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Mostrando postagens de novembro, 2011

A salvação pela literatura

Ontem meu amigo Rogério Pereira, fundador do Rascunho e atual diretor da Biblioteca Pública do Paraná, foi ao Graciosa Country Club falar sobre literatura (um parênteses que daria uma outra crônica: Do Pudim ao Graciosa, mas como assim?). Foi muito legal escutar de novo o Pereira falar sobre algo que não parece tão importante para a maior parte das pessoas, mas que é fundamental para sermos seres humanos melhores. No resumo, ler de verdade é escolher ler um livro do qual não precisamos, mas que, depois de lido, nos transforma. Se todos os acadêmicos de literatura pensassem nisso, teríamos menos discussões inúteis e mais conversas legais sobre isso. É fato: ninguém precisa ler Os Irmãos Karamazov, ou Vidas Secas, por exemplo. Mas quem os lê olha o mundo de maneira diferente. E entende os outros humanos um pouco melhor. Ler é roubar um tempo para si próprio, pois o mundo nos enche de tarefas e afazeres que só roubando tempo para nós mesmos é que conseguimos ler. Quase ninguém tem como ...

Privatiza tudo!!

A cada dia avolumam-se as denúncias de corrupção em todos os níveis de governo - municipal, estadual e federal - e em todos os poderes - executivo, legislativo e judiciário. E como os que roubam são parceiros de crime dos que fiscalizam, nada é feito. Por isso quero privatizar tudo!! Tudo mesmo, até o governo. A empresa que ganhasse a licitação, ou as empresas que ganhassem, seriam remuneradas de acordo com a melhora dos índices propostos. Parece complicado, mas é simples. E, garanto, teria muito menos roubalheira que agora. A empresa que ficasse com o sistema de saúde, por exemplo, seria remunerada pelos seguintes índices: ausência de filas para atendimento, exames marcados e realizados em tempo decente, especialistas à disposição, cirurgias sendo feitas quando necessárias, hospitais limpos, laboratórios de análises clínicas adequados etc. "Ah, mas você tá transformando a medicina em mercadoria!" Não, estou querendo remunerar alguém por um serviço bem feito. Hoje, eu pago ...

A dificuldade da modernidade

Os tempos andam complicados. Não há nada simples, nada é fácil de fazer. Desistir parece ser fácil, talvez até seja, mas as consequências são péssimas. Pergunte à família de alguém que desistiu e saberás que tudo depois fica ruim. Andamos vivendo do dilema do botafoguense: você não pode ganhar, você não pode empatar e você não pode nem mesmo largar o jogo. Tem que sofrer os 90 minutos sabendo que a partida está perdida desde o começo. Montar um negócio honesto no Brasil é um inferno. Manter um negócio honesto são dois infernos. Ganhar honestamente são três infernos. E você pode pensar em ir para o exterior, onde é mais fácil fazer negócios. Ir para onde? Os Estados Unidos vão mal, a Europa está prestes a quebrar, na China não deixam entrar, ir para onde? Não há saída, estamos encurralados. Vamos fazendo o que pode ser feito, sem satisfação, apenas por necessidade. Claro, trabalhar com aquilo de que se gosta é uma necessidade nova, nossos avós não tiveram essa chance da modernidade, d...

Sentimentos fascistas

Hoje de madrugada prenderam o Nem. Antes tinham prendido outros asseclas. De vez em quando o rádio diz que, em um confronto com policiais, bandidos flagrados roubando foram mortos. Um ou outro político aparece perdendo o mandato (cena rara, mas que acontece de vez em quando, já que há milhares deles roubando-nos por aí). Em todas as cenas, me dá uma água na boca, a sensação de que o sangue logo virá. É um sentimento fascista, eu sei, querer a morte de quem não se adaptou às regras sociais e de progresso da humanidade. Tento racionalmente combater esse sentimento, rezando para tentar entender que são espíritos desviados, influenciados por outros maus espíritos e que não tiveram, em sua vida, chances de serem acolhidos com amor. Tento ser cristão de verdade, perdoar quem erra. Mas anda difícil Anda difícil pois há muita maldade e sujeira nesse mundo. Falando dos políticos, a faxina da Dona Dilma é só fachada, não varre nada, continua tudo debaixo do tapete, e o que muda é o tapete, não...

Inversão

Já há espaço no mundo para se derrubar os clichês. Ontem, enquanto minha esposa estava sentada em frente à TV, esquentei o jantar, pus a mesa, tirei os pratos, lavei a louça e costurei um emblema no kimono dele. Ao fim, perguntei a ela se ela queria uma cervejinha para acompanhar. Bons tempos!