A difícil tarefa de escrever

Gostaria de poder escrever mais, sem tantos medos ou sem tantas cobranças de escrever sempre algo interessante. Parece que, quando a tela em branco se apresenta para eu escrever algo para mim mesmo, travo. Quero pensar em um grande tema, fazer uma reflexão profunda sobre a humanidade ou suas formas de agir e pensar, nunca é algo comezinho, alguma coisa do cotidiano. Mesmo quando olho para o cotidiano, quero achar o momento poético, aquele lado do dia-a-dia que tem um quê de romance, literatura, arte ou música. O rame-rame não serve.
Não serve porque não acho legal ficar entulhando o espaço de quem eventualmente me lerá com detalhes insignificantes, como a maior parte do que está nessa internet que virou uma janela da privacidade da maior parte de seus cyber habitantes. Quem quer saber que eu levei a calopsita ao veterinário hoje? Ou que fui fazer algo que já quase não se faz mais, que é mandar consertar algo, em vez de comprar um novo? Quem quer saber se dormi bem ou mal, além de mim mesmo e, talvez, a pessoa com quem divido a cama (até para saber se não a mantive acordada ao longo da noite)?
A facilidade de exposição e a praticamente gratuidade do espaço para escrever fez as pessoas esquecerem de filtar o que pode ou deve ser dito. É mais ou menos a mesma coisa que aconteceu com a fotografia. Agora que não se paga um filme, não se revela a foto e, uma vez comprada a máquina, o restante é virtualmente grátis, cada sessão de fotografias gera pelo menos umas 100 fotos. A grande maioria tira as fotos, guarda no computador e nunca mais vê. Milhares de fotos, cada uma com qualidade duvidosa (quando chega a esse ponto), entupindo o espaço. Milhares e milhares de posts em zilhões de blogs, quaquilhões de tweets, trilhões de tweet pics, mas esprema pra ver o que sai. Quase nada.
Por isso é melhor ficar quieto mais vezes, e escrever só quando se tem vontade. Mas, para poder escrever sempre, é preciso escrever mesmo sem vontade. Vamos ver se em 2011 isso acontece.

Feliz Ano Novo!

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