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Mostrando postagens de 2011

Tempus fugit

Recebo a notícia de que querem tirar o Mercato di San Lorenzo do lugar onde ele está há uns seiscentos anos, pelo menos. Diz o prefeito de Florença que é para dar uma melhorada na praça, valorizar a bela Chiesa di San Lorenzo, que tem sua fachada inacabada pouco vista por conta das barracas dos camelôs que ali trabalham. É uma pena. Ainda ontem eu trabalhei nesse mercado, aprendi a ser gente de verdade ali, longe da barra da saia da mãe, contando apenas comigo e com poucos e bons amigos para dizerem que eu era um cara bacana. Foi ontem, 20 anos atrás. Aí me pego pensando no que eu fiz nesses 20 anos, que passaram rápido demais, e me vem um monte de perguntas. Será que fiz as escolhas certas? Por que estou aqui, agora, fazendo isso que faço? Eu poderia ter percorrido outro caminho, que me levasse a outra profissão, outra cidade, outro país, sei lá, uma outra vida, no fim das contas? E, claro, a pior perg...

Culhões

Terminei meu texto do Rascunho da próxima edição. Como é um artigo grande, pude copiar um trecho do livro para mandar. Tive uma sensação estranha, como se eu tivesse invadido a cabeça do escritor para produzir aquele trecho. Encantei-me com sua precisão, com sua clareza, com seu estilo. Elogiei-o e pensei: "por que não consigo escrever bem assim?" Eu sei porque: faltam-me culhões!!

Mais um passo na direção da cova

Essa era a frase que um ex-chefe meu usava para encerrar o dia de trabalho: "mais um passo na direção da cova". Nada otimista, mas nada tão realista quanto essa frase. Afinal, a vida é uma doença sem cura, inevitavelmente leva à morte todos nós. Por isso, cada dia é mais um na direção da cova, do grande Kabloie, como disse o Calvin (do Haroldo). A grande questão é: o que fazer com todos esses dias que temos antes de irmos pro lado de lá? Sim, evoluir, ajudar o próximo, progredir, cuidar da família, trabalhar, estudar etc... O problema é quando tudo isso deixa de fazer sentido, quando os esforços para resolver os problemas são inúteis e, mesmo quando se resolve um problema, aparecem outros cinco para destrinchar. E o pior: são problemas que não foram gerados por nós. Ou seja, estamos limpando a sujeira alheia porque, de alguma maneira, ela caiu em nosso colo. Deve ser p...

Uma frase

Dia após dia aparecem frases geniais na minha cabeça. Claro, elas não aparecem do nada, são uma construção de uma série de pensamentos em cadeia, normalmente desencontrados, mas que para mim possuem uma lógica insofismável. Assim, começar a pensar nas tarefas do dia leva às pretensões profissionais, que leva a um repensar as escolhas feitas anteriormente, que leva a cogitar nas possibilidades do que teria acontecido se a resposta a determinadas questões fossem outras, que levam a uma viagem que não tem fim e tampouco sentido prático. Do meio dessa confusão, sai uma frase genial. Daí eu fico burilando essa frase, lapidando-a, para que ela possua algum sentido a mais do que aparentemente tem. Isso porque quero escrever algo que faça mais sentido, para mim e para alguém que eventualmente aparecer nesse blog. Pois tenho o desejo de escrever coisas que me façam pensar ou que sejam um resultado de meus pensamentos, em que eu me coloco no papel (virtual) e, uma vez colocado o ponto final, eu...

Natal bissexto

Tenho uma proposta: vamos transferir o Natal para 29 de fevereiro? Estou absolutamente convencido de que seria ótimo para todo mundo, exceto para quem lucra com uma festa que deveria ser de cunho intimista, que levasse as pessoas à reflexão. Há uma razão básica para se transferir o Natal para 29 de fevereiro. Do jeito que é hoje, ele só provoca estresse nas pessoas. Não há um conhecido que não reclame da correria de fim de ano: festas de confraternização profissionais, compromissos familiares, encerramentos aqui e ali e tudo coroado com a inevitável caçada por presentes e lembranças que são obrigatórios em todos os compromissos. As pessoas já reclamam das festas, mas do que elas não gostam mesmo é das compras natalinas. As pessoas também não gostam da comercialização do Natal. Não há mais o tal do espírito natalino, tudo o que restou foi a troca de presentes, que a cada ano devem ser mais sofisticados, caros etc. A festa familiar (tudo bem, já não há mais famílias como havia antigame...

