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Mostrando postagens de outubro, 2009

Lembrança triste

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Por alguma razão, me lembrei do nosso governo...

O que me preocupa

O que me preocupa nesse governo é que ele está "companheirizando" todo o Estado. Tudo bem que todo governante faz isso, pega os seus aliados, cupinchas e comensais e os coloca em postos de poder, grande ou pequeno, para poder dominar tudo. No entanto, nunca antes na história desse País isso ficou tão descarado. E se antes havia uma sensação de que, mudados os governantes, mudariam as pessoas, esses que agora estão querem perpetuar-se em seus cargos e comissões. Quando se fala com um deles, há sempre um discurso de que "com FHC era ruim, com o Lula é maravilha". O ponto que é mais preocupante é que eles não aceitam o diálogo e a controvérsia. Ou se é a favor do Lula, do PT e de tudo o que ele faz, ou você não vale dois tostões. Toda opinião contrária é imediatamente desqualificada, tida como enviesada, como alguém que está jogando contra o País. Ontem estava em um curso promovido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, ligada à Sealopra (Secretaria de As...

Problemas com o cigarro

Eu tenho problemas com o cigarro. Por exemplo, eu odeio os fumantes que, em sua grande maioria, são um bando de porcos. Quantas vezes eu tenho vontade de xingar um motorista que, assim que acaba seu cigarro, jogar a bagana pela janela, como se a rua fosse um grande cinzeiro. Pô, será que esse lazarento não tem cinzeiro dentro do carro? Ou, como nunca usou, nem sabe onde é? Eu odeio também quando chego em casa cheirando a cigarro. Claro, dessa nem posso reclamar muito, pois afinal eu já sabia que entraria em um bar e lá seria recebido por uma nuvem de fumaça. Mas que dá nos nervos tirar a roupa e estar se sentindo como alguém que dormiu no fundo de um cinzeiro, há dá sim. Também implico com os caras que abrem seu maço de cigarro, pegam aquele plástico do lacre e, junto com o primeiro pedaço de papel que protege os cigarros (naquelas embalagens de caixinha), fazem uma bolinha e tacam na rua ou pela janela. Parece que, para esses caras, isso não é lixo, é algo natural, que faz parte. Ta...

Pessoas

Ontem encontrei um colega que já admirava a algum tempo. No entanto, após a conversa, passei a admirá-lo muito mais. É muito bom encontrar pessoas que colocam nossos dramas pessoais na perspectiva correta. Não desmerecendo a dor que sentimos, é necessário dimensioná-la de modo que ela não pareça maior. As tempestades em copos d'água são das coisas que atravancam nosso progresso espiritual e nesse plano. Por isso, quando encontramos com pessoas que nem esse meu colega, é muito bom.

Governos idiotas

Basicamente, todos os governos são idiotas. E em nosso país, onde a idiotice parece ser um valor a ser cultivado, eles são ainda mais idiotas. Todo o pretenso "confronto de ideias" entre situação e oposição, aqui, não passa de um discurso pomposo para um objetivo velado, que é o de desviar parte dos recursos que todos produzimos para os bolsos de alguns, ou seja, privatizar alguns lucros da atividade estatal. Pois é disso que se trataram todos os governos até aqui, incluindo este. Nenhum governo até hoje, nenhum, teve um projeto de país. Um ou outro teve um plano de governo, sujeito a mil interferências de todos os tipos, bons ou ruins. Mas todos tiveram um projeto de pilhagem do recurso público para uso de alguns privados. Todos buscaram fazer isso, e fizeram. Em que nível e quanto, resta saber. Veja o atual ocupante do cargo. Não é engenheiro, não sabe nada de trabalhos de grande porte, mas resolve "fiscalizar" as obras de transposição do Rio São Francisco. Leva...

