Contradição

Deve-se trabalhar para viver. Muitas vezes, vive-se para trabalhar. Mas acho que o corpo e a mente estão adaptados para o ócio, criativo ou não (mesmo não gostando do De Masi, ele tem uma certa razão). Basta ver como reagimos depois de um feriado de cinco dias.

A seqüência é mais ou menos a seguinte: uma semana cheia (cinco dias), um fim de semana normal (dois dias), uma semana curtíssima (dois dias), um feriadão (cinco dias) e agora uma semana cheia. Mesmo que o feriadão não tenha tido um dia de sol, foi ótimo. Sem hora para acordar, sem hora para dormir, podendo comer e beber à vontade, sem preocupação com a aparência, resultados, horários e outras diplomacias inerentes ao trabalho.

Mas há o problema que, para poder aproveitar o feriadão, é necessário ter dinheiro. E para se ter dinheiro, é preciso trabalhar (desconta-se aqui fontes ilícitas de rendimento). E não há estatísticas confiáveis a respeito do nível de satisfação das pessoas com o trabalho. Desconfio que a maior parte delas está insatisfeita com a ocupação que possuem. Assim, trabalha-se em algo de que não se gosta para, durante os dias de férias, fins de semana e feriados, ser quem se é e fazer algo de que se gosta.

Deve haver uma saída melhor, que traga mais satisfação. Enquanto isso, contentamo-nos em roubar uns minutos do trabalho para escrever croniquetas como essa.

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