A salvação pela literatura

Ontem meu amigo Rogério Pereira, fundador do Rascunho e atual diretor da Biblioteca Pública do Paraná, foi ao Graciosa Country Club falar sobre literatura (um parênteses que daria uma outra crônica: Do Pudim ao Graciosa, mas como assim?). Foi muito legal escutar de novo o Pereira falar sobre algo que não parece tão importante para a maior parte das pessoas, mas que é fundamental para sermos seres humanos melhores. No resumo, ler de verdade é escolher ler um livro do qual não precisamos, mas que, depois de lido, nos transforma. Se todos os acadêmicos de literatura pensassem nisso, teríamos menos discussões inúteis e mais conversas legais sobre isso. É fato: ninguém precisa ler Os Irmãos Karamazov, ou Vidas Secas, por exemplo. Mas quem os lê olha o mundo de maneira diferente. E entende os outros humanos um pouco melhor. Ler é roubar um tempo para si próprio, pois o mundo nos enche de tarefas e afazeres que só roubando tempo para nós mesmos é que conseguimos ler. Quase ninguém tem como ...

Privatiza tudo!!

A cada dia avolumam-se as denúncias de corrupção em todos os níveis de governo - municipal, estadual e federal - e em todos os poderes - executivo, legislativo e judiciário. E como os que roubam são parceiros de crime dos que fiscalizam, nada é feito. Por isso quero privatizar tudo!! Tudo mesmo, até o governo. A empresa que ganhasse a licitação, ou as empresas que ganhassem, seriam remuneradas de acordo com a melhora dos índices propostos. Parece complicado, mas é simples. E, garanto, teria muito menos roubalheira que agora. A empresa que ficasse com o sistema de saúde, por exemplo, seria remunerada pelos seguintes índices: ausência de filas para atendimento, exames marcados e realizados em tempo decente, especialistas à disposição, cirurgias sendo feitas quando necessárias, hospitais limpos, laboratórios de análises clínicas adequados etc. "Ah, mas você tá transformando a medicina em mercadoria!" Não, estou querendo remunerar alguém por um serviço bem feito. Hoje, eu pago ...

A dificuldade da modernidade

Os tempos andam complicados. Não há nada simples, nada é fácil de fazer. Desistir parece ser fácil, talvez até seja, mas as consequências são péssimas. Pergunte à família de alguém que desistiu e saberás que tudo depois fica ruim. Andamos vivendo do dilema do botafoguense: você não pode ganhar, você não pode empatar e você não pode nem mesmo largar o jogo. Tem que sofrer os 90 minutos sabendo que a partida está perdida desde o começo. Montar um negócio honesto no Brasil é um inferno. Manter um negócio honesto são dois infernos. Ganhar honestamente são três infernos. E você pode pensar em ir para o exterior, onde é mais fácil fazer negócios. Ir para onde? Os Estados Unidos vão mal, a Europa está prestes a quebrar, na China não deixam entrar, ir para onde? Não há saída, estamos encurralados. Vamos fazendo o que pode ser feito, sem satisfação, apenas por necessidade. Claro, trabalhar com aquilo de que se gosta é uma necessidade nova, nossos avós não tiveram essa chance da modernidade, d...

