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Mostrando postagens de dezembro, 2011

Tempus fugit

Recebo a notícia de que querem tirar o Mercato di San Lorenzo do lugar onde ele está há uns seiscentos anos, pelo menos. Diz o prefeito de Florença que é para dar uma melhorada na praça, valorizar a bela Chiesa di San Lorenzo, que tem sua fachada inacabada pouco vista por conta das barracas dos camelôs que ali trabalham. É uma pena. Ainda ontem eu trabalhei nesse mercado, aprendi a ser gente de verdade ali, longe da barra da saia da mãe, contando apenas comigo e com poucos e bons amigos para dizerem que eu era um cara bacana. Foi ontem, 20 anos atrás. Aí me pego pensando no que eu fiz nesses 20 anos, que passaram rápido demais, e me vem um monte de perguntas. Será que fiz as escolhas certas? Por que estou aqui, agora, fazendo isso que faço? Eu poderia ter percorrido outro caminho, que me levasse a outra profissão, outra cidade, outro país, sei lá, uma outra vida, no fim das contas? E, claro, a pior perg...

Culhões

Terminei meu texto do Rascunho da próxima edição. Como é um artigo grande, pude copiar um trecho do livro para mandar. Tive uma sensação estranha, como se eu tivesse invadido a cabeça do escritor para produzir aquele trecho. Encantei-me com sua precisão, com sua clareza, com seu estilo. Elogiei-o e pensei: "por que não consigo escrever bem assim?" Eu sei porque: faltam-me culhões!!

Mais um passo na direção da cova

Essa era a frase que um ex-chefe meu usava para encerrar o dia de trabalho: "mais um passo na direção da cova". Nada otimista, mas nada tão realista quanto essa frase. Afinal, a vida é uma doença sem cura, inevitavelmente leva à morte todos nós. Por isso, cada dia é mais um na direção da cova, do grande Kabloie, como disse o Calvin (do Haroldo). A grande questão é: o que fazer com todos esses dias que temos antes de irmos pro lado de lá? Sim, evoluir, ajudar o próximo, progredir, cuidar da família, trabalhar, estudar etc... O problema é quando tudo isso deixa de fazer sentido, quando os esforços para resolver os problemas são inúteis e, mesmo quando se resolve um problema, aparecem outros cinco para destrinchar. E o pior: são problemas que não foram gerados por nós. Ou seja, estamos limpando a sujeira alheia porque, de alguma maneira, ela caiu em nosso colo. Deve ser p...

Uma frase

Dia após dia aparecem frases geniais na minha cabeça. Claro, elas não aparecem do nada, são uma construção de uma série de pensamentos em cadeia, normalmente desencontrados, mas que para mim possuem uma lógica insofismável. Assim, começar a pensar nas tarefas do dia leva às pretensões profissionais, que leva a um repensar as escolhas feitas anteriormente, que leva a cogitar nas possibilidades do que teria acontecido se a resposta a determinadas questões fossem outras, que levam a uma viagem que não tem fim e tampouco sentido prático. Do meio dessa confusão, sai uma frase genial. Daí eu fico burilando essa frase, lapidando-a, para que ela possua algum sentido a mais do que aparentemente tem. Isso porque quero escrever algo que faça mais sentido, para mim e para alguém que eventualmente aparecer nesse blog. Pois tenho o desejo de escrever coisas que me façam pensar ou que sejam um resultado de meus pensamentos, em que eu me coloco no papel (virtual) e, uma vez colocado o ponto final, eu...

Natal bissexto

Tenho uma proposta: vamos transferir o Natal para 29 de fevereiro? Estou absolutamente convencido de que seria ótimo para todo mundo, exceto para quem lucra com uma festa que deveria ser de cunho intimista, que levasse as pessoas à reflexão. Há uma razão básica para se transferir o Natal para 29 de fevereiro. Do jeito que é hoje, ele só provoca estresse nas pessoas. Não há um conhecido que não reclame da correria de fim de ano: festas de confraternização profissionais, compromissos familiares, encerramentos aqui e ali e tudo coroado com a inevitável caçada por presentes e lembranças que são obrigatórios em todos os compromissos. As pessoas já reclamam das festas, mas do que elas não gostam mesmo é das compras natalinas. As pessoas também não gostam da comercialização do Natal. Não há mais o tal do espírito natalino, tudo o que restou foi a troca de presentes, que a cada ano devem ser mais sofisticados, caros etc. A festa familiar (tudo bem, já não há mais famílias como havia antigame...