Crônica ao léu
Acordo com o barulho do alarme do celular, penso que mais dez minutos não afetarão o mundo, aperto o botão disso, e viro pro lado. Em um segundo depois, o alarme toca de novo e daí, da realidade não dá para escapar. Joga as pernas para fora da cama, tira a roupa que serve de pijama e se veste a armadura do dia, e vamos pra cozinha fazer o café. Por que será que não reclamamos muito do cardápio estático dos cafés da manhã? Por mais que tentemos, o cardápio possível permanece. Mas talvez, apenas talvez, o cardápio é limitado, e restrito a liberalidades. Então, fica a opção frutas com iogurte ou feijão com bacon. Seguimos. Trinta minutos depois, essas dúvidas existenciais sobre o que comer no café da manhã desaparecem, e vem as nossas dúvidas, e talvez em uma ordem de prioridade na cabeça: “boletos, contas futuras, preciso trocar de carro/moto/terno/saia/calçado, aposentadoria, e aquele livro que eu vou escrever”. A realidade vem como um tsunami, e o sonho, lá no fim da lista de coisa...