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Movimento circular

Tem uma poesia do Drummond (se não me engano) em que ele fala da beleza que é a invenção do Ano Novo. Com ela, podemos ter uma chance de apagar todos os erros do passado, pensar no que fizemos durante um ano inteiro e no que faremos para não cometer os mesmos equívocos. O Ano Novo é época de renovação de um monte de coisa, mas principalmente de renovação e fortalecimento da esperança e da fé em dias melhores para nós mesmos. O que talvez ele não tenha visto é que todo ano revivemos as mesmas angústias, inquietações, eventuais alegrias e tristezas inerentes à esta época. Até um certo ponto, os desejos são recorrentes: “trabalhar menos para ficar mais tempo com a família e os amigos, ser mais sincero com todos eles, me esforçar para ganhar mais dinheiro para poder gastar melhor (não esbanjar) etc...” Percebi isso ao pegar-me no flagra, esta manhã, pedalando para o trabalho e pensando em como seria bom se o mundo parasse de funcionar de verdade nesta época. Que ninguém p...

Época estranha

Esta época do ano é um período estranho. Ainda que todos digam que é uma época de festas, não se vê tanta gente contente pelas ruas. Não importa a classe social, estão todos meio pensativos, até um certo ponto encafifados com o que acontece ao redor. As lojas gritam que é Natal, é motivo de festa, de alegria, de juntar-se com a família para celebrar o nascimento de Cristo ou, mais mundanamente, trocar presentes comprados à prestação. Já no Ano Novo todos devem parar alguns instantes para refletir como foi o ano que passou, fazer o balanço de erros e acertos e programar o próximo ano para que este seja, como todos os Anos Novos, um ano cheio de realizações e coisas boas. Mas tem algo que não anda direito. A pressão do cotidiano é muito forte para ser sublimada por toda essa pressão pela felicidade coletiva universal. Lá no fundo (ou não tão fundo assim) sabemos que nada mudará com a passagem do ano; que não importa quantos presentes recebamos, a felicidade depende de o...

Relembranças

O momento parece se repetir. Aquela calmaria que precede os grandes acontecimentos. Com certeza aconteceu com você. Uns dias antes de algo importante acontecer com você (saiba você disto ou não), tudo parece dar uma pausa. As horas se arrastam, não há motivação para começar nada novo, talvez alguma para concluir o que está em aberto, mas nada realmente significativo acontece. Eu imagino que já escrevi sobre isto em algum momento. Mas com o grande irmão corporativo bloqueando o acesso ao meu blog, fico aqui reescrevendo o que talvez já reescrevi. Talvez, se já tiver escrito sobre isto, o tema pareça chato. Mas vai que agora a sensação de espera de que algo diferente e grande aconteça seja outra? Vai que muda o tom da ansiedade? Por um lado há ansiedade pois os fatos novos serão grandes (novas casas, novos endereços?, uma viagem de férias muito bacana e longamente esperada). Por outro lado, há já alguma resignação de que não adianta o que acontecerá ou mudará, tudo mudará muito pou...

Chuvas de verão

Primeiro foi um inverno fora de hora, com temperaturas sempre abaixo dos 10° durante uma semana. Depois começou um calor desgraçado de quente. Agora é assim. De manhã está meio fresco, daí a temperatura sobe até uns 30°, pelo menos, e lá pela metade da tarde, ou fim da tarde, cai um baita pé d'água que interrompe tudo, pára o trânsito, acaba a luz porque caem galhos sobre fios de transmissão, enfim, um caos. Será que ninguém percebeu que a maneira como estamos vivendo (nós Planeta Terra) levará invariavelmente ao fim de tudo? Ou acabará com seca ou com chuva, mas que se continuar assim acabará, ah isso vai...

Ambigüidades

Todo dia, no caminho para o trabalho, estou propenso à poesia. Vou de bicicleta, em um ritmo mais calmo que o resto das pessoas, escutando música, cheirando grama molhada de orvalho, passando por caminhos onde há gente caminhando, ainda há pássaros, eventualmente o trem ao lado me faz companhia. Aprecio os quintais das casas que ainda existem – casas e quintais – e lembro de um tempo mais simples, mais calmo (me lembro de meu vizinho, o Júnior, rapagão alto à beça que pulava a cerca de casa sem usar as mãos, como um corredor de 110 metros com barreiras), em que havia tempo para brincar na rua – era possível brincar na rua. Aí eu chego ao trabalho, cheio de poesia na cabeça, e ligo o computador com o nobre objetivo de escrever alguma coisa nesse sentido. E nos últimos três meses sou soterrado pela avalanche de trabalho – muitas vezes insensato e sem objetivo. Aí a poesia que havia pela manhã vai se esgotando, vai diminuindo, até ser completamente apagada por números, cifras, tabelas, ap...

