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Mijada

Neste mundo em que todos cobram algo de alguém, levar uma mijada de uma guardadora de carros é dose. No entanto, foi o que aconteceu quinta passada. Fui ao bar/distribuidora comprar umas birras artesanais para dar de presente a um colega. Em frente ao bar há um laboratório médico com um estacionamento que à noite pode ser usado pelos bebedores. Entrei no estacionamento e notei uma figura mais parecida com um espantalho à entrada do restaurante: uma camiseta quatro números maior que ela, cabelos brancos à moda vassoura piaçava, cobertos por um boné azul, uma calça de moletom e chinelo de dedo. Vale dizer que um mês antes não havia ninguém "guardando" carros ali. Bom, encostei o carro, e a senhora veio com a frase tradicional "Dá uma olhadinha ali, chefe?", frase que omite o "vou" da frente, deixando o sujeito em dúvida sobre quem vai dar uma olhadinha. Entrei no bar, levei uns cinco minutos ali, e retornei ao carro com duas caixinhas de cerveja nas mãos. De...

Dialética

Ontem dediquei-me a ler a entrevista que o Lula deu à The Economist . Meu, quando você consegue ler um pouco além da entrelinha, você percebe que está sendo enganado pelo entrevistado desde a primeira resposta. Por exemplo, Lula, ao ser perguntado sobre a crise na Previdência Social, retrucou que todos os países do mundo, mesmo os ricos, têm problemas com a Previdência Social. Tá, e daí? O cara perguntou sobre o Brasil, e não sobre o resto do mundo. Outro exemplo. O repórter tava fazendo uma pergunta sobre o dinheiro investido em educação, e o Lula fala de uma Olimpíada de Matemática que junto 10,5 milhões de alunos, em que se encontraram 30 mil gênios no segmento. E a ênfase foi no ganhador, um aluno cego, mudo e paraplégico que começou a estudar aos 10 anos. Fantástico, o governo já sabe achar os gênios. E o que fazer para que esses gênios produzam e explorem todo o seu potencial? Isso, que é o mais importante, o Lula não disse nada. Estes são exemplos concretos. A sutileza está no r...

Perturbador

O último filme do Woody Allen merece no mínimo este adjetivo: perturbador. Além de ser um pusta filme, ele te deixa incomodado, ele te faz pensar, ele mexe com as tuas crenças e com a tua visão do mundo. Não é um filme comum do Woody Allen. É um drama. E um pusta drama, em nenhum momento temos a certeza do que acontecerá, tão bem escrito é o filme e tantas reviravoltas ele dá (agora me lembrei que em um momento o personagem principal do filme toma uma atitude que não parecia pensada até então, algo totalmente imprevisto, e uma professora de Creative Writing minha me disse que tal reviravolta era um ponto fraco em um conto meu, pois nada indicava que aquilo aconteceria. Bom, se o Woody Allen fez, por que não eu?), retomando, tantas reviravoltas ele dá que é impossível adivinhar o seguimento dele. E por que ele é perturbador? Porque ele mexe com a questão da moralidade, ou melhor, da amoralidade. Do que um homem (ou uma mulher) é capaz para manter o seu bem estar físico e material? Que ...

Universos paralelos

Ponha um livro de física quântica junto com o Senhor dos Anéis e temos mostras de quão imaginativa pode ser a mente humana. A física quântica tenta explicar que temos entre 10 e 11 dimensões no nosso universo atual, sendo que vemos ou sentimos apenas quatro, e aprendemos que existem “n” histórias possíveis para todos, mas escolhemos aquela que nos dá a chance de perguntar qual história é mais plausível. Assim, poderíamos ter duplos ou triplos de nós mesmos andando pelo universo, estatisticamente falando (não que tenha acontecido de verdade). A relação com o Senhor dos Anéis, a trilogia do Tolkien, é meio difícil de explicar. Afinal, o cara inventou da cabeça dele um universo grande, enorme, complexo, longo, com muitos anos e com centenas de personagens importantes. Fiquei imaginando a cabeça dele fervilhando de idéias e saindo anões, elfos, hobbits e magos, criaturas sem fim que os filmes ajudaram a visualizar. São universos paralelos, que podem muito bem existir...

