O corpo acorda antes do despertador, pois a cabeça não é que parou de pensar durante a noite. Já é quase um ritual, desligar o alarme do celular e dizer ao aparelho: “pode descansar, deixa que eu trabalho”. Falar com um objeto inanimado pode parecer estranho, mas a solidão é companheira a tanto tempo que faz sentido. O estômago ronca, o café da manhã desce e o estômago continua roncando. Não há alimento que sacie o vazio provocado pelos pensamentos intrusivos da noite. “Será que vai dar ruim? Vou ter que procurar outro lugar para trabalhar? De novo? Logo agora que parecia dar certo?”. Mas a pergunta que realmente pega é: “o que você quer mesmo?” E para essa, parece não haver resposta. O corpo segue faminto, a cabeça latejando, uma sensação de algo explodirá em breve. Pode ser apenas uma mente que não consegue enxergar as perspectivas boas, apenas as partes ruins e sofridas. E assim, adiando as decisões do que o coração pede pois há uma demanda que o bolso quer (e que não é import...
Vez por outra me pego pensando no que teria acontecido se eu realmente tivesse seguido algumas decisões que tomei e que, por um bicho chamado ambição (ou ganância), esqueci no segundo seguinte. Decisões importantes, que me trouxeram até aqui, nesse quase beco sem saída em que me encontro. Tem saída, claro, mas é preciso primeiro limpar o entulho do caminho para então sair por ali. Quando eu estava na Gazeta Mercantil e saí para ir para a assessoria de imprensa da Tim, saí para ganhar o dobro de dinheiro. Foi legal, e à época achei que foi uma sábia decisão, pois a Gazeta Mercantil faliu uma semana depois, mandando todos pra rua. Mas todos os que foram pra rua estão bem, e jornalistas. Eu não. Já de volta ao Brasil, estava na Gazeta do Povo, pensando em fazer um mestrado para dar aulas de redação. O bicho da ganância apareceu de novo, e lá fui eu para a GVT. E um ano depois, nova mordida, dessa vez para ir ao marketing. Três, quatro anos de enganação pessoal, até ser...
Hoje de manhã malucos fortemente armados invadiram a sede do jornal Charlie Hebdo em Paris. O jornal existe há muito tempo e sempre publicou sátiras em forma de charges contra tudo e contra todos. Mas já há algum tempo, quando outros loucos fundamentalistas ignorantes e obtusos começaram a declarar guerra contra tudo, é que o jornal ficou famoso. Tudo graças a uma charge sobre o profeta Maomé. Ontem os caras publicaram uma charge sobre o líder dos insanos do Estado Islâmico, e parece que esses dementes têm braços suficientemente longos para conseguirem promover um ataque na capital francesa. A contagem inicial de mortos aponta onze pessoas, com chance de serem mais. Você pode até não concordar com charges de motivos religiosos, como muitos políticos não concordam com charges feitas sobre eles. Mas sair por aí atirando? Será que todo deus é vingativo e manda passar o pescoço dos humoristas na ponta da faca? Não acredito que deus, seja ele quem ou qual for, não possua senso de hum...
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