Crônica do espanto sartriano
Exercer a liberdade absoluta a que estamos condenados, como disse o Sartre, pode espantar as pessoas. Somos tão acostumados a julgar os outros pelas suas atitudes que, quando nós tomamos decisões que fogem ao que o outro espera de nós, provocamos o espanto . “Como assim, você quer ser vendedor de tintas?” “O que, vai trocar o certo pelo duvidoso, você que é tão inteligente?” E por aí vai o espanto alheio. Ninguém pergunta a você o que você quer, a pessoa supõe que sabe o que você quer e se a informação não se casar com a pressuposição, vem o espanto. Uma explicação possível é que, por mais amigos, por mais íntima que seja uma relação, somos sempre estranhos ao outro. Conhecemos o outro bem, talvez muito bem, mas não compartilhamos a nossa intimidade mais profunda, estamos sempre com uma ou mais camadas de proteção. Temos medo de nos expor exatamente como somos, ou melhor, o que queremos, e esse desconhecimento por parte do outro é a razão do espanto. É quando decidimos tornar conh...