Europa joga mais risco nos mercados

Artigo publicado no site GuiaInvest em 23/05/2011

Crise fiscal e consequências políticas nos países europeus deixam o cenário ainda mais instável e imprevisível
Da redação InvestMais
A semana começa com notícias muito ruins para os investidores, a maior parte delas tendo como origem a Europa e sua crise fiscal. Fica difícil até colocar uma ordem de importância nas notícias desse fim de semana, mas é necessário para o investidor perceber que a situação europeia é um dos principais drivers do mercado atualmente, e que enquanto não houver uma saída clara para os problemas europeus, os mercados mundiais andarão de lado.
O principal problema dos europeus é a crise fiscal. A Grécia foi o primeiro país a cair, recebeu ajuda da União Europeia, ajuda essa que foi insuficiente para colocar o país nos eixos e agora ela pleiteava um novo empréstimo para poder rolar sua dívida. Pois bem, com a prisão de Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, a negociação do novo empréstimo foi interrompida e o risco de a Grécia decretar uma moratória em sua dívida cresceu muito, a ponto de o governo grego ter admitido pela primeira vez, nesse fim de semana, que a moratória é possível. É um péssimo sinal para o continente europeu.
Péssimo porque chama a atenção para os outros países em dificuldade no continente. A Irlanda já recebeu um grande pacote de ajuda, mas não se sabe ainda se ele gerou resultados positivos ou não. Portugal também receberá ajuda para tentar por a casa em ordem, mas é muito cedo para dizer se terá sucesso ou não. A agência Standard & Poor’s rebaixou a perspectiva da classificação de crédito da Itália, jogando mais lenha na fogueira da crise fiscal dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). Enfim, a crise fiscal nesses países é grande, e como todos eles fazem parte da zona do euro, o que acontece em um tem reflexo imediato nos outros 15 que também usam a moeda única europeia.
E como a economia é o principal fator decisivo em uma eleição, a população começou a mostrar seu descontentamento nas urnas. Na Espanha, o governo do primeiro ministro Jose Zapatero sofreu uma derrota estrondosa nas eleições regionais. Na Itália, Silvio Berlusconi também sofreu nas urnas. O mesmo aconteceu em Portugal, na Alemanha e em todos os países onde estão acontecendo eleições. O resultado é sempre o mesmo: a população vota contra o partido no poder, não importa de qual tendência ele seja, direita ou esquerda. Para os mercados, isso é um mau sinal pois nunca se sabe se o governo que entra manterá os compromissos assumidos pelo que sai. Enfim, a situação na Europa é crítica.
O primeiro reflexo de toda essa confusão é a queda nas cotações das commodities. Como a economia europeia está fraca, haverá menos demanda por commodities, o que é ruim para o Brasil, cuja pauta de exportação é dominada por elas. O segundo é o aumento da aversão ao risco. Os investidores desmobilizam suas posições nos mercados emergentes e migram para aplicações mais seguras, em especial os títulos do Tesouro Americano. Assim, diminui a liquidez nas bolsas de valores. A Bovespa tem sofrido com esse fluxo de dólares para o estrangeiro.
Ainda há outros fatores que o investidor deve monitorar para poder fazer uma escolha sensata com seu dinheiro. A China continua em seu processo de redução do ritmo do crescimento, o que afetará a demanda de commodities e, por conseguinte, suas cotações. Os Estados Unidos vêm se recuperando mas não tão rápido quanto desejado nem tão linear quanto esperado, ainda é uma corrida cheia de tropeços. É um cenário muito complicado que elimina a possibilidade de haver um norte claro para os mercados e que requer do investidor cautela redobrada, sob o risco de as perdas atuais não poderem ser compensadas com os ganhos futuros.
Bons Investimentos!

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