Comunidade fechada

Ontem, no grupo de estudos a que freqüento, um senhor contou uma grande lição de moral que teve no seu primeiro emprego. Ele falou de um senhor que deixava as suas coisas sempre destrancadas no ambiente de trabalho, seguro de que não seria roubado. Seu ponto de vista era que aquela era uma comunidade fechada e que dentro dela não haveria como um roubo passar despercebido. Claro que todos falaram que isso é impossível no mundo atual, pois somos seis bilhões de pessoas, com grandes desigualdades sociais, com ganância, inveja e cobiça. Tudo isso praticamente nos obriga a viver trancados ou trancafiados para garantirmos o nosso patrimônio. Esquecemos que a Terra é uma comunidade fechada. Tá, são seis bilhões de habitantes, mas qual é a saída da Terra? (mesmo que você acredite em vida após a morte, o que está lá é fora da comunidade) Vivemos numa comunidade fechada de seis bilhões de pessoas, e seria muito bom poder deixar tudo livre por aí e destrancado pois saberíamos que seríamos respeit...

Precoce

Sábado de manhã, sete e meia. Terminal de ônibus meio vazio, poucas pessoas indo para o trabalho. Uma mãe com suas três filhas sobe ao ônibus. A mais velha deve ter cerca de 10 anos, a segunda tem entre quatro e cinco, a mais novinha não passará de dois anos. Sobem as quatro e se sentam, o ônibus não está cheio. Começa a viagem. E é uma viagem, uma hora e quinze entre o ponto inicial e o final. As crianças vão calmas, levam na mão um pastel cada, a do meio sorri, a mais velha não, a pequena tem os olhos arregalados, parece não se mexer, o pastel meio comido à mão. Pouco depois de 20 minutos, a mãe desce do ônibus. Vai trabalhar. A irmã mais velha, de repente, sobe ao posto de responsável pelas irmãzinhas. Tão cedo e já tanta responsabilidade. Ela sorri, dá tchau pra mãe, segura a irmãzinha menor que se senta entre as duas irmãs. E continuam a viagem. Asfalto ruim, o ônibus sacoleja bastante. Subidas e descidas, as pequenas até que se divertem, acham bacana o ritmo de montanh...

Um pouco de conversa séria

Nos últimos tempo eu tenho evitado a conversa séria. Sei lá, vontade de dar uma pausa na atividade cerebral e ficar concentrado apenas nas besteiras que assolam o planeta. Mas hoje retomamos um pouco a seriedade. Não apenas porque o Hamas ganhou na Palestina - afinal, esse é também um referendo "Você acha que os homens-bomba funcionam?" - mas por uma discussão (amigável) com uma colega de trabalho. Começou com uma discussão amigável com uma colega de trabalho a respeito da eleição do Evo Morales na Bolívia. Ela, uma direitista de carteirinha, se perguntava onde o mundo ia parar. Eu falei que essa era uma reação. O comunismo não deu certo, o capitalismo está aí mas os povos não são mais felizes - pelo contrário, aumentam as incertezas todo o dia, ninguém dorme tranqüilo com medo de perder o emprego pois logo vem uma reengenharia - e as sociais democracias também não conseguem trazer prosperidade espiritual para seus povos. Restou o quê? Tentar o socialismo (e não me encha o sa...

Falta de assunto

Na boa, tava pensando em atualizar o blog e fui atrás de umas idéias para reciclar a cabeça, já que não conseguia ter nenhuma original. E daí cai nessa crônica do Tutty Vasques, no " No Mínimo ": A falta de assunto conjugada à quantidade absurda de cronistas em atividade no país tem provocado cenas hilárias no convívio dessa gente – ô, raça! São dezenas, centenas, milhares de páginas em branco à procura de histórias para o fechamento da próxima coluna de cada um. Um troço engraçado, uma novidade, um personagem, um absurdo, boas e más notícias, um passeio, uma mulher, um prato de comida, qualquer coisa pode virar crônica e, ainda assim, a oferta de assuntos é insuficiente para atender à demanda dos colunistas, coitados! Não raro quando se encontram, se um conta uma história, dia seguinte ela vira tema da coluna do outro. É por isso que o talentoso Joaquim Ferreira dos Santos quase não fala fora da redação do “Globo”. Quando fala, fala baixinho para ninguém ouvir. Ficou assim d...

