Crônica da desconexão necessária

Feriado prolongado, mochila nas costas rumo a um sítio perto da cidade e ao mesmo tempo longe de tudo. Lá não há sinal de celular, só um wi-fi rural para ser utilizado caso aconteça uma emergência daquelas que precisa de contato com o mundo. Para alguns, pode ser apenas mais uma atividade escoteira. Mas para quem está estressado com tudo, pode ser uma oportunidade de se conectar com o que realmente importa.

Longe da sede do sítio, internet é uma lembrança remota, o celular vira máquina fotográfica e relógio e nada mais. Ao longo dos dias, os problemas se resumem a saber se a comida está pronta, se todos querem tomar banho de rio de novo ou não, se as próximas atividades já estão programadas. Quando acontece alguma treta entre os escoteiros, a mais grave é um deles não querer ir buscar água, que é realmente longe do local do campo. Quem dera todas as tretas da vida fossem assim fáceis de serem resolvidas.

Assim, a cabeça desanuvia, o medo do futuro e as desgraceiras do cotidiano são deixados de lado e o corpo fica leve junto com a cabeça. O barulho do rio correndo atrás da barraca ajuda a lavar os pensamentos e a os levar para longe. Nada de ruim pode me alcançar (nada de bom também, mas não espero notícias no fim de semana), pelo menos naqueles instantes. Dá até medo de voltar à realidade. Se pelo menos fosse possível jogar o celular no primeiro bueiro.

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