Opinião controversa

Diz-se que quem vive de comunicação - publicitários, jornalistas, relações públicas e homens/mulheres de rádio e TV - devem necessariamente ser antenados. E por antenados entenda-se: ver tudo o que se passa na TV, escutar rádio para cacete, navegar na Internet 24 h por dia em busca do site mais bacana, ler o maior número de jornais possível, ir ao cinema etc etc etc.

Putz, discordo veementemente. Eu tenho uma opinião, radical até um certo ponto. Não, repito, não é necessário ler nenhum jornal nem escutar rádio nem ver TV para estar antenado (confesso que a Internet não dá para dispensar). Até mesmo a Internet deve ser usada com moderação. Na prática, para manter-se antenado e atualizado, é necessário apenas ler os grandes clássicos da literatura. E digo de novo, literatura, não livros técnicos.

Os grandes clássicos trazem mais informações para o entendimento da nossa realidade que a imprensa diária. Para entender a Rússia de hoje, basta ler Guerra e Paz, Dostoiévski, Tólstoi e os grandes, quase todos de antes dos comunistas. Para entender os Bálcãs, leia os livros dos autores de lá. Conheço poucos, mas O Dicionário Kasar, de Milorad Pávitch (iugoslavo, pois ele é de antes da divisão), traz histórias deliciosas da encruzilhada que é aquele pedaço do país. Conflito árabe-israelense? Amos Óz. E por aí vamos.

A história é, até um certo ponto, a eterna repetição de um enredo com personagens e tecnologias diferentes. Ou você acha que não se luta por petróleo no Oriente Médio desde 1914? E por água na região de Israel desde antes de Cristo? Ou que a América Latina vive desde o momento em que o primeiro europeu colocou os pés aqui o eterno lamento de ser o continente do futuro que ainda não deu certo? E tenha certeza, todas essas histórias estão contadas pelos grandes (e também pelos pequenos, ainda que sem tanta qualidade) escritores.

Desplugue-se de vez em quando, e leia um livro. Você só tem a ganhar.

Comentários

Anônimo disse…
Prezado Adriano
Através de uma pesquisa na qual tentava descobrir se o "Deserto dos Tártaros" havia sido publicado em português, acabei chegando ao seu blog. Gostei enormemente da sua abordagem e do seu texto. Linkei num post que fiz sobre O Deserto dos Tártaros. Veja como ficou, no link do Verbeat abaixo.
Amitiés,
BetoQ.

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