Postagens

Diferenças cruciais

Hoje há um "grande" escândalo nos jornais ingleses. O ministro do Interior, Dave Blunket, foi acusado de ter ações em uma empresa que presta serviços ao governo (ainda que a um ministério léguas de distante do dele) e isso poderia gerar um conflito de interesses. O medo é que ele favorecesse a empresa, ou soubesse de informações privilegiadas, para ficar rico. E isso que ele tem um pacote de ações pequeno, nada grande. Enquanto isso, aqui na Botocúndia, descobre-se que cerca de US$ 94 bilhões de dólares foram enviados ao exterior por meio das contas CC-5 do Banestado. No mundo inteiro não existe ladroagem maior que esta. Só para vocês terem uma idéia, a máfia russa mandou cerca de US$ 8 bilhões para fora da Rússia. Somos quase 12 vezes mais pilantras que os russos. E digo somos pois é a nossa grana, e é o nosso país. Tento me lembrar sempre que o Brasil tem apenas 505 anos de civilização ocidental, e que tem menos de 20 anos de democracia constante. A primeira eleição depois ...

Gostos diversos

Felizmente os homens têm gostos diversos (quando falo homens, entenda-se a humanidade como um todo, não os bípedes do sexo masculino). No entanto, quando se fala sobre os gostos, ainda somos da idade das cavernas, onde o consenso era resolvido no porrete e no tacape. Pois a pior coisa que existe é você falar mal de uma banda ou músico para alguém que é fã dessa banda. De nada adiantam os critérios técnicos que justifiquem porque aquele músico ou banda é ruim, a pessoa gosta da banda, e se você falar mal dela, sai da frente que lá vem porrada. Acontece mais ou menos a mesma coisa no futebol. Mesmo que o seu time esteja indo para a segunda divisão, só um torcedor meia boca admitirá que ele está jogando mal. Em todas as situações, todas, o time sempre é bom. E se alguém falar mal dele, pancada. Infelizmente, nesse caso podendo levar até à morte. Comidas, filmes, livros, roupas, enfim, tudo o que mexe com o pessoal acaba sendo motivo para um desgaste. Tudo bem que as vezes você achincalha ...

Perguntas erradas

O referendo sobre a proibição à venda de armas já passou, o não ganhou, e noves fora qualquer opinião que você tenha sobre o tema, a pergunta estava errada desde a sua formulação. E o governo atual, que realmente não sabe lidar com as palavras, não conseguiu fazer com que a sua vontade - a proibição - ganhasse. A pergunta que deveria ter sido feita, e que não envolve a venda ou não de armas, é se a pessoa é a favor da vida. Se sim, e acredito que a maior parte das pessoas seja a favor, se começa a verdadeira discussão, que é sobre segurança pública, educação pública, saúde pública e políticas públicas de inclusão social. O problema é que aqui na Botocúndia o que invertemos o conceito de público. A res publica , a coisa pública, é, ou deveria ser, de todos. No entanto, a pessoa aqui lê público e pensa que não é de ninguém. E dá-lhe pichação, roubo de fios de telefone e luz, depedração de pontos de ônibus etc. E como não é de ninguém, ninguém cuida. Por isso a escola pública é ruim, o h...

Esperança para a humanidade

Uma vez o Luis Fernando Veríssimo escreveu que ainda havia esperança para o futuro da humanidade. Ele estava em casa de amigos, e era o aniversário do menor de todos, um criança entre três e seis anos, não me lembro ao certo. Um dos presentes da criança era um brinquedo eletrônico, super-sofisticado, desses que você aperta um botão e ele faz tudo sozinho, alijando completamente a criança do processo do brincar, mas que infelizmente fazem tanto sucesso por aí. Pois bem, o piá ganhou o brinquedo, viu qual era, e saiu brincando pela sala. Com a caixa de papelão do brinquedo. O menino solenemente ignorou a tecnologia - talvez não tenha sido tão solene, pode até ser que tenha sido insolente, mas pelo menos teve personalidade - e foi brincar com a própria imaginação. Todo esse palavrório para chegar ao que importa. No sábado, fui jantar com minha namoramada após o cinema. Fomos a um restaurante legal, e à mesa ao lado estava sentada uma família: pai, mãe, irmã mais velha com o namorado maior...

Os homens de hoje

Caro Aleksey, caro Marcos Amend, desculpem se roubo a idéia de vocês, mas não posso deixar de falar das novas categorias em que vocês classificaram os homens. A primeira delas, talvez a menos engraçada, é o pseudo-maduro. E não há como negar. Nós, homens, somos em grande maioria uns piás crescidos que não gostaram de ter crescido. Pode perceber que, quando se coloca uma bola no meio de um grupo de homens, viram todos piás. E a competição para ver quem joga melhor, para ver quem marca mais gols, logo começa. Homem é um piá com mais responsabilidades e uma certa dificuldade em reconhecê-las e aceitá-las. Mas a segunda é a mais fantástica. Somos todos pedreiros do amor. Na prática, o que é isso? É que todo homem, na frente de uma mulher gostosa, se comporta como uma gostosa. E o que nos impede de dizer, com todas as letras, "Ô sua gostosa!!!", meio que salivando quando falamos isso, é a educação. Daí que dizemos palavras mais sutis como "como você está elegante hoje!" ...