Sentimentos fascistas

Hoje de madrugada prenderam o Nem. Antes tinham prendido outros asseclas. De vez em quando o rádio diz que, em um confronto com policiais, bandidos flagrados roubando foram mortos. Um ou outro político aparece perdendo o mandato (cena rara, mas que acontece de vez em quando, já que há milhares deles roubando-nos por aí). Em todas as cenas, me dá uma água na boca, a sensação de que o sangue logo virá. É um sentimento fascista, eu sei, querer a morte de quem não se adaptou às regras sociais e de progresso da humanidade. Tento racionalmente combater esse sentimento, rezando para tentar entender que são espíritos desviados, influenciados por outros maus espíritos e que não tiveram, em sua vida, chances de serem acolhidos com amor. Tento ser cristão de verdade, perdoar quem erra. Mas anda difícil Anda difícil pois há muita maldade e sujeira nesse mundo. Falando dos políticos, a faxina da Dona Dilma é só fachada, não varre nada, continua tudo debaixo do tapete, e o que muda é o tapete, não...

Inversão

Já há espaço no mundo para se derrubar os clichês. Ontem, enquanto minha esposa estava sentada em frente à TV, esquentei o jantar, pus a mesa, tirei os pratos, lavei a louça e costurei um emblema no kimono dele. Ao fim, perguntei a ela se ela queria uma cervejinha para acompanhar. Bons tempos!

Ansiedade digital

Não são só os jovens que se tornaram ansiosos. Os adultos que trabalham diretamente plugados na internet também. Temos o mundo ao alcance de nossos dedos e queremos, a cada minuto, ter a surpresa boa ou ruim de uma notícia bombástica. Estão fritando mais um ministro no Brasil, dessa vez o dos Esportes. É bem provável que ele caia, mas o ritmo da fritura está lento para quem está ligado na Internet. Quero mais um fato relevante agora!! Quero mais uma denúncia avassaladora já!! Quero uma decisão da presidente nesse instante!! Isso e mais um monte de coisa, tudo para agora, para já, para ser consumido quentíssimo, a única maneira possível (para quem já está viciado) de se consumir notícias. O jornal impresso é lento demais, velho demais, e ultimamente tem um texto cada vez mais parecido com o da Internet. Em vez de valorizar seus pontos fortes, acaba indo buscar no meio concorrente as suas virtudes e procuram copiá-las, o que não dá certo, obviamente. Quero tudo para agora, para já. Qu...

Essa pasmaceira tem uma causa

Ontem a ladra Jaqueline Roriz foi inocentada pelos seus pares, que não viram nada de errado em ela furtar dinheiro público à frente de uma câmera. Claro, o crime aconteceu antes dela virar deputada, logo, a deputada é inocente. Se a pessoa é culpada, a Justiça que julgue. É mais um de milhares de escândalos que pipocam nesse Brasil, que existiam desde sempre, em todos os governos (FHC incluído), mas que agora, depois que Lulla passou a mão na cabeça de mensaleiros, deputados com dólares na cueca e outros mais, parecem se multiplicar a cada dia. E por que nós não fazemos nada para acabar com isso? Por que a população toda não se revolta? Há uma causa, e não é apenas preguiça ou presunção. É dependência mesmo. O economista Eduardo Giannetti fez uma conta simples no último programa Fim de Expediente, na CBN. De acordo com os dados dele, há 40 milhões de pessoas no Brasil de hoje que dependem de um contracheque do governo. São funcionários públicos, concursados ou comissionados, nos três...

Faz tempo

Faz tempo que não venho aqui, e é difícil regressar. Não porque seja difícil escrever, mas porque é difícil romper a inércia. Acostumamos a não fazer nada, a deixar as horas escorrerem pelos dedos sem fazer nada de útil, a ficar lamentando a falta de coragem de tomar uma atitude, e continuamos não fazendo nada. E, quando fazemos algo, o tiro sai pela culatra. Nessas horas, dá vontade de enfiar a cabeça dentro de um buraco e esperar o mundo acabar (em 2012?) e depois ver o que sobrou. Que momento...