Recomeço lento

Todo reinício de ano parece ser um pouco lento. Todas aquelas boas intenções do Ano Novo ficam meio que engavetadas em alguma gaveta do cérebro, esperando o momento certo de reaparecer (infelizmente, a maioria delas parece voltar apenas no fim do ano, quando se tornarão novamente intenções para o próximo). Assim, você parece perceber que o mundo está meio que se acomodando ao Novo Ano. As coisas acontecem, mas com uma velocidade menor. Decisões são tomadas, mas poucas, muito poucas, realmente importantes. É como se disséssemos "não adianta fazer nada, até o Carnaval nada funciona mesmo". E assim, deixamos o Ano Novo de trabalho para março. Nada parece ser urgente nessa entresafra de feriados (e o termo é entresafra mesmo, esperamos sempre o próximo feriadão, e desta vez com mais ansiedade, pois não houve feriadão de Natal ou Ano Novo). Eu tentei fugir da regra, e tomei uma decisão. Decidi não decidir nada até o Carnaval. Pronto, assim me livro do constrangimento de ter que ad...

Balango

Putz, acabou o ano mais rápido de minha vida!! Ele mal começou e já está aí, nos seus estertores, declarando findos os seus trabalhos. Hora de fazer um balango do que passou e projetar algo para o ano que vem. O que passou? Mudei de profissão, casei, mudei de casa e ganhei dois filhos. Só não viajei para o exterior, mas finalmente conheci a Ilha do Mel, o único lugar onde o Paraná tem praias, e não litoral, que fica ridiculamente perto de onde moro, e para onde nunca tinha ido. O resumo é esse, tem bastante recheio, mas ele importa só para mim, para quem lê ele pareceria sem graça. O que acontecerá ano que vem? Sei lá, não tô nem um pouco preocupado com isso. Esse ano começou sem expectativas e terminou como terminou. Então, para o ano que vem, o único projeto é dar duro para ser feliz. E o que vier é lucro. FELIZ ANO NOVO!!!

Novos bárbaros

O termo bárbaro vem dos romanos e significa aqueles que moravam além dos confins do Império, um estrangeiro. Como eles tinham costumes diferentes dos romanos e os romanos se consideravam a única civilização que vale a pena, os bárbaros eram incivilizados. Ou seja, representavam tudo o que os romanos desprezavam. Hoje em dia costumamos chamar de bárbaros todos aqueles que não têm comportamentos civilizados. Normalmente se associa a palavra barbárie a segmentos bem específicos da população: pobres, membros de gangues, de torcidas organizadas, moradores de favelas, enfim, os que a esquerda chama de excluídos. Mas a barbárie está presente em todos os segmentos da sociedade. Vá a uma festa chique, pode ser no melhor local da cidade. Se a bebida acabar e depois voltar, você verá as pessoas se comportando como se aquela bebida fosse salvar as suas vidas. Veja um evento em que a comida é gratuita. Nobres senhores de terno e gravata disputando palmo a palmo o terreno em frente ao buffet...

A última minoria

Todas as minorias já representadas que me perdoem, mas há uma última minoria que ainda não tem defensor algum, e que merece uma atenção especial, principalmente por representar uma minoria em extinção. Aos números. 49,8% da população do mundo é feminina. Sobram 50,2% de homens. 29% é de crianças, e 7% são de idosos, ou seja, aqueles não sabe o que é sexo e esses ou não se lembram ou não conseguem mais. Sobraram nos homens 32% da população. Na média, 10% da população é gay. Sobrou 28%, arrendondando bem pouco para baixo. Vamos retirar agora as outras minorias: religiões que não fazem parte das três principais (cristã, judaica ou muçulmana), deficientes físicos e/ou mentais, desempregados, trabalhadores rurais e pessoas que não têm caráter, pessoas que vivem de subsídios estatais ou de roubo, e deve sobrar uns 4% (sendo otimista). Ou seja, do total de 6,4 bilhões de pessoas no mundo, 4% somos homens, caucasianos, heterossexuais, sem problemas físicos ou mentais, honestos, trabalhadores e...

