Problema de criação

A maior parte das pessoas se sente bem não fazendo nada, acredito. Há uma imensa batelada de gente que recebe o bolsa família numa boa e fica agradecida por não ter que oferecer contrapartida alguma.  Há milhares de funcionários fantasmas por esse país afora, deixando de fazer aquilo para o que foram contratados. E não são apenas funcionários públicos, há muitos fantasmas também nas empresas privadas. No linguajar moderno, são os presenteístas, o contrários dos absenteístas, que estão presentes mas não fazem nada. Funcionário público fantasma já é conhecido por muitos, infelizmente vicejam em todas as repartições públicas do Brasil.
Mas há quem não consiga ficar parado esperando as coisas acontecerem, por mais que lhe digam: "calma, fique observando apenas, por enquanto tá bom, não precisa fazer nada mesmo." E receber por isso?! Parece uma afronta ao dinheiro de quem está pagando, ainda que ele tenha dito expressamente que não é necessário fazer nada no início.
O problema é de criação. Quem foi criado na filosofia do trabalho não acha certo relaxar. O corpo deve estar fazendo algo, sempre. Tem que ter suor. Trabalho sem suor não é trabalho digno, e por isso busca-se de alguma maneira estar ativo fazendo alguma coisa suarenta, física. Tem que trabalhar, tem que produzir, tem que fazer algo. Realizar, executar, fazer. Planejar não, pois isso é cerebral, e trabalho cerebral não tem valor.
Pusta meleca ter esse tipo de educação de vez em quando...

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