Crônica do lugar errado

Sonho estranho. Estou em uma sala de aula, mas não é uma escola, é parecida com algumas das atividades educacionais paralelas que faço. Não sou o educador principal, há uma mulher (que não se parece com ninguém que eu conheça) que é a titular da sala. As crianças que estão na aula se levantam para fazer alguma atividade que envolve movimento. E de repente, elas começam a se estapear, se chutar. Eu intervenho dando uma bronca geral. E a principal me chama de lado dizendo que eu não posso agir assim, pois se damos bronca neles as crianças reclamam para os pais e saem dessa instituição, e dependemos do dinheiro deles para sobreviver. Isso me dá um curto-circuito na cabeça, não entendo. O sonho tem uma segunda parte, mas não faz ligação alguma com essa primeira. No entanto, o despertar trouxe as lembranças de ambas.

A sensação ao acordar é de deslocamento. Eu devia estar naquela sala? Com certeza, cheguei até ali por escolhas minhas (maldito Sartre). Mas posso escolher não estar mais ali? Ou já é tarde demais para se arrepender? Não entendi até o momento o segundo sonho, mas a da sala de aula, para mim, está claro. Não posso ficar em lugar algum se o que estou fazendo ali não coaduna com meus princípios. Permanecer me traz conflitos, pesadelos que me fazem acordar e perder o sono, e o dia segue aos trancos e barrancos.

É difícil chegar a um lugar adequado e que esteja em linha com os princípios pessoais. Parece que qualquer escolha trará algum custo para a alma, nada é inteiramente de acordo com o que você quer, gosta e acredita. Como se atender essas três opções fosse uma impossibilidade física, a indeterminação quântica de posição, velocidade e massa (procure saber!). Sou persistente, porém, e continuo buscando. Vai que em algum momento eu encontro?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Balango

Encruzilhadas

Tsunami em formação