Ainda sobre a guerra civil

O mais engraçado, se é que esse lance da França pode ter algo engraçado, é a reação das pessoas que achavam a França um país de primeiro mundo, invejado, um lugar bom para se morar. Essas pessoas achavam que o que acontece lá é um absurdo, inimaginável, e têm medo que isso se espalhe para outros países. A guerra civil acontece em todo o mundo. Na Suíça, ela não usa armas, mas seringas, uma juventude que briga com seus antecedentes se drogando. No Japão e na Suécia, os jovens não brigam, jogam-se na frente de trens, de pontes. Nos Estados Unidos, rouba-se as armas do pai para atirar em Columbine. E por aí vamos. A guerra já se alastrou. Ela é global. Mas era mais fácil achar que a grama de lá era mais verde...

Visões da Guerra Civil

Esse é o livro do Hans Magnus Enzensberger. Já tem uns 11 anos de idade, pelo menos. No entanto, continua cada vez mais atual. Lá ele já dizia que as brigas de torcida, que os confrontos entre polícia e minorias nos Estados Unidos e que a guerra na Bósnia eram reflexos de uma mesma situação: a guerra civil. E que as causas eram basicamente as mesmas: a falta de perspectiva de uma grande parcela da população, em especial dos jovens. E de repente, o caldeirão entornou na França, onde há dez dias os jovens de lá quebram o pau com a polícia, aparentemente sem motivo. No entanto, a morte de dois filhos e netos de imigrantes em circunstâncias misteriosas, com uma não confirmada participação da polícia, bastaram para deflagrar o conflito, que não dá mostras de arrefecer. No Brasil, qualquer encontro de torcidas provoca feridos, quando não um e outro morto. Sem contar com um referendo sobre a venda ou não de armas, motivado pelo excesso de armas em circulação (sem entrar no mérito do referendo...

Opinião controversa

Diz-se que quem vive de comunicação - publicitários, jornalistas, relações públicas e homens/mulheres de rádio e TV - devem necessariamente ser antenados. E por antenados entenda-se: ver tudo o que se passa na TV, escutar rádio para cacete, navegar na Internet 24 h por dia em busca do site mais bacana, ler o maior número de jornais possível, ir ao cinema etc etc etc. Putz, discordo veementemente. Eu tenho uma opinião, radical até um certo ponto. Não, repito, não é necessário ler nenhum jornal nem escutar rádio nem ver TV para estar antenado (confesso que a Internet não dá para dispensar). Até mesmo a Internet deve ser usada com moderação. Na prática, para manter-se antenado e atualizado, é necessário apenas ler os grandes clássicos da literatura. E digo de novo, literatura, não livros técnicos. Os grandes clássicos trazem mais informações para o entendimento da nossa realidade que a imprensa diária. Para entender a Rússia de hoje, basta ler Guerra e Paz, Dostoiévski, Tólstoi e os grand...

Diferenças cruciais

Hoje há um "grande" escândalo nos jornais ingleses. O ministro do Interior, Dave Blunket, foi acusado de ter ações em uma empresa que presta serviços ao governo (ainda que a um ministério léguas de distante do dele) e isso poderia gerar um conflito de interesses. O medo é que ele favorecesse a empresa, ou soubesse de informações privilegiadas, para ficar rico. E isso que ele tem um pacote de ações pequeno, nada grande. Enquanto isso, aqui na Botocúndia, descobre-se que cerca de US$ 94 bilhões de dólares foram enviados ao exterior por meio das contas CC-5 do Banestado. No mundo inteiro não existe ladroagem maior que esta. Só para vocês terem uma idéia, a máfia russa mandou cerca de US$ 8 bilhões para fora da Rússia. Somos quase 12 vezes mais pilantras que os russos. E digo somos pois é a nossa grana, e é o nosso país. Tento me lembrar sempre que o Brasil tem apenas 505 anos de civilização ocidental, e que tem menos de 20 anos de democracia constante. A primeira eleição depois ...

