Assincronia
O casal de namorados está parado na esquina se despedindo. Pode não ser um casal de namorados ainda, parecem mais um par que está prestes a se tornar um casal de namorados. Isto porque não estão já se beijando, se abraçando, aquele abraço forte de quem tem a absoluta certeza de que será a última vez em que eles se verão, mas que também traz a absoluta certeza de que eles se verão dali a pouco. Ainda não há esse beijo, esse abraço. Há apenas um encontro de mãos e um cruzamento de olhares. Olhares que revelam desejo, mas que ainda não é concretizado. Eles se despedem com um beijo de um na bochecha de outro. É daqueles beijos que pára no meio do caminho, entre a boca e a bochecha. Um beijo meio tímido, o último que antecede o verdadeiro beijo. Ele fica no meio do caminho e, sem coragem de rumar ao centro da boca, deixa aquele delicioso gosto nos lábios de "quero mais, venha logo", mas que por alguma razão há uma timidez no ar que não deixa o casal concretizar o desejo de ambos....