Crônica da inércia persistente
Sonhos são estranhos. Será que eles nos dizem algo sobre o que estamos pensando ou remoendo na vida real? Será que são uma porta de comunicação com o etéreo, o além do mundo físico? Muitos dizem que sim, que os sonhos são uma espécie de subproduto da digestão cerebral dos infinitos pensamentos que temos durante o dia. Por favor, não confunda sonho com sono, esse sim já cientificamente provado como importantíssimo para a sanidade mental.
Isso porque nem sempre lembramos dos sonhos. Raras vezes acordamos com todo o roteiro do que foi sonhado. Mais fácil lembramo-nos de fragmentos deles, daquele pedaço que impactou mesmo, que parece refletir alguma situação cotidiana.
Já faz algum tempo que em meus sonhos, sabe-se lá em qual situação, eu tento correr. Eu já sei meu ritmo de esteira, meu ritmo de rua, sei do que sou capaz na corrida, mas no sonho, nenhum pé quer sair do lugar. Dar um passo significa carregar um peso gigante. Seria como se um cidadão nascido na lua, crescido naquela gravidade, tentasse correr na terra. Não vai, simplesmente não vai. Cada pegada é um esforço enorme, a vida correndo e me atropelando e eu não consigo avançar com leveza. E sobre os ombros, não é que haja alguma carga, o peso está dentro de mim.
Normalmente, acordo meio que no susto, tentando lembrar para onde eu queria ir, ou do que estava correndo. A memória foge rápido, não consigo responder origem, destino ou motivo, apenas que não consigo me movimentar. Fico alguns instantes na cama, e levanto-me. Pelo menos até o banheiro ainda consigo ir.
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