Tempo, tempo, tempo

O que pode acontecer em um mês? No mundo, dá para testemunhar um ou mais furacões nos Estados Unidos e no Caribe, um terremoto no Paquistão, a eleição da primeira mulher como chanceler na Alemanha, o líder do Partido Republicano do Bush pedir renúncia por corrupção e malversação dos gastos, outras tantas descobertas da gripe do frango, da Ásia chegando à Europa, e mais algumas coisas de que não me lembro. Em Brasília, dá para acontecer de tudo. Dá pra caçar um deputado, fazer outros três renunciarem ao cargo para não serem cassados, levar mais 13 a enfrentar um processo de cassação e não votar nenhuma, mas absolutamente nenhuma lei que faça esse país melhor. No Paraná, não aconteceu nada, pois o governador não faz nada. Talvez seja até bom. Em Curitiba, não aconteceu nada também, pois o prefeito não faz nada. Mas os buracos nas ruas aumentaram sobremaneira, e as ruas estão ruins como há muito não se via. No meu bairro, provavelmente algumas crianças nasceram, algumas pessoas morreram, ...

Não reeleja ninguém!!!

Hombres, mujeres, se vocês querem fazer algo realmente digno para esse país, e que não custe muito, nem de seu tempo nem de seu bolso, é o seguinte: não reeleja ninguém, nunca mais!! O grande mérito do Roberto Jefferson é que ele expôs a sujeira daquela escumalha. E seguindo as palavras de meu quase cunhado, Rondônia mostrou ao Brasil que apenas 4% dos deputados de um parlamento são honestos. No caso do Congresso, onde há 513 parlamentares, dá 20 senhores ou senhoras que, em teoria, não pilham os cofres públicos. Na dúvida de não conseguir distinguir nenhum desses 20, não reeleja ninguém!! Nunca mais!!! Assim esses não reeleitos finalmente terão que trabalhar. Talvez terão que administrar o que já roubaram, mas não roubarão mais. E há duas situações para quem entra. Primeiro, por não conhecer os caminhos da gatunagem, não saberá roubar. E quando descobrir, já estará mais para o fim do mandato. Assim, roubará menos. E se ele roubar, as chances de que deixe pistas pela inexper...

Contradição

Deve-se trabalhar para viver. Muitas vezes, vive-se para trabalhar. Mas acho que o corpo e a mente estão adaptados para o ócio, criativo ou não (mesmo não gostando do De Masi, ele tem uma certa razão). Basta ver como reagimos depois de um feriado de cinco dias. A seqüência é mais ou menos a seguinte: uma semana cheia (cinco dias), um fim de semana normal (dois dias), uma semana curtíssima (dois dias), um feriadão (cinco dias) e agora uma semana cheia. Mesmo que o feriadão não tenha tido um dia de sol, foi ótimo. Sem hora para acordar, sem hora para dormir, podendo comer e beber à vontade, sem preocupação com a aparência, resultados, horários e outras diplomacias inerentes ao trabalho. Mas há o problema que, para poder aproveitar o feriadão, é necessário ter dinheiro. E para se ter dinheiro, é preciso trabalhar (desconta-se aqui fontes ilícitas de rendimento). E não há estatísticas confiáveis a respeito do nível de satisfação das pessoas com o trabalho. Desconfio que a maior par...

Destruição total

As fotos são assustadoras. Nova Orleans praticamente desapareceu, debaixo d'água. Já era abaixo do nível do mar, o mar simplesmente reclamou o que lhe era mandado: obedecer a lei da gravidade. As reações são assustadoras. O povo ensandecido pisoteia uns aos outros, os saques são generalizados - hoje correram pelo mundo fotos de uma van cheia de cerveja, provavelmente um item essencial para os bárbaros norte-americanos -, ninguém respeita ninguém, na hora do desastre o homem volta ao seu estado irracional. As ações de reparo também são estranhas. O presidente manda tirar as forças de resgate de lá para preservar a sua segurança. Ou seja, condena quem está lá a se virar, mas manda que ninguém roube nada. A propriedade privada em primeiro lugar, se der para salvar algumas vidas depois, tudo bem. E esse cretino ainda não quer ver que tudo é culpa da poluição. Tem mais gases no efeito estufa, a temperatura da terra é maior, derrete as geleiras mais rápido, mais água gelada encontra as á...