Agora é hora de lutar!

Para começar, temos que falar o que pensamos, mudar nossas atitudes em relação a tudo e ser intolerantes a qualquer desmando, inclusive o próprio, que são os mais perigosos. Pelo menos abrir a boca para começar a dizer o que pensamos, jogar para fora a raiva de eleger idiotas e representantes imbecis que só querem enriquecer à custa de uns bocós que somos nós. Abrir a boca, lotar as caixas postais daqueles vagabundos que nada fazem para mostrar que pelo menos estamos atentos. E quem sabe, a longo prazo, mudar.

Primeiro a hora do luto

Vi um povo de cabeça baixa, de lágrimas nos olhos, sem fala, abandonar o estádio como se voltasse do enterro de um pai muito amado. Vi um povo derrotado, e mais que derrotado, sem esperança. Aquilo me doeu no coração. (José Lins do Rego) Lamentemos por alguns instantes o que os pulhas a quem chamamos e elegemos senadores fizeram. Mas somente por alguns instantes. Amanhã tem mais.

Para os estudantes de Jornalismo

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Sempre que falo sobre jornalismo, ou melhor, sobre as escolas de jornalismo, me lembro da lição do grande Angeli. É o que penso também.

Salve o Renan!!

Calma, eu explico. É óbvio que ele tem muita coisa a explicar e, se fosse realmente um cara inocente, sairia da Presidência do Senado para deixar de exercer influência sobre seus processos. Mas ele não quer. E enquanto ele ficar, nada, praticamente nada, será votado pelo Congresso. Ou seja, enquanto ele ficar, ele pode estar fazendo um bem para o País. Isto porque a malfadada CPMF, a prorrogação dela, deve ser votada até 30 de setembro. Se não for votada, manda a lei que ela não seja implementada no ano que vem. Pode até ser que ela volte depois, mas durante um ano os tecnocratas não garfarão tanto do nosso dinheiro. Ou seja, FICA RENAN!!! Que a confusão que você mesmo criou traga pelo menos algum benefício para os cidadãos honestos que pagam todos os impostos. Que essa prorrogação não seja votada de forma alguma. FICA RENAN!! Atrapalha o trabalho de todos, inclusive das falsas vestais que pregam a moralidade pública, que enquanto você estiver lá, não votarão nada. Atrapalha tudo, e qu...

Está claro?

Se você tinha alguma dúvida de que estamos sendo governados por um energúmeno, clique aqui . Depois disso, por favor, se você o defende, peça que ele se defenda de si próprio para pelo menos preservar o seu passado, esse sim bacana e meritório.

Bate cabeça

Um governo medíocre se mede pela incapacidade de até os principais ministros conseguirem coordenar o que dizem. Nunca antes na história deste país se viu uma mediocridade tão grande. Um dia o presidente diz que construirá um novo aeroporto. No outro dia o ministro responsável pelo órgão que constrói aeroportos nega. Mais um dia e outra ministra, responsável pela articulação política, nega a negação e mantém a palavra do presidente. Em quem acreditar? Um governo medíocre se mede também pela incapacidade de enxergar a realidade. Vaiam o presidente. Ele diz que as vaias devem vir de quem tá ganhando dinheiro no governo dele, os ricos, pois os pobres não estão se beneficiando de seu governo. Ele que sempre diz que são os pobres o foco de seu governo. Não entendi. Vaia quem é beneficiado, se cala quem é prejudicado? Vai ver que daqui a pouco cai a ficha e ele percebe que não governa para ninguém, apenas para os seus comissionados e para os puxa-sacos que não querem ver o que acontece. Trist...

