Postagens

Mostrando postagens de 2008

Estranho reflexo

Olho-me ao espelho e não me reconheço. Quem és tu, aí do outro lado? Antes eras barbudo, estavas ali, cara de sério, cara de quem tem mais idade, cara de alguém que finalmente assumiu responsabilidades na vida. Teu cabelo desgrenhado enganava um pouco, quebrava o ar sisudo que tua barba te conferia. Mas agora, quem és tu? No lugar do barbudo, surgiu um gordinho bochechudo. Parece que as bochechas saltaram para fora das órbitas molares para ocupar mais espaço. O cabelo, agora curto, parece te alinhar, te deixar comportado, te deixar com cara de moço correto. Não que não fosses, mas pelo menos a imagem é tudo o que você não queria ter. Estás ali, de barba limpa e de cabelo curto, no lugar de um barbudo com cabelo meio desarrumado. Tua imagem externa agora representa um pouco melhor o que tua imagem interna é: um homem careta, de pensamento tradicional, escondido de baixo de uma barba e cabelo desarrumado. Por isso, não te reconheço. Vejo tu, sei que estás onde devia estar, mas não ...

Sentimentos e recompensa

Você trabalha diariamente esperando algumas recompensas. Na maior parte dos casos, gostaria de ter satisfação no trabalho, que ele significasse algo para você mais importante que o dinheiro. Difícil, mas talvez não de todo impossível. Claro que nós trabalhamos também para ter dinheiro, mas gostaríamos que ele não fosse tão sofrido, tão atribulado e tão dissociado de nossa satisfação no trabalho. Queremos também ser recompensados com promoções, com elogios, quando fazemos as coisas direito. Nesse ponto, continuamos pensando como uma criança que é parabenizada quando faz algo bacana. Queremos o cafuné, o colo, o doce, o brinquedo. Não adianta saber, conscientemente, que fazer direito é obrigatório, que fazer errado é o que merece o castigo. E o que acontece quando sabemos não ser merecedores de recompensa e querermos mesmo assim. Ou pior, quando o nosso colega ao lado, que sabemos ser mais competentes que nós nesse momento – seja por acreditar um pouco mais no trabalho, seja por se e...

Paternidade ainda que à tardinha

Para meu amigo Negrón   Hoje o bom dia de minha filha foi diferente. Houve dois momentos. No primeiro, ela disse: "Sai daqui, não me amola!", quando queria fazer um chamego com ela em sua cama. Depois, quando não deixei ela pegar um gibi que estava no carro da mãe (claro, já estávamos dentro do outro carro da casa, atrasados para sair da escola), fui elogiado com os seguintes termos, não necessariamente nessa ordem: "bobo, burro, feio, grosso e idiota! Você é o pai mais malvado do mundo!" Claro que seu irmão a apoiou. "Ele é malvado mesmo, obriga a gente a fazer coisas ruins, como escovar os dentes todo dia!" Minha filha tem sete anos de idade, é uma princesinha linda que, quando está de bom humor, é a criatura mais adorável do mundo. De mau humor, porém, se transforma em uma fera que já me faz ter pena adiantado de seus futuros namorados. Meu filho tem dez anos, é um ogrinho de comportamento e higiene, mas um piá superinteligente que antes do elogio m...

Velhos amigos

Quatro senhores estão sentados à mesa de um restaurante vegetariano. Normalmente, restaurantes vegetarianos já são lugares mais calmos que outros restaurantes. Deve ser o perfil de quem opta por uma refeição sem carne: gente que procura uma comida mais saudável, gente que já abandonou a carne vermelha, pessoas mais pacatas, enfim. (No meu caso, vou a vegetarianos pelo silêncio e pela fartura, mas não abandono um bom churrasco). São quatro senhores que falam muito mais pelas pausas que pelas palavras. Eles soltam frases curtas, sobre assuntos desconexos, de tempos em tempos. Não há uma torrente de palavras entre eles. Um relembra um local onde se dança, diz que levará o outro, que dá risada, pois aquele problema na perna que o incomoda há anos o impede de dançar. Todos na mesa sabem disso, mas o convite é feito mesmo assim. Algumas frases tem que ser ditas um pouco mais alto, pois a audição já não é mais a mesma. Não há nenhuma troca de idéias, apenas troca de impressões entre eles. ...