A importância de estar bem informado para saber onde investir

Texto publicado no site www.bussoladoinvestidor.com.br em 01/06/2011 Com o aumento da velocidade da economia mundial, estar antenado na economia é condição obrigatória para se ter lucros com seus investimentos Da redação InvestMais Se tem um item que não pode faltar para o investidor na hora de aplicar o seu dinheiro, esse item é informação. É obrigatório para o investidor ler muito sobre os setores que lhe interessam, sobre a economia como um todo, sobre possíveis mudanças nas regras que regem os setores onde ele investe e, se ele disser que não tem tempo para ficar acompanhando tudo, que pelo menos crie uma estratégia de investimentos que o permita acompanhar de vez em quando as empresas onde ele coloca o seu dinheiro. Mas, ficar sem acompanhar, não dá. Veja o exemplo da indústria de celulares (são ações negociadas em seus países de origem, mas dão uma ideia do que pode acontecer caso o investidor não preste atenção). Há uns 15 anos, aproximadamente, o grande nome da indústri...

Problemas na matriz energética chinesa já afetam economia brasileira

(Não gosto de ser catastrofista, mas às vezes é inevitável. Artigo publicado na www.bussoladoinvestidor.com.br em 25/05/2011) Gigante asiático enfrenta escassez de energia e maior seca dos últimos 50 anos e as consequências serão globais Da redação InvestMais Em uma época em que a China é a grande locomotiva da economia mundial, duas notícias recentes sobre o país - uma divulgada ontem pelo New York Times e outra hoje pelo Financial Times – devem colocar o investidor em estado de alerta máximo, principalmente pelas possíveis consequências para a economia brasileira, em um primeiro momento, e para a economia mundial na sequência, essa economia que ainda não se recuperou do baque sofrido em setembro de 2008. A primeira notícia, publicada pelo New York Times, fala sobre a matriz energética chinesa e os conflitos que começam a aparecer entre as empresas geradoras de energia e o governo chinês. Ainda que as empresas sejam controladas pelo estado, elas também têm ações na bolsa de Xa...

Europa joga mais risco nos mercados

Artigo publicado no site GuiaInvest em 23/05/2011 Crise fiscal e consequências políticas nos países europeus deixam o cenário ainda mais instável e imprevisível Da redação InvestMais A semana começa com notícias muito ruins para os investidores, a maior parte delas tendo como origem a Europa e sua crise fiscal. Fica difícil até colocar uma ordem de importância nas notícias desse fim de semana, mas é necessário para o investidor perceber que a situação europeia é um dos principais  drivers  do mercado atualmente, e que enquanto não houver uma saída clara para os problemas europeus, os mercados mundiais andarão de lado. O principal problema dos europeus é a crise fiscal. A Grécia foi o primeiro país a cair, recebeu ajuda da União Europeia, ajuda essa que foi insuficiente para colocar o país nos eixos e agora ela pleiteava um novo empréstimo para poder rolar sua dívida. Pois bem, com a prisão de Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, a negoc...

A economia mundial está emperrada, e quem sofre é a bolsa

Artigo publicado no site www.insidernews.com.br em 20/05/2011 Da redação InvestMais Os mercados amanhecerem hoje com muito medo do que pode acontecer na Europa. Além dos problemas já conhecidos e que não eram poucos - a necessidade da reestruturação da dívida grega (nome bonito para calote), os problemas fiscais de Irlanda e Portugal, as eleições próximas na Espanha e um euro forte na relação com outras moedas – a prisão do agora ex-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss Kahn, complicou tudo. O FMI é peça chave para que a grave situação europeia seja gerenciada de maneira ponderada, e a saída de DSK colocou muita incerteza no cenário e, por consequência, como não há um direcionamento claro para a economia mundial, as bolsas globais têm sofrido, independente do balanço bom das empresas. Para ler a íntegra desse artigo, clique aqui .

O governo atrapalha o investidor - de novo!

Texto publicado no site www.bussoladoinvestidor.com.br em 18/05/2011 Interferência da administração federal prejudica o desempenho das duas maiores empresas da bolsa brasileira - Vale e Petrobras Da redação InvestMais O governo brasileiro (não importa de que partido) considera que todos os cidadãos são incompetentes para gerir o seu dinheiro, que ele deve legislar sobre todos os aspectos da vida (a última piada é a proposta de lei de incluir avisos contra o câncer de próstata em cuecas) e que somente ele sabe o que é melhor para o país. Pouco importa os raros exemplos do passado em que os governantes privatizaram alguma coisa que, logo em seguida, se tornaram empresas de grande sucesso: Vale, Embraer, CSN, Usiminas, as telefônicas etc. O governo sempre estende seus tentáculos de polvo para tentar controlar tudo. Os dois últimos exemplos dizem respeito à Petrobras e a Vale, que juntas representam cerca de um quarto do Ibovespa. São exemplos que deveriam acender todas as luzes de a...