Indecência dos incompetentes

Do Estadão Online: SÃO PAULO - O Palácio do Planalto recebeu com alívio a notícia de que a tragédia com o vôo 3054 pode ter sido provocada por um problema técnico no Airbus da TAM - e não pela pista molhada do congestionado Aeroporto de Congonhas. O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, ministro Marco Aurélio Garcia, festejou com um gesto obsceno com as mãos quando assistia, no seu gabinete, ao noticiário do Jornal Nacional, da TV Globo, sobre o acidente. O significado do gesto de Garcia parecia claro: a TAM se estrepou, melhor para o governo. Ao seu lado, o assessor de imprensa Bruno Gaspar foi ainda mais grosseiro. Fez um trejeito imitando o ato sexual. Nunca antes na história deste País nossos governantes demonstraram tanto desrespeito aos que os elegeram e os mantêm. O gesto de dois dos mais próximos auxiliares do presidente Lula, que provavelmente não sabia de nada de novo, reflete o sentimento comum deste bando de incompetentes lotados nos postos de poder federal...

Um incompetente culpado?

Demorará algum tempo para esquecer a tragédia do avião da TAM. Demorará ainda mais, talvez nunca seja possível, desvincular a pecha de incompetente desse governo e de seu comandante maior, Luís Inácio Lula da Silva. Leiam a Dora Kramer de hoje (19/07/07). Lá está: Não se pode culpar o presidente por tudo o que de mal acontece neste país, disseram de maneira preventiva alguns de seus admiradores assim que saíram as primeiras notícias sobre o desastre. É verdade. Mas é verdade também que não é mais possível aceitar que o presidente da República não seja responsável por coisa alguma neste país. Ela continua elencando o que o governo, "este governo", deveria ter feito. Relembro, os sinais do caos foram dados em 2003, primeiro ano do primeiro reinado de Nosso Guia. Tudo o que "este governo" consegue fazer é falar, falar muito, falar bem, mas não fazer nada. No fim, tenho que concordar com o presidente. A vaia de 100 mil pessoas no Maracanã na abertura do Pan foi injusta....

A incompetência gera mortes

Nunca antes na história deste País se viu um governo tão incompetente. Já são quatro anos e meio de reinado de Luís Inácio Lula da Silva, e seu maior mérito até agora é não ter feito nada que pudesse prejudicar seriamente a economia. E só. Pois ele não fez mais nada, e esta incompetência começa a gerar mortes, muitas mortes. O acidente de ontem com o Airbus da Tam em Congonhas é apenas mais um capítulo, o mais recém escrito deste governo que passará à história como o de maior inação do mundo. Lula não fez nada até agora. Na economia, pelo menos, não fazer nada foi bom. Se ele tivesse feito algo, poderia até ser melhor. O mundo todo passa por um ótimo momento econômico, mas como seu governo não fez as Reformas Tributária, Trabalhista e da Previdência –ele que tinha todos os mensaleiros a seu favor, além do apoio irrestrito de grande parte da população – o Brasil cresce a taxas medíocres. Mas pelo menos não há crises. Ele não fez nada que pudesse alterar de maneira negativa a econ...

Encruzilhada

Sonho recorrente, sonhar que estou em Londres, é meu último dia lá, o avião está para sair, eu estou atrasado e ainda não arrumei nada. Já sabia que o último dia chegaria, e mesmo assim deixei tudo para a última hora. Demorou um tempo relativamente longo descobrir o que este sonho queria dizer. Ontem, meio insone, à quatro da manhã, descobri. O sonho quer dizer para mim que há um monte de oportunidades de fazer algo melhor (para mim, Londres era o intervalo em que eu estaria me ajeitando para poder voar mais alto) mas que eu não estou preparado ainda! Engraçado ter esta noção bem clara do que o sonho quer dizer. Me tirou um pouco do sono, fiquei um pouco preocupado, mas o cansaço foi maior que a preocupação e dormi. Resta o pensamento: o que exatamente ainda não arrumei? O que falta para decolar de verade? Será que eu realmente quero o que estou buscando atualmente? Dúvidas, dúvidas...

"O que importa é estar vivo"

Quem estuda administração, marketing ou outras ciências relacionadas viu em algum momento a hierarquia das necessidades de Maslow. Nesta hierarquia, o pensador mostra que há uma escala hierárquica das necessidades que devem ser supridas pelo ser humano, e que o produto ou serviço que se vende deve ter esta escala em consideração na hora de fazer o seu marketing. Pensei nesta pirâmide depois de uns dias remoendo a frase que escutei no ônibus. Era uma conversa entre duas mulheres, eu entre elas por conta do ônibus lotado, e uma falava que havia sido assaltada uns dias antes, que estava sem dinheiro até para pagar o ônibus, que deixou fiado a passagem daquele dia, mas que nada disso importava, pois o que importa mesmo é estar vivo. Vem um pouco de sentimento de culpa por ter pensamentos e desejos tão distantes daqueles da maioria da população. Como disse a minha patroa (que felizmente sempre me dá uma perspectiva diferente das coisas), talvez para a maior parte das pessoas essa seja realm...

