Crônica da cacofonia onipresente
Nem se percebe, mas o mundo anda tão barulhento, mas tão barulhento, que o silêncio do meio da madrugada ou sobre uma montanha ou ainda acampando longe do tumulto chega a estranhar. Desde as primeiras horas da manhã, o celular começa a apitar, os carros buzinam, as crianças indo à escola riem (ainda bem), os mendigos falam alto, as tevês e rádios e redes sociais gritam. Não há moderação no volume, o barulho vem de toda parte.
A confusão acaba chegando aos pontos mais escondidos do cérebro, atrapalhando o pensamento. Fica impossível focar, pensar em apenas um tema, resolver um problema de cada vez. Você começa a desenvolver uma tarefa e é atropelado por uma mensagem, por uma ligação, por uma notícia. Hoje em dia, conseguir desligar tudo ao redor e ficar alguns minutos que seja fazendo apenas uma única coisa é cada vez mais difícil. Não à toa começam a proliferar os espaços de desconexão, locais aonde o celular não chega, a internet está desligada e as tevês são inexistentes.
A poluição de estímulos de toda espécie sobrecarrega, soterra. A distração se torna regra, a concentração é exceção. Fica todo mundo parecendo o cachorro do desenho UP – Altas Aventuras, o Dug. “Borboleta, borboleta”, e lá vai ele pulando e deixando a tarefa para a qual ele parecia tão compenetrado de lado. Provavelmente nós também estamos adiando o importante pois não conseguimos escutar o que está em nossa mente e em nosso coração. “Pare o mundo que eu quero descer!”
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