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Mostrando postagens de março, 2006

Mijada

Neste mundo em que todos cobram algo de alguém, levar uma mijada de uma guardadora de carros é dose. No entanto, foi o que aconteceu quinta passada. Fui ao bar/distribuidora comprar umas birras artesanais para dar de presente a um colega. Em frente ao bar há um laboratório médico com um estacionamento que à noite pode ser usado pelos bebedores. Entrei no estacionamento e notei uma figura mais parecida com um espantalho à entrada do restaurante: uma camiseta quatro números maior que ela, cabelos brancos à moda vassoura piaçava, cobertos por um boné azul, uma calça de moletom e chinelo de dedo. Vale dizer que um mês antes não havia ninguém "guardando" carros ali. Bom, encostei o carro, e a senhora veio com a frase tradicional "Dá uma olhadinha ali, chefe?", frase que omite o "vou" da frente, deixando o sujeito em dúvida sobre quem vai dar uma olhadinha. Entrei no bar, levei uns cinco minutos ali, e retornei ao carro com duas caixinhas de cerveja nas mãos. De...

Dialética

Ontem dediquei-me a ler a entrevista que o Lula deu à The Economist . Meu, quando você consegue ler um pouco além da entrelinha, você percebe que está sendo enganado pelo entrevistado desde a primeira resposta. Por exemplo, Lula, ao ser perguntado sobre a crise na Previdência Social, retrucou que todos os países do mundo, mesmo os ricos, têm problemas com a Previdência Social. Tá, e daí? O cara perguntou sobre o Brasil, e não sobre o resto do mundo. Outro exemplo. O repórter tava fazendo uma pergunta sobre o dinheiro investido em educação, e o Lula fala de uma Olimpíada de Matemática que junto 10,5 milhões de alunos, em que se encontraram 30 mil gênios no segmento. E a ênfase foi no ganhador, um aluno cego, mudo e paraplégico que começou a estudar aos 10 anos. Fantástico, o governo já sabe achar os gênios. E o que fazer para que esses gênios produzam e explorem todo o seu potencial? Isso, que é o mais importante, o Lula não disse nada. Estes são exemplos concretos. A sutileza está no r...