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Mostrando postagens de julho, 2013

A realidade dói

Em algum momento de nossas vidas percebemos que temos mais responsabilidades e deveres que direitos. Não sei exatamente quando isso acontece, mas fatalmente acontece. Talvez isso esteja acontecendo tarde demais para todos nós. Sem querer repetir o que a Eliane Brum já escreveu de maneira definitiva ("Meu filho, você não merece nada", em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html ), quando a experiência acontece com você ela dói mais. Dói quando você percebe que você lutava por muitos direitos, mas parecia pouco inclinado a aceitar seus deveres. E, aos 20 e passa anos, ainda achava que merecia muita coisas, mas tinha feito muito pouco para realmente conquistá-las. Dói ver a retrospectiva da vida e perceber que você era um bosta como todos aqueles filhinhos de papai que você criticava, quando na verdade era apenas mais um, somente sem as roupas de grife. Dói quando você vê seus filhos, que você tinha certeza que estava educando...

Aceitação

Não me gosto. Olho-me ao espelho e o que vejo não me agrada. Tenho pelo menos dez centímetros a menos do que deveria ter. Saí baixo demais, e não há exercício que faça-me subir às alturas. E como sou baixo, sou meio gordinho. Olho para a pança logo acima da linha da cintura e também não gosto do que vejo. Uma barriga saliente e persistente. Seis meses de abdominais e exercícios só fizeram firmá-la, mas não desapareceram com ela. E lá ela permanece. Os cabelos são ruins também. Fracos, finos e esparsos. Pelo menos, são igualmente esparsos pelo couro cabeludo. Meu barbeiro diz que eu tenho poucos cabelos regularmente espalhados, o que dá a impressão de que a calvície ainda demora. Mas são poucos, e são finos. Já sonhei várias vezes com uma cabeleira, mas ela nunca foi nem será possível. E olho-me ao espelho forçando um pouco a vista, pois ela já anda se cansando de tanto ver. De noite os óculos são obrigatórios. De dia, eventualmente, também. Mas de longe já está tudo embançando, de ...

Futilidade

Perdemos a maior parte do tempo pensando, fazendo e querendo futilidades. As redes sociais servem como vitrine para a nossa completa e total dedicação ao fútil. Nas redes sociais estamos sempre bem, mostrando sorrisos, chamando os outros de lindo, maravilhoso a qualquer nova foto, mostramos o que comemos, onde comemos, o que compramos, enfim, só futilidades. Não há muito espaço para que é realmente importante. Deixamos de lado a necessidade de progredir, de lutar e trabalhar para melhorar, para ficar mostrando os arremedos de satisfação que temos em nossa vida contemporânea. Um ou outro consegue fugir da mesmice, ao falar das alegrias de se ter filhos, de trabalhos que deixam esse mundo melhor. Mas são poucos em um oceano de palavras vazias e gestos sem sentido. Não que a rede social tenha mudado algo nas pessoas. Já eramos assim antes. A diferença é que antigamente isso se compartilhava apenas com os vizinhos e conhecidos. Os amigos ainda estavam lá para saber de você o seu melhor...

Olhar esmaecido

Houve uma época em que era mais fácil andar pelas ruas e detectar o que não estava exatamente de acordo com o figurino geral. Uma pessoa vestida com uma roupa meio esquisita, um orelhão que parecia cair, uma árvore com algum galho quebrado mas ainda ligado ao tronco, enfim, todos aqueles pequenos detalhes que, mesmo não sendo importantes, são parte de nossa vida. Mas o olhar foi ficando cansado e pouco atento aos detalhes. As necessidades do dia-a-dia vão tornando a vista opaca e direcionada. É como se fossem colocadas em nós aquelas viseiras de cavalos, para impedir que o que está ao redor os distraia, junto com um óculos meio riscado à frente. Não vemos o que está ao redor, temos que estar focados (essa maldita palavra do universo corporativo) em objetivos, resultados, obrigações, convenções, vitórias e afins. O olhar não pode digredir, não pode viajar, não pode sair do chão acompanhando um sabiá que sobe até o galho mais baixo da araucária para encontrar outro sábia. Não temos t...