Preconceituoso

Descobri que sou preconceituoso. Desde a edição do novo livro de Gramática Portuguesa, em que "os livro" e outras estultices passaram a ser válidas, descobri que sou um preconceituoso linguístico. É, foi isso que disse a professora que escreveu o livro. Em algumas situações, se você disser "os livro", "dez real" e afins você pode ser discriminado pela maneira como fala. E eu discrimino mesmo. Não suporto um "para mim fazer", odeio um "eu se garanto" e tenho pavor de erros de concordância verbal. Mas também tenho outros preconceitos. Sou um preconceituoso matemático também. Não aguento ver pessoas usando a calculadora para subtrair 49 de 70, ou para somar 12 e 18. Quando vou pagar uma conta qualquer e dou uma nota redonda (10, 20 ou 50) e vejo a pessoa usando a calculadora para saber o quanto me deve de troco, tenho vontade de gritar: "ei, está com preguiça mental?". Sim, sou preconceituoso matemático. E também sou preconceit...

Cuidado com as estrelas corporativas

Concentração de poder na mão de executivos nem sempre é sinal de boa saúde empresarial Texto publicado no site GuiaInvest em 16/05/2011 Da redação InvestMais Ontem o diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi preso em Nova York acusado de abusar sexualmente de uma funcionária do hotel onde estava hospedado. Foi o que bastou para jogar um balde de medo nos mercados financeiros europeus na manhã de segunda-feira. Praticamente todas as bolsas europeias operaram em baixa nesse dia, reflexo do temor de que as negociações de um novo pacote de ajuda para a Grécia sejam prejudicadas. O ponto de análise aqui, porém, não é o reflexo da prisão de Strauss-Kahn, mas sim a importância de uma única pessoa em uma instituição econômica relevante. Uma instituição grande como o FMI não deveria ser tão impactado pela ausência de um de seus integrantes, mesmo que esse seja seu presidente. A grosso modo, deveria existir toda uma diretoria que pensa da mesma mane...

Cenário mundial obriga investidor a ser mais realista que otimista

Artigo publicado no site InsiderNews em 13/05/2011 Da redação InvestMais Faz algum tempo que o investidor, qualquer um e de qualquer porte, não tem um sono tranquilo. A quantidade de acontecimentos de impacto que tem se sucedido tem colocado por terra toda e qualquer previsão a respeito de como estará a economia mundial no curto e no médio prazo. Dentro desse cenário de grande incerteza, qual o caminho que o investidor deve tomar para, em primeiro lugar, proteger o seu capital e, em segundo lugar, conseguir algum lucro? A melhor decisão que o investidor deve tomar é ser realista. Há fatos que não podem ser ignorados em hipótese alguma, como, por exemplo, que há um ciclo inflacionário mundial e que ele deve permanecer com viés de alta por um período relativamente longo, algo como um a dois anos. A inflação mundial é provocada pela alta das commodities - os países emergentes aumentaram o seu nível de consumo, e como a produção mundial não aumentou no mesmo nível, têm-se essa alta gener...

Essa oposição dá raiva...

Quando finalmente a oposição política ao lulopetismo se manifesta, através de um artigo do FHC, a oposição vem para achincalhar. Parece coisa de esquizofrênico, mas não é, é a oposição no Brasil. A oposição faz oposição a ela mesma e, como não quer ser chamada de situação, não existe. Ela queria ser governo, mas não é. E como tem medo de ser o contrário do governo, não é nada. São um bando de idiotas. Em primeiro lugar, o FHC não falou que o "povão" deva ser deixado de lado. Ele foi bem claro ao dizer que esse setor já foi cooptado - principalmente através de esmolas contínuas como o Bolsa Família e o Imposto Sindical, agora válido também para os pelegos das centrais sindicais - e que há um setor desassistido pela classe política: a classe média. Mas os idiotas da oposição não sabem ler os dados do Censo, nem os dados da economia. A classe C é maior que todas as outras. A classe D está melhorando de padrão e mais próxima da classe C do que nunca. Essas são as classes médias...

