Crônica da visão invertida
A porta da rua é serventia da casa. O ditado popular serve para bastante coisa, mas principalmente para alguém que entra em algum lugar (físico ou não, como por exemplo uma associação) e vai logo reclamando de tudo, sem nem ao menos saber como as coisas funcionam. Ou incomoda tanto, reclamando de pequenas coisas, causando picuinhas, que ela contamina o ambiente. Nesses casos, vale dizer em alto e bom tom A porta da rua é serventia da casa, ou seja, vai embora que aqui você não é bem quisto.
E quando somos nós que nos sentimos incomodados em algum lugar ou situação ou organização? Por que não dizemos para nós mesmos que essa porta imaginária também está à nossa disposição? Que se estamos desconfortáveis, desajustados, desalinhados, podemos nós pegar nossa mochila e dar no pé, pois a porta está ali para nós também?
É difícil largar aquilo a que nos acostumamos, mesmo que esteja ruim. A inércia é a principal força do ser humano. Esquecemos de que podemos nos mover, mudar, deixar para trás. A porta está sempre ali, à nossa espera, à espreita. Mas uma força gigante impede a mãe de alcançar essa maçaneta. Queremos que o outro saia para transformar o ambiente, mas nós mesmos não saímos, quando isso seria o mais fácil. E olha que essa porta nem cadeado tem...
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