GPS, ou G-Point Search

Meninos, eu descobri!! Nós, homens, temos dentro de nós a ambição de virmos com um GPS embutido. Claro, não falo de um Global Positioning System, esse equipamento que virou moda nos carros do mundo, e que sim pode ser muito útil em países onde não se fala a língua local ou nos Estados Unidos, com aquelas puta auto-estradas com zilhões de entroncamentos, viadutos e passagens. Falo de algo mais simples, mas muito, muito, muito mais prazeiroso, que é o G-Point Search. Ora, um dos grandes mitos do sexo é encontrar o ponto G das mulheres. E dá-lhe manual, dá-lhe aulas com sexólogos e sexólogas, dá-lhe busca na Internet (curiosidade: o Google registra 40,5 milhões de páginas para G Point e 422 mil páginas para Ponto G, uma prova de que nós brasileiros somos menos encanados com essa busca que os americanos) para ver se achamos esse bendito (ou maldito) ponto que fará as mulheres gozarem loucamente, caírem a seus pés, satisfazerem todos os seus desejos, inclusive os mais sórdidos, porque você ...

Resiliência humana

Há pelo menos 20 anos ele está nas ruas de Curitiba. É um mendigo, de pele negra, sem a perna direita, e que cambaleia pelas ruas com apenas uma muleta. Sua "morada" é próxima à Praça Rui Barbosa, uma das principais da cidade. Não poucas vezes eu o vi dormindo no meio da calçada, de qualquer calçada, com movimento ou sem. Nunca vi ele nem abrir a boca para pedir esmolas, mas, de alguma maneira que me intriga, ele sobrevive.   Eu sei que ele tem uma missão nesse mundo, e a missão dele é nos ensinar alguma coisa. Somos nós, que temos conforto material e boas condições de vida, que temos que nos mexer para mudar o mundo. No entanto, eu me pergunto sempre o que leva pessoas como ele a insistir sempre em sua missão. Não seria mais fácil desistir de tudo, largar dessa vida e esperar a próxima encarnação para ver o que acontece?   Parece mais fácil, mas ele e outros milhares de mendigos espalhados pelo mundo não fazem isso. Continuam vivendo pelas ruas, sem abrigo, sem confort...

Psicologia corporativa

Trabalhar em uma empresa grande pode dar vários insights sobre a psicologia humana. É que, mesmo em um "organismo" com milhares de pessoas, vemos a repetição de alguns comportamentos que indivíduos possuem.   Por exemplo, a mania que temos todos de tentar colocar a culpa nos outros. Em uma empresa, é praticamente impossível que alguém diga que a culpa é sua ou de seu departamento. Na maior parte dos casos, o problema está ou no Jurídico, que não entregou o contrato revisado, ou no Compras, que demorou para liberar o pedido de compra de material, ou no Marketing, que fez um produto errado e uma propaganda feia, mas nunca no departamento correto, Vendas por exemplo, que não consegue vender nada.   As empresas também sofrem um pouco de instabilidade emocional. Pessoas, quando submetidas a situações de estresse, tentam várias alternativas para se livrar disso, algumas saudáveis outras não. Na crise dos dias de hoje, por exemplo, as empresas estão todas batendo a cabeça int...

Teste

Se der certo, recomeço amanhã.

Pura poesia

Ontem fui almoçar sozinho, como sempre faço para por as idéias em ordem. Na saída do restaurante, duas crianças pequenas tinham um pedaço de papel na mão e uma delas gritava: - Me ajude! Tem alguém que sabe fazer avião de papel? Eu estava atrasado e já ia passando reto, não era comigo, elas têm pai, mãe, primo, seja lá quem fosse que os tivesse trazido ali. Mas eu parei, me abaixei até ficar com os meus olhos no nível dos olhinhos puxados delas (eram duas crianças de origem japonesa) e respondi que sabia fazer sim. Fiz um avião com todo o cuidado (e, pensando depois, da maneira errada, mas que na hora funcionou), olhei para eles, pisquei e convidei: - Vamos testar? E joguei o avião. Ele saiu voando, com os olhinhos deles seguindo o avião. Não foi um longo vôo. Mas foi o suficiente para que eles, logo que o avião caísse no chão, abrissem um sorriso e saíssem correndo atrás dele para um novo arremesso. Dei um sorriso de volta e me despedi. Uma delas ainda teve a presença de espírito de g...

