Crônica Sartriana
O ser humano é condenado a ser livre – Jean-Paul Sartre
Cada passo é uma escolha pessoal. Não há como terceirizar nenhuma responsabilidade pelas suas opções, você é quem é e faz o que faz porque você escolheu isso, e mais ninguém. Não adianta jogar a culpa nos pais, nos amigos, nos parceiros ou nos astros (aliás, bem comum essa terceirização das próprias escolhas para o esotérico, para os deuses ou o alinhamento dos planetas), a culpa é sua. E essa é sua condenação.
Exercer essa liberdade radical pode assustar os outros. Dependendo de para quem você fala sua escolha, a pessoa pode se assustar. “Como assim, você é tão inteligente e quer ser vendedor de balcão?” A liberdade absoluta implica, muitas vezes, em não escutar o veredicto dos outros, por mais próximos que sejam, fazer ouvidos moucos ao julgamento alheio, encarar a censura velada quando uma escolha pode parecer contraditória para o outro. No entanto, se ela faz sentido para você, exerça o seu direito à liberdade, aproveite sua condenação e seja quem e o que você quiser.
Sartre continuou caminhando e, na ótica dele, a angústia existencial que todos sentimos em algum momento decorre da consciência da nossa liberdade absoluta. É que essa escolha traz responsabilidades e cobranças e até o momento, pouca gente mostrou gostar de cobranças. Pelo contrário, a maior parte das pessoas deseja que alguém decida por elas, até para poderem afastar de si a culpa pelas suas escolhas e poderem viver a ilusão de que o acontecido tinha que acontecer (maktub – estava escrito). Nada está decidido, porém. Ir ou ficar, esquerda ou direita, agir ou dormir, sofrimento ou resignação, você decide. E durma com esse barulho!
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