Crônica da inveja das pequenas coisas
Hoje pela manhã, no elevador, encontro com os pedreiros que estão fazendo a reforma do oitavo andar. Gente simples, tranquila, que na sexta de manhã já estão fazendo grandes planos para o fim de semana. Um deles diz que já está na geladeira o fardo de brahmas junto com uma carne e que a churrasqueirinha de tambor já está limpa. O seu colega responde: “maravilha!” e saem do elevador sorrindo pegar mais uns sacos de cimento. Tenho inveja dessa calma. No caminho para o escritório, passo em frente a um café. Uma mesa na calçada está ocupada com quatro jovens, cada um com seu refri e um salgado à mão. Todos sorriem. Ninguém está preocupado com um sapato de grife ou uma camisa de marca. Presto mais atenção e vejo o crachá de uma empresa de telemarketing pendurado em seus pescoços. Não sei se eles moram com seus pais, provavelmente sim. Mesmo assim, o pouco salário deles basta para o que eles querem comprar ou gastar no fim de semana. E tenho inveja dessa idade e desse tempo. Em outro ...