Crônica da falta de visão
O corpo acorda antes do despertador, pois a cabeça não é que parou de pensar durante a noite. Já é quase um ritual, desligar o alarme do celular e dizer ao aparelho: “pode descansar, deixa que eu trabalho”. Falar com um objeto inanimado pode parecer estranho, mas a solidão é companheira a tanto tempo que faz sentido. O estômago ronca, o café da manhã desce e o estômago continua roncando. Não há alimento que sacie o vazio provocado pelos pensamentos intrusivos da noite. “Será que vai dar ruim? Vou ter que procurar outro lugar para trabalhar? De novo? Logo agora que parecia dar certo?”. Mas a pergunta que realmente pega é: “o que você quer mesmo?” E para essa, parece não haver resposta. O corpo segue faminto, a cabeça latejando, uma sensação de algo explodirá em breve. Pode ser apenas uma mente que não consegue enxergar as perspectivas boas, apenas as partes ruins e sofridas. E assim, adiando as decisões do que o coração pede pois há uma demanda que o bolso quer (e que não é import...