Mundo corporativo

O mundo corporativo é engraçado. Como em todos os lugares, estamos sujeitos a cometer erros, alguns até bem graves (leia-se bem, graves do ponto de vista financeiro, um erro que pode implicar na perda de clientes, ou na perda de receita, enfim, dinheiro dos acionistas que vai pelo ralo). Mas, longe de nos preocuparmos com este dinheiro, estamos preocupados é com a mijada que levaremos do chefe. É isso mesmo, no fundo somos ainda crianças. Quando cometemos um erro, tentamos fazer com que ninguém descubra-o para continuarmos trabalhando em paz e tentar não repetir o erro. E, quem sabe, fazer com que a memória coletiva esqueça o erro cometido. A primeira reação ao errar é "putz, vou levar uma mijada do meu (da minha) chefe". É fatal, somos crianças ainda, não crescemos. Temos medo de ser descobertos, de levar uma carraspana, uma surra. E li estes tempos que os grandes executivos na verdade são como crianças mimadas. As empresas dão tudo a eles, pela estrutura empresarial muitos ...

Um grande vazio

Está na capa da Carta Capital, um milhão de brasileiros tomam Prozac diariamente. Na Inglaterra, já há traços do anti-depressivo na água dos rios. É Prozac que sai no xixi dos ingleses. A fabricante do Prozac depende deste produto que representa 25% de suas receitas. O que há de errado no mundo? A maior parte das pessoas vive existências sem sentido, em um mundo que não oferece grandes perspectivas de vida futura. Os objetivos são quase todos eles materiais: ter uma casa grande, ter um emprego bacana, que me pague bem, comprar um carro, viajar etc. Não há objetivos morais ou espirituais na maioria das pessoas, ainda que a maioria delas almeje uma vida calma em família e junto aos amigos. Algo se perdeu nessa trajetória. A rotina é de desempenho, de busca incessante de lucro (e estou nessa também, aplico na bolsa de valores...), de conquistas. Parece linguagem de guerra. Conquistar mercados, aumentar o patrimônio, ter mais, mais, mais... E se você trabalha em uma grande empresa, você se...

Reflexões matinais

Houve uma época em que o rock, ou grande parte dele, era de protesto. Os tempos eram bicudos, os Estados Unidos estavam enfiados até o pescoço no Vietnã, uns dez anos depois a economia era desalentadora, não havia espaço para nada. No primeiro caso, o rock foi meio psicodélico e altamente político. No segundo, o rock foi pancada absoluta e gerou o punk, anarquista até a medula. Mas aí vieram os anos 80, começou a década do individualismo e o protesto foi minguando. Hoje, nada parece mais anacrônico que uma banda começar a fazer música de protesto. Foi o que senti escutando o último disco do U2 (quer dizer, toda a discografia da banda, do primeiro álbum em 1980 até o último). O som continua bacana, mesmo as músicas antigas permanecem atuais, mas acaba provocando um certo desconforto escutar as canções que falam de Martin Luther King, do Domingo Sangrento na Irlanda, do Apartheid, enfim, de todas as bandeiras que eles desfraldaram. A realidade hoje é a da música eletrônica. Uma batida h...

Voglio di più

Vita spericolata Voglio uma vita maleducata Di quelle vite fatte fatte così Voglio uma vita, che se ne frega Che se ne frega di tutto sì Voglio uma vita che non è mai tardi Di quelle que non dormi mai Voglio uma vita di quelle che non si sa mai E poi ci troveremo come le star A bere del whisky al Roxy Bar O forse non c’incontreremo mai Ognuno a rincorrere i suoi guai Ognuno col suo viaggio Ognuno diverso E ognuno in fondo perso Dentro i cazzi suoi Voglio una vita spericolata Voglio una vita come quelle dei film Voglio una vita esagerata Voglio una vita come Steve McQueen Voglio una vita che non é mai tardi Di quelle che non dormi mai Voglio una vita, la voglio piena di guai E poi ci troveremo come le star A bere del whisky al Roxy Bar O forse non c’incontreremo mai Ognuno a rincorrere i suoi guai Ognuno col suo viaggio Ognuno diverso E ognuno in fondo perso Dentro i cazzi suoi (Vasco Rossi) Ah, que vontade...