Chega de empulhação (parte 4)

Esta tarde (07/03) a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós Graduação da Universidade Federal do Paraná ( UFPR ), Maria Benigna Martinelli de Oliveira, foi morta durante um assalto em Curitiba (clique aqui ). Ao lado está a notícia que dois motoristas do Instituto Médico Legal do Paraná cobravam para liberar corpos, algo que é um serviço obrigatório do Estado (clique aqui ). A Cidade Sorriso (sim, um dia Curitiba já foi chamada de Cidade Sorriso) está a cada dia um pouco mais triste. E a culpa é toda nossa, mas talvez mais de um governador turrão que, em seus devaneios de achar-se perseguido por tudo e por todos, esquece que segurança pública é uma função do governo do Estado. No primeiro caso, falhou a Polícia Militar. No segundo caso, a Polícia Civil. Em ambos, todos dependentes do Secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Ferreira Delazari, que ficou perdendo muito mais tempo tentando manter a sua boca como promotor de Justiça do Estado do que gerenciando a segurança pública....

Chega de empulhação (Parte 3)

Ainda não vi o último documentário do Michael Moore, Sicko, mas deve ser uma coisa muito bacana de se ver. Primeiro, por ver a empulhação que é o sistema de saúde norte-americano, todo ele baseado na iniciativa privada e sem nada de governo por trás. Segundo, por ver que uma alternativa pública é viável. Ops, alguém pode até perguntar, dado o tom das empulhações anteriores, "mas esse cara agora tá defendendo o sistema público?" Veja só, existem duas concepções diferentes em jogo, uma é tornar a saúde universal e gratuita, e outra a saúde pública e gratuita – exatamente como falei sobre educação. Precisa todo o sistema de saúde (médicos, hospitais, enfermeiros e muitos, mas muitos, funcionários de administração) ser público? Não, não precisa. Pode todo ele ser privado? Sim, pode. Mas só funcionará se houver um governo competente e concentrado em fazer a coisa certa. Tem que ter um Ministério da Saúde que se preocupe em criar uma tabela do SUS que realmente remunere dec...

Maus tratos ao consumidor

Cena 1: Servopa (revenda Volkswagen em Curitiba) De que adianta ter um painel com senha de atendimento se os atendentes não respeitam a chamada e atendem quem se posta à frente? Pois é, peguei a senha 15, mas só fui atendido depois do 16 e do 17. O que devo fazer, gritar e espernear? Bom, deixei pra lá na hora, reclamei depois, e decidi que provavelmente nunca mais levo o carro lá, nem compro um carro lá. Perderam um cliente. Cena 2: Pátio do Arvoredo (restaurante em São José dos Pinhais) Uma carta com 150 vinhos. Beleza, vamos de espumante rosè nacional. Cinco minutos depois, a resposta. "Ah, este está em falta", diz o garçom. Pedimos então o outro espumante rosè nacional. Mais cinco minutos, e a mesma resposta, desta vez com a explicação: "É que tá muito quente e tá tendo muita saída, ontem pediram bastante e hoje uma mesa pediu a última garrafa". Sem contar que um dos pratos pedidos veio cru e um dos restaurantes que motivou minha ida até lá tava fechado...

Chega de empulhação (parte 2)

(Antes de começar, deixe-me terminar um raciocínio do post anterior. Aquilo tudo vale até o fim do Ensino Médio, que deveria ser profissionalizante. As universidades todas deveriam ser privadas, todas. E vamos fazer que nem nos Estados Unidos: bolsa de estudos para quem se destaca, mensalidade para o resto. A bolsa pode ser custeada pelo governo, desde que haja mérito em sua conquista, ou pela própria universidade, que viveria das mensalidades dos alunos, de doações de gente que dá valor ao ensino e de convênios com a iniciativa privada para a realização de pesquisas. E aí, fim da mentira do uso da verba pública em educação, onde as universidades recebem uma parte do bolo desproporcional ao número de alunos atendidos.) Cara, se tem algo que pode irritar profundamente uma pessoa é ver um dia do seu salário comido com o imposto sindical. É literalmente um dinheiro jogado praticamente no lixo. Digo praticamente pois alguns sindicatos, uma vez por ano, aparece em ação negociando os salário...

Chega de empulhação (parte 1)

Cara, a gente vai cansando do que fazem aqui e em muitos países do mundo. O discurso de quem está no poder é pura empulhação. Vejam só o que dizem todos (com raríssimas exceções): "queremos o ensino público gratuito!" Que balela!! Do jeito que é hoje, as chances de que ele seja de baixa qualidade, que atraia professores ou movidos pela paixão de ensinar (que muitos há, com certeza, mas que abandonam sua paixão quando vêem a remuneração que percebem) ou sem competência, mas desairosos de se tornar funcionários públicos e viver na mamata. Pois é. Tenho um tio que uma vez me disse uma coisa que até hoje me marca e que tenho certeza que funcionaria e acabaria com uma tacada só a moleza dos professores que fingem que ensinam, do estado que finge prestar ensino e do nosso dinheiro pago em impostos sumir nos escaninhos do Ministério da Educação e seus "n" sub-órgãos. Ele falou que o melhor seria cada criança em idade escolar receber um cheque mensal, cheque que só poder...

