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Mostrando postagens de março, 2010

Via crucis burocrático

Se existe algo que dá nos nervos de quem quer produzir nesse país, é a burocracia e a leniência com que o cidadão é tratado quando tem que recorrer a qualquer órgão público. Se você vai a um cartório, é para confirmar que você é você. Isso é ridículo, mas é assim que funciona no Brasil. E tem lógica um cartório de registro de imóveis demorar cinco dias para emitir um registro em Curitiba, e sair na hora em Campo Largo? Não, não é lógico, não consigo entender. Nos tribunais, em alguns casos você é bem atendido, em outros não. Mas, na maior parte, é um vai e vem de números, guias, pagamentos, autorizações etc. Em Curitiba, precisa da assinatura de um desembargador ou quem quer que seja para expor um cartaz no elevador. E tem que estar carimbado, assinado, registrado, se quiser voar (ah, Raulzito!). Fora o elevador privativo das "otoridades". Ridículo. E o serviço de atendimento ao cidadão em prefeituras, governo do estado, secretarias etc? Em alguns casos, novamente as exceçõ...

Problema de criação

A maior parte das pessoas se sente bem não fazendo nada, acredito. Há uma imensa batelada de gente que recebe o bolsa família numa boa e fica agradecida por não ter que oferecer contrapartida alguma.  Há milhares de funcionários fantasmas por esse país afora, deixando de fazer aquilo para o que foram contratados. E não são apenas funcionários públicos, há muitos fantasmas também nas empresas privadas. No linguajar moderno, são os presenteístas, o contrários dos absenteístas, que estão presentes mas não fazem nada. Funcionário público fantasma já é conhecido por muitos, infelizmente vicejam em todas as repartições públicas do Brasil. Mas há quem não consiga ficar parado esperando as coisas acontecerem, por mais que lhe digam: "calma, fique observando apenas, por enquanto tá bom, não precisa fazer nada mesmo." E receber por isso?! Parece uma afronta ao dinheiro de quem está pagando, ainda que ele tenha dito expressamente que não é necessário fazer nada no início. O problema é...

Tristes países

Tenho dois países, o Brasil e a Itália. Moro no Brasil, morei na Itália. Em ambos, dois governos de perfil autoritário, que não gostam da contestação a suas idéias, populistas, que preferem dar esmola e subsídios a quem não produz que estimular o trabalho e a educação. Alguns poderão achar estranho, mas o Lula e o Berlusconi são muito, mas muito parecidos. Não se fala aqui de esquerda ou direita, mas de características pessoais. Com todos os esforços que o governo Lula fez para tentar controlar a mídia nacional - vamos deixar de lado os milhões gastos com publicidade que sustentam milhares de veículos picaretas por aí - vê-se que seu sonho é ser que nem Berlusconi, que tem três redes de TV privadas e controla as outras três estatais por ser o primeiro-ministro. Mas Lula não é, e tem que aguentar um que outro jornal mais crítico. Lula tem imunidade pelo cargo que ocupa. Até hoje não respondeu ao juiz que conduz o processo do mensalão - por escrito. Berlusconi tentou criar uma lei que ...

Os euscritores

Há escritores aos borbotões por aí, inclusive este que vos tecla. Sempre os houve, e sempre os haverá. Mas existe um fenômeno atual em que aparecem cada vez mais os "euscritores", isto é, os escritores que não conseguem falar de outra coisa a não ser do próprio umbigo e da relação de todo o resto do universo com ele. É fácil reconhecer um euscritor. Em primeiro lugar, ele fala apenas de si próprio. Todos os seus textos têm obrigatoriamente algum pronome na primeira pessoa: eu, meu, minha, me, para mim. Eventualmente, há um nós, ou nosso, se o euscritor estiver comentando algo acontecido com ele e outra pessoa ou animal. Mas, mesmo nesses casos, o pronome coletivo serve apenas para situar o euscritor em primeiro lugar e a outra pessoa em qualquer outro lugar que não o principal. Em segundo lugar, há um deslocamento no foco do texto para as opiniões sempre subjetivas do euscritor. Se ele estiver falando do terremoto do Chile, começará por ele mas falará do seu drama uma vez n...

Para onde estão indo as bundas?

Ando pelas ruas procurando-as e cada vez as vejo menos. Falo de bundas, bundas femininas, belas bundas femininas, daquelas que querem fugir dos jeans que as levantam e aprisionam. A cada dia, parece que há menos bundas na praça! Sei que moro em Curitiba, uma cidade mais branca que negra ou índia, e que as bundas que andam por aqui são menos formosas que as cariocas e as nordestinas. Mas houve uma época em que havia mais bundas pela cidade. Mesmo meninas branquelas tinham belas calipígias adornando-as, eventualmente. Hoje, parece que as bundas sumiram, foram fatiadas por algum maluco americano que só gosta de peitos (uma homenagem à nossa colega de faculdade, Márcia Fa!). As meninas enfiam-se em jeans superapertados que, quando vistos de lado, ainda mostram alguma protuberância na traseira, mas quando vistos de costas, mostram que elas não têm mais quadris. Junto com as bundas, perde-se aquela curva que o fim do tronco fazia com as ancas (ainda sou do tempo de ancas), mostrando, ou me...

A dificuldade de se lidar com o ócio

É difícil lidar com o ócio. Fico angustiado, tenso, vou pulando de uma página a outra na internet, em busca de algo com que distrair o cérebro para não pensar. Não quero pensar, não estou com vontade de encarar meus demônios íntimos nos meus momentos de ócio, pois, se não tenho nada para fazer, vou pensar, e inevitavelmente vou filosofar. Não quero filosofar, quero apenas executar coisas, raciocinar apenas o que devo para executar bem minhas funções. Não quero tomar grandes decisões a respeito da minha vida (até deveria, chega de ficar enrolando), quero deixar para lá o que realmente preocupa e aflige para ver meu cérebro flanar pelas efemeridades da vida: o trabalho, o futebol, as fofocas, as novas descobertas da medicina etc. Pode ser um assunto até mesmo espinhoso, mas será sempre uma distração para não pensarmos no que devemos, naquilo que mais nos aflige, que é nosso destino. Se estou ocioso, quero logo fazer algo. O ócio criativo talvez seja só uma boa idéia para se ler livros,...