Tempos modernos

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O Paulinho da Viola é um gênio. Algo escrito há mais de trinta anos continua hiper atual. Lindo.

Ingenuidade ou sinal dos tempos?

O ditador da Tunísia caiu, depois de semanas de protestos. O do Egito também, depois de 18 dias. Hoje tem manifestações no Iêmen (fala Nasser, iemenita que trabalhou comigo!) e em Bahrein. Será que o Facebook, Twitter e outros que tais têm tanto poder? Gostaria de acreditar que sim, que é possível organizar um país a partir do teclado. Mas os governos só caíram pois quem estava atrás do teclado buscava algo mais que uma via de escape para a sua frustração com o seu país. Eles buscavam mudar para ter algum futuro. Por isso foram às ruas, não tinham mais nada a perder, só a ganhar. Poder-se-ia dizer que tinham a vida a perder (como uns 300 perderam no Egito). Mas talvez a alternativa de ficar parado já era uma não-vida. E no Brasil, com tanta corrupção, quase endêmica, por que não acontece nada? Porque continuamos esperando uma boquinha. Nos jornais de hoje está a pesquisa. A maioria da população considera a aposentadoria dos ex-governadores ilegal e imoral, mas mais da metade dos entr...

Ondas

Há semanas em que estou altamente produtivo, otimista, confiante. Há outras em que é o avesso total, improdutivo, pessimista, sem confiança, sem auto-estima. Parece uma gangorra de crianças no parque. Eu mesmo estou dos dois lados da gangorra. E é meio yin-yang: quando estás no ponto alto da parte boa, começas a descer, pois o lado ruim empurrou o chão para subir. E vice-versa. Não há equilíbrio possível, a gangorra não para no meio. Subir e descer, subir e descer até morrer. P.S. Gangorra, masmorra, gangorra, gangrena. Só palavra feia...

Novos problemas

Uma das frases dos detratores da informática é que ela veio para resolver problemas que não existiam. Será que isso pode acontecer na medicina também? Há cem anos não havia praticamente nenhum dos exames que existem hoje. Tomografia computadorizada, cintilografia, qualquer um que use radiação (raio-x acho que já tinha), nada aparecia. Provavelmente as pessoas morriam de algo que ninguém sabia que existia. Tem gente que tem medo de ir ao médico com o seguinte argumento: se eu for, ele vai dizer que estou doente. Talvez a ignorância seja a companheira da felicidade. Não saber nada ou adotar a política do quanto menos melhor poderia ser útil mesmo. Algum poeta ou escritor disse que não era mais possível ser feliz depois de Auschwitz. Ele tem razão. Como ser feliz com os deslizamentos de terra no Rio, a barbárie de cada dia nas periferias, os desmandos dos políticos, a roubalheira, a falta de caráter da população como um todo? Talvez seja melhor não cutucar nada mesmo. Tá doendo? Espera ...

Constituição Brasileira

Art. 397 - É facultado ao papai de qualquer garota bonita praticar tiro ao alvo nos pretendentes de sua filha, não importando a idade dela nem se o pretendente for bonito, feio, alto, baixo, rico, pobre ou o que for.