Gostos diversos

Felizmente os homens têm gostos diversos (quando falo homens, entenda-se a humanidade como um todo, não os bípedes do sexo masculino). No entanto, quando se fala sobre os gostos, ainda somos da idade das cavernas, onde o consenso era resolvido no porrete e no tacape. Pois a pior coisa que existe é você falar mal de uma banda ou músico para alguém que é fã dessa banda. De nada adiantam os critérios técnicos que justifiquem porque aquele músico ou banda é ruim, a pessoa gosta da banda, e se você falar mal dela, sai da frente que lá vem porrada. Acontece mais ou menos a mesma coisa no futebol. Mesmo que o seu time esteja indo para a segunda divisão, só um torcedor meia boca admitirá que ele está jogando mal. Em todas as situações, todas, o time sempre é bom. E se alguém falar mal dele, pancada. Infelizmente, nesse caso podendo levar até à morte. Comidas, filmes, livros, roupas, enfim, tudo o que mexe com o pessoal acaba sendo motivo para um desgaste. Tudo bem que as vezes você achincalha ...

Perguntas erradas

O referendo sobre a proibição à venda de armas já passou, o não ganhou, e noves fora qualquer opinião que você tenha sobre o tema, a pergunta estava errada desde a sua formulação. E o governo atual, que realmente não sabe lidar com as palavras, não conseguiu fazer com que a sua vontade - a proibição - ganhasse. A pergunta que deveria ter sido feita, e que não envolve a venda ou não de armas, é se a pessoa é a favor da vida. Se sim, e acredito que a maior parte das pessoas seja a favor, se começa a verdadeira discussão, que é sobre segurança pública, educação pública, saúde pública e políticas públicas de inclusão social. O problema é que aqui na Botocúndia o que invertemos o conceito de público. A res publica , a coisa pública, é, ou deveria ser, de todos. No entanto, a pessoa aqui lê público e pensa que não é de ninguém. E dá-lhe pichação, roubo de fios de telefone e luz, depedração de pontos de ônibus etc. E como não é de ninguém, ninguém cuida. Por isso a escola pública é ruim, o h...

Esperança para a humanidade

Uma vez o Luis Fernando Veríssimo escreveu que ainda havia esperança para o futuro da humanidade. Ele estava em casa de amigos, e era o aniversário do menor de todos, um criança entre três e seis anos, não me lembro ao certo. Um dos presentes da criança era um brinquedo eletrônico, super-sofisticado, desses que você aperta um botão e ele faz tudo sozinho, alijando completamente a criança do processo do brincar, mas que infelizmente fazem tanto sucesso por aí. Pois bem, o piá ganhou o brinquedo, viu qual era, e saiu brincando pela sala. Com a caixa de papelão do brinquedo. O menino solenemente ignorou a tecnologia - talvez não tenha sido tão solene, pode até ser que tenha sido insolente, mas pelo menos teve personalidade - e foi brincar com a própria imaginação. Todo esse palavrório para chegar ao que importa. No sábado, fui jantar com minha namoramada após o cinema. Fomos a um restaurante legal, e à mesa ao lado estava sentada uma família: pai, mãe, irmã mais velha com o namorado maior...

Os homens de hoje

Caro Aleksey, caro Marcos Amend, desculpem se roubo a idéia de vocês, mas não posso deixar de falar das novas categorias em que vocês classificaram os homens. A primeira delas, talvez a menos engraçada, é o pseudo-maduro. E não há como negar. Nós, homens, somos em grande maioria uns piás crescidos que não gostaram de ter crescido. Pode perceber que, quando se coloca uma bola no meio de um grupo de homens, viram todos piás. E a competição para ver quem joga melhor, para ver quem marca mais gols, logo começa. Homem é um piá com mais responsabilidades e uma certa dificuldade em reconhecê-las e aceitá-las. Mas a segunda é a mais fantástica. Somos todos pedreiros do amor. Na prática, o que é isso? É que todo homem, na frente de uma mulher gostosa, se comporta como uma gostosa. E o que nos impede de dizer, com todas as letras, "Ô sua gostosa!!!", meio que salivando quando falamos isso, é a educação. Daí que dizemos palavras mais sutis como "como você está elegante hoje!" ...