O eu, o me, o mim

A grande tentação que acomete quem tem um blog é passar a escrever apenas e exclusivamente sobre si mesmo. Ainda que se tenha a pretensão de se dar uma opinião sobre os assuntos, o que é muito bom e salutar, em boa parte do tempo o trabalho se perde no nheco-nheco do "eu fiz, eu vi, eu acho, eu consegui, eu perdi...", ou seja, há apenas três pronomes que são ditos: eu, me e mim. Acaba que, na maior parte dos casos, a vida das pessoas não chama atenção alguma. Todas são interessantes sim, mas apenas quando são contadas por elas sem a pretensão de se dar uma mensagem ao mundo. Quem não gosta de entrar em um boteco e escutar as pessoas falar de suas vidas, do que aconteceu, de rirem todos de uma piada que só quem está ali entende? (Corta para momento egotrip. Estávamos minha esposa e eu [pelo menos eu convido mais alguém para a festa] em Pinhão (Portugal), quando bate a fome. Entramos em um hotel hiperchique mas ninguém dá bola. Daí que saímos do hotel para entrar em um boteco n...

Para sempre, talvez

Era uma manhã normal, como a maioria das manhãs. Ele percorria o caminho de sempre rumo ao seu escritório, onde um dia de poucas emoções com certeza o esperava. Nenhum pensamento o assolava, nem bom nem ruim. Talvez uma ou outra vontade de que algo diferente acontecesse, alguma boa notícia que lhe trouxesse mudanças de ares, ou um dinheiro inesperado. Mas como as chances eram pequenas, ele prestava atenção apenas ao seu caminho. De repente, a luz aparece. Um casal de idade vem subindo a rua na direção contrária. Casais de idade há vários, muitos por aí. Mas este parecia diferente. Ele e ela tinham mais de 70 anos, com certeza. E estavam juntos, de mãos dadas. Claro, há vários casais de idade de mãos dadas por aí. Mas este estava junto, de mãos dadas, e conversando. Claro, há alguns casais de idade de mãos dadas por aí, conversando. Mas este estava junto, de mãos dadas, conversando e rindo. Rindo!! E os que ainda riem juntos nesta idade são poucos. Ele ri junto com o casal, que nem perc...

Assincronia

O casal de namorados está parado na esquina se despedindo. Pode não ser um casal de namorados ainda, parecem mais um par que está prestes a se tornar um casal de namorados. Isto porque não estão já se beijando, se abraçando, aquele abraço forte de quem tem a absoluta certeza de que será a última vez em que eles se verão, mas que também traz a absoluta certeza de que eles se verão dali a pouco. Ainda não há esse beijo, esse abraço. Há apenas um encontro de mãos e um cruzamento de olhares. Olhares que revelam desejo, mas que ainda não é concretizado. Eles se despedem com um beijo de um na bochecha de outro. É daqueles beijos que pára no meio do caminho, entre a boca e a bochecha. Um beijo meio tímido, o último que antecede o verdadeiro beijo. Ele fica no meio do caminho e, sem coragem de rumar ao centro da boca, deixa aquele delicioso gosto nos lábios de "quero mais, venha logo", mas que por alguma razão há uma timidez no ar que não deixa o casal concretizar o desejo de ambos....

Lugar correto

Escutei de um professor uma frase capital, que norteia-me desde então: “Se você não está feliz em seu trabalho, significa que você não é o talento certo para a empresa”. Li a frase da seguinte maneira: eu tenho talento sim, mas os talentos que tenho não servem naquele lugar, devo procurar outro onde meu talento seja melhor utilizado. Daí eu pensei que a questão do talento certo pode ser aplicada a praticamente qualquer coisa na vida. Se você está em uma relação que não te satisfaz, você não é o talento certo para a tua parceira. Não quer dizer que você não seja bom, nem que ela seja boa demais, apenas que não casou oferta e demanda. Se com os parceiros de bola você não se afina, não consegue entrosamento (e não tem nada a ver com ser um perna de pau, apenas de curtir a suadeira), deve ser porque você não fala a mesma língua que eles. Vai que eles realmente competem entre si, quando tudo o que você quer é dar umas corridas e, quem sabe, marcar um gol, sem se ligar no resultad...