Envelhecer

Envelhecer é ter mais responsabilidades, e cada responsabilidade a mais é mais importante que as anteriores. Antes a maior responsabilidade era manter o quarto limpo e os brinquedos inteiros (não intactos, isso seria responsabilidade demais). Depois passamos a cuidar do dinheiro da mesada. Mais à frente, a responsabilidade por manter um namoro vivo era nossa. Aos 18, no máximo, a responsabilidade de devolver o carro dos pais inteiro. Na vida adulta, tornamo-nos responsáveis por uma infinidade de coisas. Os impostos, o bem estar da esposa (ou do marido) e dos filhos, dos pais, dos irmãos, do resultado individual, coletivo e de toda a empresa, de tudo. Cada nova responsabilidade vem um pouco maior e mais pesada. Somos responsáveis pela nossa saúde, pois o corpo já não tolera mais os excessos de qualquer espécie - de sol, de chuva, de esforço físico, de comida, de bebida, de falta de esforço físico. Somos responsáveis pelo planeta, pois sabemos o que o destrói e o que não, e temos que cu...

Causas naturais?

A chuva destrói o sudeste do Brasil. A imprensa e o governo chamam de desastres por causas naturais. Mas não há nada natural nesses desastres. Nós fomos lá, subimos os morros sem permissão, invadimos terrenos perigosos, construímos casas de qualquer jeito, derrubamos as árvores pois dizíamos que elas incomodavam, davam sombra, impediam as crianças de brincar, correr no gramado, enfim, fomos nós, humanos, que destruímos o que lá estava. Depois de destruir tudo, começamos a jogar nosso lixo em qualquer canto e nosso esgoto nos rios, sem tratá-los. Antes as árvores seguravam a terra, agora não mais, ela vai toda pros rios. E os rios ficam um pouco mais sólidos porque têm lixo. Daí chove, o rio sai de seu curso, e a natureza é a culpada? Nós somos os culpados dessa desgraceira, e ainda não fazemos nada. Dá muita, mas muita vontade de que o Nifrak Altaim esteja certo, de que em 2012 os tarkanianos venham e dizimem três quartos da humanidade, justamente os três quartos que não preservam a ...

Tenho muitos tenhos

Tenho só uma vida, mas uma vida só é pouco para o que tenho. Leio uma reportagem sobre a turnê europeia da Osesp, tenho vontade de virar músico, tocar algum instrumento, subir ao palco para alegrar a turma. Vejo a nova foto do universo, a maior jamais feita, e tenho vontade de ser astrônomo, estudar o espaço, imaginar mundos, descobrir novos. Leio sobre um matemático que quer unir a teoria da relatividade geral com a física quântica, unir o grande e o pequeno, e tenho vontade de ser matemático, físico ou ambos. Vejo a TV com jornalistas experimentando comidas exóticas, falando de festas populares em vilarejos desconhecidos, descobrindo pessoas em lugares distantes, cobrindo guerras, e tenho ganas de ser jornalista de novo, mas bem jovem, com disposição para por a mochila nas costas e ser mandado até o meio do Afeganistão, se for o caso. Tenho vontade de abrir um bar, ou um restaurante, ou uma pousada, ou tudo junto, tenho. Tenho vontade de escrever mais, de trabalhar menos, de traba...

Saudades da infância?

As pessoas recriam suas infâncias na vida adulta, tornam-na o momento mais feliz de suas vidas. É feliz porque não volta mais. Na infância não temos liberdade, somos vigiados constantemente. Podemos fazer aquilo que nossos pais mandam, vestimos o que nos ordenam (mesmo que esperneemos, a gola rolê da blusa cacharrel lá estará nos protegendo de tudo), ganhamos o que nos dão, eventualmente o que pedimos, temos hora para dormir, hora para acordar, enfim, tudo são ordens. A liberdade das brincadeiras está na mente, é mais ilusão que verdade. A infância é um território de restrições, nunca de liberdade. A vida adulta é bem melhor. Talvez só queiramos que a infância seja a melhor fase pois não tínhamos responsabilidade de nada, e por isso temos saudade dessa época.

Em busca de novos desafios

Toda vez que uma pessoa pede demissão do mundo corporativo, ela manda um mail padrão para seus colegas (logo ex-colegas) de trabalho: "Valeu pelo tempo passado juntos, vou em busca de novos desafios". Hoje, com o LinkedIn, você pode até acompanhar a trajetória profissional da pessoa, e de tempos em tempos aparecerá um "vou em busca de novos desafios". Quem é mandando embora não tem muito tempo de mandar esse mail, pois precisa catar suas coisas e cair fora logo, o segurança está de olho, com medo de que você roube algum segredo corporativo. Bom, o fato é que o trabalho não acontenta muita gente. Tá todo mundo meio que de olho em novos desafios (na prática, acho que estão de olho mesmo é em um salário maior) e, na primeira chance que der, se a próxima empresa for um tiquinho melhor que a atual, ela troca de barco. Não são os desafios que motivam a maior parte das p...

