que pode e assim, quem sabe, chamar a atenção de alguém. Mas ela também sabe que chama a atenção por isso, não por ser quem ela é. E sabe também que, se pegar alguém, ser...