Defecando

Deve haver um número ilimitado de cagadas que um ser humano pode cometer ao longo de uma vida (claro, vamos nos limitar a uma encarnação pois se entrarmos nos méritos das cagadas que podem ser feitas nas múltiplas encarnações, faltará latrina). Ainda esta manhã, cometi mais uma. Não chequei o endereço da reunião de meus dois chefes em outra cidade. Assim, logo cedo, enquanto me preparava para dar uma bela cagada (esta, literal), toca o telefone com minha chefe me dizendo que eu havia feito uma cagada (esta, metafórica). Putz, que merda!! Basta uma nova mancada para nos lembrarmos de tantas outras que cometemos ao longo da vida. Me lembro sempre de quando errei o dia de um exame de Língua Inglesa que vinha da Inglaterra, ou seja, inadiável e sem jeitinho para consertar. Tive que praticamente me ajoelhar na frente da gringa que cuidava do exame para me deixar fazer a prova (desde que eu não contasse para ninguém o que tinha acontecido). Foi mal, muito mal. Os porretes ...

Old Friends

Old friends, Old friends Sat on their park bench Like bookends. A newspaper blown though the grass Falls on the round toes Of the high shoes Of the old friends. Old friends, Winter companions, The old men Lost in their overcoats, Waiting for the sunset. The sounds of the city, Sifting through trees, Settle like dust On the shoulders Of the old friends. Can you imagine us Years from today, Sharing a park bench quietly? How terribly strange To be seventy. Old friends, Memory brushes the same years Silently sharing the same fears Old Friends , de Paul Simon É isto, meus amigos. Podemos não nos encontrar muito, mas tenham certeza que, sem vocês, este mundo seria praticamente intolerável. Obrigado por serem!

O tempo que não volta

Em dias de chuva fecho os olhos e me lembro de quando dei a volta ao redor da Irlanda de mochila. Tá, não foi tão excitante como Tony Hawks mas foi, à minha maneira, muito bacana. Claro, a primeira relação que se pode fazer é de chuva com Irlanda. Afinal, chove pelo menos 300 dias por ano lá, o que ajuda e muito a deixar o país com os infinitos tons de verde que eles têm. Mas me lembro da chuva de quando fiz a caminhada até um lugar chamado Giants Causeway no norte da Irlanda. O dia estava meio estranho, não pendia nem para a chuva nem para o sol. Assim, de mochila nas costas, desci do ônibus em Carrick-a-Rede e comecei a caminhada pela beira do mar até Giants Causeway, 15 km distante. O tempo ameaçou fechar, e coloquei minha capa de chuva. Continuei andando. Daí o tempo abriu, com sol e tudo. Tirei a capa e continuei andando. Mas não era um tempo estável. Logo se via no horizonte o tempo fechando e a nuvem negra, carregada de chuva, chegando. E era muita chuva, ...

Tudo devagar

O começo do ano deveria ser em meio período. Afinal, mesmo que as pessoas queiram trabalhar, metade das pessoas com quem elas devem trabalhar não estão lá. Estão em férias, estão na praia, na montanha, no exterior, em qualquer outro lugar, menos no escritório. Aproveita-se que as escolas estão paradas para viajar ou, quando não há dinheiro, para ficar em casa. Infelizmente, há um pedaço do mundo que esqueceu o que é parar uns momentos. O tal do capital obriga que quase todos os trabalhadores do mundo não parem nunca. Afinal, o mercado exige lucros, os acionistas exigem resultados, alguém (que não se sabe direito quem é) está ali cobrando, desde o primeiro minuto do segundo dia do ano (pelo menos um dia eles são obrigados a conceder) que haja geração de resultados, lucros gordos e fartos para serem distribuídos. Nada contra o lucro. Foi a ausência dele que fez o comunismo ruir. É a presença dele que faz o mundo avançar. Mas a dose poderia ser um pouco menor, a pressa m...

Reflexões

Imagem
Assino uma newsletter do cartunista Doug Savage, um cartunista que desenha uma tira por dia em um post-it, chamado Savage Chikens. No dia 31 ele desenhou este abaixo, sensacional, por resumir o espírito do Ano Novo. Na prática, é isso aí, não muda nada. Temos sempre a esperança de que algo mudará, por mágica. Ou melhor, que tudo mudará. Esquecemos sempre que somos nós que provocamos a mudança e que, se não fizermos nada, nada acontecerá. Exatamente o que mudará, eu não sei. Pelo menos fiz a barba para começar o ano diferente, mudado. E também para ter a sensação concreta que pelos crescem na minha cabeça (não na parte de cima, infelizmente, mas já é algo em que acreditar).