Crônica da fuga
Na mesa de trabalho, duas telas deveriam chamar mais a atenção que o livro que está fechado ao lado. Uma briga se desenrola no cérebro: o dever imediato e o prazer imediato. O dever manda checar os indicadores, ver o saldo dos clientes, buscar aplicações, oferecer produtos etc. O prazer manda você mandar tudo à pqp e abrir o livro e continuar a leitura. O mundo está descaralhando mesmo, de que adianta ficar de olho em duas telas, quando há um mundo alternativo muito mais atraente? A cada instante, uma nova rota de fuga da realidade se abre. É o livro, pode ser uma HQ, ou então um filme, ou mesmo um parque. Em alguns casos, o algoritmo até parece conspirar junto com o seu cérebro. Na tela, pipoca uma nova trilha por montanhas conhecidas e não, ou uma prova à beira mar com baleias e o convite para correr 42 km (e nessa hora as panturrilhas gritam pra quê???), ou uma ciclovia sensacional em algum lugar do mundo. Ao telefone, o primo liga. Mais exatamente, o filho da prima. Ele quer...