A sensação do tempo

Na mesa ao lado, conversam sobre uma ação especial de marketing direto referente ao Ano Novo. E estamos em 23 de agosto. Putz, o Ano Novo parece longe, muito longe. Até um certo ponto, o sete de setembro está longe. Certa feita li que a sensação do tempo que temos decorre diretamente do nosso conhecimento. Assim. Quando éramos crianças, quase tudo o que víamos fazia o tempo se alongar, pois era uma novidade. Aprender a andar de bicicleta tomava um grande tempo, físico e mental. Chutar a bola na direção certa, escrever, desenhar, enfim, tudo o que aprendemos tomou tempo nosso. Depois, como essas coisas passaram a ser automáticas, a cabeça não se ocupa mais disso. Entramos no carro e saímos, sem pensar no que estamos fazendo. E daí a cabeça pensa em outras coisas, talvez fáceis, talvez difíceis, mas outras coisas. Assim, não temos a percepção mais clara de que estamos fazendo coisa, apesar de o dia continuar a ter 24h. E essa falta de percepção leva à impressão de que o dia é mai...

Segundas

Segunda-feira, um pusta dia de sol, calorzinho, e nenhuma, mas nenhuma vontade de trabalhar. Nenhuma vontade de entrar no simulacro de vida oferecido pelas grandes corporações, pelo sistema que é mais que capitalista, onde não há ilusões de um mundo mais justo, mais humano. Não à toa que a cada segunda há milhares, milhões de pessoas que reclamam de ter de voltar à rotina. Pois a rotina é massacrante. O trabalho invade todos os aspectos da vida, e acabamos vivendo para trabalhar, em vez de trabalhar para viver. O trabalho não é o veículo que nos proporciona uma vida melhor, mas sim “a vida”, a única opção de vida. E quem não é workaholic, quem não sacrifica a vida pessoal pela da empresa, quem não “veste a camisa” em todos os momentos, é visto como um estranho, como não competente, como pouco profissional. E fazem com que a não dedicação ao trabalho seja vista como anormal, e quem não se dedica como um alienígena. Mas que dá vontade de ir viver em outro planeta e tentar mont...

Admirável Mundo Novo

Bitcho, basta dar uma navegada pela internet para saber que entramos em mundos novos. O uso da internet democratizou de vez a informação no mundo (pelo menos para quem tem acesso à internet), a despeito da vontade das grandes corporações. Assim, basta que alguém tenha comprado algum produto que não cumpriu o que a propaganda prometeu que na hora ele colocará a sua opinião no site, muito antes de reclamar com o fabricante. E, se o fabricante entrar em contato para propor algum acordo espúrio, tanto a pessoa não aceitará o acordo como o próprio acordo será ainda mais divulgado do que a simples falha no produto. Um mundo até um certo ponto bacana. Felizmente, para quem receia que tudo fique massificado, essa possibilidade de publicar informações ajuda quem tem coisas bem pequenas e restritas a uma determinada geografia a serem consideradas bacanas, cool . Assim, mesmo que todos achem que Coldplay é o máximo, haverá diversos nichos que acham que os caras não tocam nada, e oferecerã...

Sombra de mariposa

No banheiro da empresa há a sombra de uma mariposa. De acordo com um colega, a mariposa ficou parada no mesmo lugar pelo menos um dia inteiro, mais de 24 horas. Ele achou que ela estava morta, e foi tocá-la. Ela saiu voando. Ficou o contorno das asas. Uma vez li, em algum lugar, que as poucas paredes que sobraram da explosão da bombas atômicas traziam “impressas” sombras das pessoas que estavam ali entre a bomba e a parede. Um perfil macabro eternizado na parede que depois virou monumento, um instantâneo do maior momento de terror instantâneo que a humanidade já produziu. Houve outras matanças piores, mas nunca concentradas em um único segundo, minuto. Em Pompéia, há inúmeros cadáveres carbonizados, pessoas que não tiveram tempo de reagir à explosão do Vesúvio. Na peça A Vida é Cheia de Som e Fúria , de Felipe Hirsch, ele brinca com uma hipótese. E se um pai de família, correto, carinhoso, que nunca bebeu nem jogou, resolve justamente no dia da erupção jogar dados, só para ver ...

Mundo corporativo

Vez ou outra eu comento sobre o mundo corporativo, sobre como a vida corporativa foi tomando conta de tudo, e que agora somos novos escravos, a corporação em primeiro lugar e, se der tempo, o resto. Hoje é aniversário da minha enteada. A festa começa às 18h, para aproveitar que todas as crianças saem da escola e vão direto pra festa. E marcam uma reunião para as 18h30. E quando digo que não vou, me perguntam: “E o profissionalismo?” Putz, que chato ter que dizer para as outras pessoas que a corporação não é o mais importante de tudo, que há coisas muito mais importantes, que a vida corporativa é falsa, é ilusão, pois somos todos peças descartabilíssimas nesse mundo corporativo, e que na hora que aparecer alguém fazendo o mesmo que a gente e recebendo menos, seremos trocados. Na vida pessoal, pelo contrário, temos a chance de mostrar nossas habilidades únicas, nossas características pessoais, nossa vida real, enfim, aquilo que nos torna humanos de fato. Sentimentos, únicos e ...

