Crônica do recomeço
Música de Ivan Lins
Começar de novo, e contar comigo
Vai valer a pena, ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo, e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras, sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo, e contar comigo
Vai valer a pena, já ter te esquecido
Começar de novo
É uma necessidade, grita alto, grito que vem do fundo. Dá um cansaço de pensar que é necessário começar de novo, mas a cada dia, parece ser imperativo fazer isso, se a vontade é viver, não apenas sobreviver. Mergulhar em si mesmo (ensimesmar-se, palavra de que tanto gosto) para descobrir quem sou eu mesmo, onde estou machucado, como me curar.
Começar de novo assusta, pois já não somos os mesmos de 30 anos atrás, quando tudo o de que precisávamos era uma mochila e uma passagem de ida. A mochila está pronta para ir para as costas, mas antes mesmo de se colocar uma peça de roupa dentro, ela já está carregada. Carregada de medos, traumas, arrependimentos, vontades não realizadas. É necessário descarregar isso antes de reiniciar a caminhada. Falta a coragem.
Mas será feito, por bem ou por mal. Por enquanto, ainda dá tempo de fazer por bem. Mesmo assim, demorará pelo menos seis meses para o rumo ser corrigido. Sem o primeiro passo, porém, nada mudará. Talvez mais uma conversa para sacramentar a mudança. Usar o fim de semana para escrever o que é desejo e o que é necessidade, como me orientou meu irmão/amigo, e decidir. E executar. Estou como o leão do Mágico de Oz, à procura de coragem. Só espero não ser como o espantalho, que não tinha cérebro. Coração tem sobrando, esse é um dos problemas. A busca de casa, como a Dorothy? Talvez. Oremos.
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