Crônica da fé ou da falta dela

Segundo o texto bíblico, Moisés separou as águas do Mar Vermelho para que os hebreus conseguissem fugir do faraó. Mas não há no relato passado de boca em boca até chegar ao escriba uma descrição dos sentimentos do povo de Israel que escapava do cativeiro egípcio. Será que tinham medo de que as águas caíssem sobre eles no meio da passagem, caso eles fraquejassem em sua fé? Será que temiam que um ou outro soldado do faraó conseguiria alcançá-los? Afinal, eles estavam confiando apenas e tão somente em Moisés, e este, por sua vez, acreditava piamente que Deus estava no comando.

Hoje em dia as paredes do mar são outras. É o receio de não ter dinheiro para pagar as contas, de ser prensado no trânsito quando você está de moto ou bicicleta, de o coração parar de bater repentinamente, apesar de todos os exames. Caminhamos diariamente entre vários perigos, alguns reais, outros imaginários (mas muito verdadeiros na cabeça de quem os sente) e precisamos de fé, muita fé e determinação, para seguir caminhando.

A fé é humana, porém, e o homem fraqueja. Tememos o desconhecido, temos medo do conhecido, receamos cada momento e, dependendo do dia, até dar um passo se torna uma tarefa enorme. Caminhar para quê, para onde, por quê? Pode ser que ali à frente tudo seja melhor. Mas mesmo os hebreus passaram 40 anos no deserto após a fuga. Será que precisaremos esperar tanto tempo assim?

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