Crônica das expectativas

Um dos grandes desafios da vida é moderar as expectativas, as próprias e as alheias. Quando você é considerado por todos uma pessoa inteligente, todos esperam de você grandes feitos, trabalhos, conquistas, vitórias. A barreira a ser superada nesses casos é invariavelmente alta. Se você não é visto pelos outros como alguém de pensamentos excepcionais, ninguém colocará grandes expectativas em seus feitos profissionais ou pessoais. Isso falando do que os outros pensam de você.

O problema é quando você começa a acreditar no que os outros pensam de você. Se todo mundo diz que você pode ser um presidente de uma empresa, por exemplo, e você não chega lá, você começa a duvidar de si mesmo. “Caramba, me veem como um CEO e eu não consigo passar de analista aqui dentro, o que estou fazendo errado?” E a cobrança vem grande, seu cérebro lhe castiga, sua cabeça não para de fazer planos contra você.

Talvez a pergunta principal a ser feita não é “aonde você pode chegar”, mas sim “aonde você quer chegar”. Você pode ter um cérebro privilegiado, mas se você quiser ser um simples vendedor de tintas, por exemplo, não pode? Você continuará ajudando pessoas, conhecendo gente nova quase todo dia, trabalhando honestamente, ganhando o suficiente para sua vida. Há algum mal nisso? Nenhum, mas nossa sociedade do desempenho manda você ter ambições. Escapar dessa sina implica em ter coragem de enfrentar um sistema consolidado, de ser chamado de hippie, alternativo, perdedor (ou tudo junto ao mesmo tempo) e mesmo assim manter um sorriso no rosto ao ter a certeza de que você está usando seu cérebro como você quer, não como alguém acha que você deveria usar. Conseguir não se importar com a opinião do outro talvez seja a libertação suprema.

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