Via crucis burocrático

Se existe algo que dá nos nervos de quem quer produzir nesse país, é a burocracia e a leniência com que o cidadão é tratado quando tem que recorrer a qualquer órgão público. Se você vai a um cartório, é para confirmar que você é você. Isso é ridículo, mas é assim que funciona no Brasil. E tem lógica um cartório de registro de imóveis demorar cinco dias para emitir um registro em Curitiba, e sair na hora em Campo Largo? Não, não é lógico, não consigo entender.
Nos tribunais, em alguns casos você é bem atendido, em outros não. Mas, na maior parte, é um vai e vem de números, guias, pagamentos, autorizações etc. Em Curitiba, precisa da assinatura de um desembargador ou quem quer que seja para expor um cartaz no elevador. E tem que estar carimbado, assinado, registrado, se quiser voar (ah, Raulzito!). Fora o elevador privativo das "otoridades". Ridículo.
E o serviço de atendimento ao cidadão em prefeituras, governo do estado, secretarias etc? Em alguns casos, novamente as exceções, a pessoa é bem atendida. Nos outros, parece que estão fazendo um favor a você, que paga seus impostos para alimentar essa caterva de barnabés. E quando cometem um erro, é apenas "ops, errei". Nada de dizer as consequências do que pode acontecer, alertar para os riscos, tomar cuidado com a informação cedida. Não, o risco é do contribuinte.
Quem defende o Estado Mínimo, como eu, não o faz por razões ideológicas, mas práticas: quanto menos funcionário público com estabilidade no emprego, melhor. Se puderem eliminar de vez os cargos comissionados (celeiro de mamatas) e acabar com a estabilidade, já é meio caminho andado. Se puserem ainda indicadores de produtividade, aí quase chegamos lá. Quem sabe?

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