Correria sem fim

A cada dia aparece um novo aparelho tecnológico, muito mais avançado que o anterior. Você ainda não conseguiu explorar 30% do que o antigo fazia, mas já se vê compelido a comprar um novo. O seu monitor tinha 15 polegadas, mas por alguma razão você acha que precisa comprar um de 23. Sua TV tinha 38, agora PRECISA ter no mínimo 45, ser HDTV, surround sound, HDMI etc e tal, uma sopa de letrinhas sem fim. Melhor nem falar de celulares e computadores, as novidades são semanais. Comprar, comprar, comprar, é só isso que fazemos. Comida já não é mais necessário, ninguém mais quer plantar ou trabalhar plantando ou criando animais. O lance é produtos de consumo. Compra-se para movimentar uma máquina perversa e sem sentido, pois a maior parte da humanidade (aquela que não morre de fome, é claro) só pensa no próximo item de consumo que terá em casa. Tem algo errado aí, a existência não deve ser apenas para se ter mais coisas, mais, mais... Dá quase vontade de que algo grande e catastrófico realm...

Dileminha

Aprender é legal. Aprender a fazer o papel de malvado não é legal. Aprender coisas novas é legal. Aprender a fazer coisas que você não gostaria de fazer não é legal. Aprender é gostoso. Aprender a fazer algo de que não se gosta não é tão legal. Dizem que aprender é garantia de vida longa. Mas, se for para aprender o que tenho que aprender, dá vontade às vezes de que a vida seja mais breve.

500 conexões, e quase nenhuma que presta

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(Imagem publicada originalmente no blog R andom Insights into Oracle) Está em quase todos os jornais. O homem do futuro terá mais de 500 conexões pessoais, graças à tecnologia. Com os Facebook, Twitter e afins, não precisaremos mais nos afastar em definitivo de nossos antigos colegas de trabalho ou de escola. De alguma maneira, aquela turma estará sempre conectada. 500 pessoas é um número grande pra caramba, normalmente só promoters e figurinhas da sociedade conseguem fazer uma festa para mais de 100 convidados sabendo o nome de todos eles. Mas será assim, cada um com 500 conexões pessoais. Veja que dizem conexões pessoais, não amigos. Pois amigo é algo bem, mas bem diferente. Bem contado, cada ser humano tem no máximo cinco amigos. Não dá para ter mais. Não há como compartilhar a sua intimidade mais profunda com mais de cinco pessoas, sob o risco de você se tornar uma fraude completa. Ninguém gosta de escancarar a sua intimidade para o mundo, a não ser os doentes mentais que necess...

A difícil tarefa de escrever

Gostaria de poder escrever mais, sem tantos medos ou sem tantas cobranças de escrever sempre algo interessante. Parece que, quando a tela em branco se apresenta para eu escrever algo para mim mesmo, travo. Quero pensar em um grande tema, fazer uma reflexão profunda sobre a humanidade ou suas formas de agir e pensar, nunca é algo comezinho, alguma coisa do cotidiano. Mesmo quando olho para o cotidiano, quero achar o momento poético, aquele lado do dia-a-dia que tem um quê de romance, literatura, arte ou música. O rame-rame não serve. Não serve porque não acho legal ficar entulhando o espaço de quem eventualmente me lerá com detalhes insignificantes, como a maior parte do que está nessa internet que virou uma janela da privacidade da maior parte de seus cyber habitantes. Quem quer saber que eu levei a calopsita ao veterinário hoje? Ou que fui fazer algo que já quase não se faz mais, que é mandar consertar algo, em vez de comprar um novo? Quem quer saber se dormi bem ou mal, além de mim ...