As dores do recomeço

Logo que tudo aconteceu, ele achou que seria fácil abandonar o caminho que estava seguindo para retornar lá atrás, naquela encruzilhada antiga. Foi naquela época em que ele deixou de lado um sonho que parecia certo para trilhar uma senda nova, que parecia promissora e cheia de recompensas. O brilho logo empalideceu. As conquistas prometidas e alcançadas tinham o gosto amargo de estar perdendo a própria alma. Não havia mais espaço para pensar, nunca houve para contestar, não havia gosto no caminhar. E a decisão foi tomada, ainda que não por ele, mas que seria a decisão em algum momento logo ali à frente. Retornar até a encruzilhada e pegar o outro caminho, aquele que foi deixado de lado. Era a decisão correta, mas ele não pensava que lhe custaria tanto. Ele ainda carrega nas costas o tempo caminhando pelo lado errado, o esforço gasto para ir um tanto quanto longe, e não consegue se livrar disso. Ainda lembra com amargura tudo o que aconteceu. E, enquanto caminha arrastando o seu passa...

As mesmas falhas

Errar é humano, diz o velho deitado. Insistir no erro é burrice, diz a sabedoria popular. Mas há alguma maneira de se evitar cometer o mesmo erro repetidamente, vezes à fio? Pois às vezes parece que não temos escapatória, vamos cometer sim o mesmo erro, sabendo que é uma grande cagada. Dá para evitar, mas não fazemos nenhum esforço para que isso aconteça. O copo tá cheio, tá vazio, tá cheio de novo, esvazia rápido e de repente é você quem está cozido. Você já sabia que ia dar nisso, tem 40 anos nas costas, tem 25 anos fazendo a mesma besteira, e não muda. Parece uma sina cometer o mesmo erro e decepcionar novamente quem você ama. Mas agora não dá mais para fazer isso. Tens uma esposa, tens filhos, tens responsabilidades. A ficha tem que cair, pois você pode perder tudo. Lembra-te da semelhança e proximidade que sentias dos barboni italianos, dos beggars ingleses? Você foi um deles, em algum momento, em outra vida. Está nas tuas mãos não repetir o teu destino nesta vida, em nã...

Congelando na terra das araucárias

Frio. Muito frio. Já é outubro, e o clima está congelante. Parece um outubro inglês, quando já se tiram os casacos pesados do armário pois a qualquer momento pode vir uma frente gelada do Ártico. Aqui, Curitiba, cidade com fama de fria, faz frio de verdade. As vitrines anunciam as liquidações de inverno com o inverno ainda em andamento. Não podem já renovar as coleções pois ninguém se arrisca a vestir bermuda e camiseta. Claro, a barriga das meninas continua de fora, desde que a humanidade as liberou para mostrar seu umbigo, eles nunca mais foram escondidos. Tá frio, e tudo fica frio. Perde-se a motivação para sair de casa, visitar os amigos, experimentar um bar ou restaurante novo. Todos os desejos são recolhidos, são o de recolher-se e ficar quieto no seu canto, debaixo de um cobertor, vendo um filme e tomando algo quente. Nada mais. O frio esfria as pessoas, amortece a cidade, deixa-a lenta. Claro, algo aconteceu com o clima que não é normal. Sem ser um ecochato, estragamos tudo ...

Body bags

Tá lá o corpo estendido no chão. Envolto em panos pretos, parece um daqueles body bags que vez por outra aparecem nos filmes de guerra americanos. Mas não é um soldado morto, é uma pessoa viva que está estendida no chão. Ele dorme, envolto em seus panos negros, debaixo das moitas que fazem a vez de cerca em um prédio. Ele dorme, talvez sonhando estar protegido em algum outro lugar, qualquer outro lugar, que não a calçada onde está. Parece um corpo dentro de um body bag . Mas corpos americanos em body bags são diferentes, parecem até bonitos quando vistos na tela do cinema. Mas o nosso não é bonito. Está ali, no meio da calçada, atrapalhando o tráfego, como disse o Chico Buarque em Construção , atrapalhando a visão idílica que temos de nós mesmos ao lembrar que ainda há muito a fazer. Esse é um body bag preto. Mas há os de papelão, os de cartolina, os de folha de zinco, os daquele cobertor cinza, o mais barato que tem, sujos de tanto serem arrastados pelas ruas e calçadas. Há muit...