Crônica da falsa euforia
Sexta-feira, dia de jogo da Seleção. Ainda que o jogo seja apenas 21h30, já de manhã a cidade está vazia. As escolas nem abriram direito, os escritórios estão com metade dos funcionários no batente, os restaurantes do centro meio vazios, as ruas sem trânsito. A seleção é um fenômeno, pelo menos para o lado de diminuir o ritmo de todos, parece que uma vez a cada quatro anos dá para acreditar em alguma coisa.
Agora, quem entende de futebol, quem gosta do jogo, quem pode ver times em outras copas, sabe que é tudo ilusão. Esse time atual não empolga ninguém, não motiva. A maior parte das pessoas vai é pela festa, pela cana, pelo encontro e pela farra. Futebol mesmo nem entra no cardápio, a turma não está preocupada com isso, com o resultado do jogo. Nos dias de hoje o que vale é o post, o reel, o story, tanto para quem “vê” o jogo como para quem o joga, infelizmente.
Se nada dá motivos genuínos para animar a torcida, valem então os subterfúgios, a distração, a falsa motivação. Tudo para escapar um pouco da dura realidade. No entanto, como diz o pessoal do Falha de Cobertura, “já temos seleção para temer qualquer time, inclusive Curaçao”. A copa vai acabar cedo para nós, e tememos voltar à realidade ainda na primeira fase. Tá osso!
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