O fim já chegou!

Da Inglaterra e da Holanda vem a última novidade em reality shows. Mulheres querem escolher o melhor fornecedor de esperma para os filhos que querem criar sozinhos, sem maior interferência masculina que a do espermatozóide. Nada de contato sexual pois isso pode dar romance, o lance é só meter um bando de homens em uma espécie de corrida de cavalos da evolução, para escolher o reprodutor mais apto. Tudo, claro, passado, repassado e reprisado na tevê, para gáudio dos telespectadores ávidos por ficar ainda mais vivendo a vida dos outros em vez de cuidar da própia. Até um certo ponto, lembra o que a Xuxa fez com o Luciano Szafir, mas sem a mídia. Ela pelo menos ficou um pouco mais comedida, fez suas escolhas tão pessoalmente quanto uma personalidade pode, mas não colocou homens em corrida para o fato. Putz, o que faltará colocar em realities show? Talvez a única idéia que seria realmente boa seria fazer as eleições com um reality show. Coloque-se todos os pretendentes ao cargo em u...

Um dia nublado

O fim de semana inteiro fez sol. Um sol bonito, nem tão de verão que você não tem vontade de fazer nada, nem tão de inverno, em que você quer ficar dentro de casa com as cortinas abertas e debaixo do sol para se aquecer. Um sol bacana, com pouca brisa, para todos saírem de casa e passarem o dia fora. A segunda já mudou tudo, e trouxe com ela, além do trabalho que muitas vezes parece insensato, um céu cinzento e o frio. Poucos foram os que saíram da cama contentes hoje de manhã, apenas os “madrugadores neuróticos anônimos”, aqueles que dizem que não conseguem ficar na cama além das seis e meia da manhã. Fora eles, todos relutaram em sair da cama. E no trabalho, todos os comentários são iguais. “Putz, ainda tô dormindo.” “Meu, que luta sair da cama de manhã.” “Tava tão quentinho debaixo das cobertas”, e por aí vai. Ninguém contente de estar vivo, de encarar o dia nublado e eventualmente chuvoso como necessário. Apenas o rame-rame costumeiro, a ranhetice de sempre. Enfim, esque...

Estranhos prazeres

Há cinco minutos, acabei de ler A Misteriosa Chama da Rainha Loana , o último romance do Umberto Eco. E o livro é muito bom, mas muito bom mesmo (para ler a resenha, espere até 15 de agosto e acesse o site do Rascunho, ela estará lá). Daí que eu terminei de ler o livro no trabalho, e comentei com um colega que o livro é muito bom. E ele me disse que não gosta desse tipo de livro. Um outro já falou que só lê livros técnicos, um terceiro ainda que não lê em absoluto. Outro dia, em um shopping, testemunhei um fragmento de conversa entre duas garotas, uma dizendo que não gosta de ler mesmo, não é porque não tem tempo. Ela prefere fazer outras coisas. Daí que me pego pensando no por que há gente que não gosta de ler. Algum tempo atrás eu com certeza xingaria uma pessoa que me dissesse que não gosta de ler, diria que é uma ignorante, uma imbecil, que livros deixam a gente mais inteligente e seres humanos melhores, enfim, descascaria o verbo em cima dela. Hoje já sou mais comedido, ap...

Tá na hora de voltar...

E logo voltaremos...

Decisão

O único efeito colateral do Viagra é a queda de cabelos. O único efeito dos remédios contra a calvície é a brochice. Portanto, carecas, uni-vos!! Temos algo a celebrar...

Idéias esdrúxulas

Conversar com crianças é sempre um barato. Ontem, quando levava os meus step-filhos para a escola, começou uma conversa mais ou menos assim: - Eu só vou parar de beijar a mãe de vocês no dia em que peixe sair correndo pela praia! - Ou no dia que a Dina e o Malloy (dois cães) aparecerem voando na janela do nosso quarto! - Ou quando uma baleia correr pela floresta atrás de um tubarão! - Eu vou sair correndo para não ser mordida pelo tubarão! - E se tiver um papagaio nadando debaixo d'água? Glub, glub... - Problema vai ser o elefante voar. Os dois: - Por quê? E eu: - Já viram cocô de pombo? Pois é, tente imaginar cocô de elefante em cima de você... E foram vários "ecas" e "blearghs" até a escola. Mas a imagem persiste, cagada de elefante...