Body bags
Tá lá o corpo estendido no chão. Envolto em panos pretos, parece um daqueles body bags que vez por outra aparecem nos filmes de guerra americanos. Mas não é um soldado morto, é uma pessoa viva que está estendida no chão.
Ele dorme, envolto em seus panos negros, debaixo das moitas que fazem a vez de cerca em um prédio. Ele dorme, talvez sonhando estar protegido em algum outro lugar, qualquer outro lugar, que não a calçada onde está. Parece um corpo dentro de um body bag.
Mas corpos americanos em body bags são diferentes, parecem até bonitos quando vistos na tela do cinema. Mas o nosso não é bonito. Está ali, no meio da calçada, atrapalhando o tráfego, como disse o Chico Buarque em Construção, atrapalhando a visão idílica que temos de nós mesmos ao lembrar que ainda há muito a fazer.
Esse é um body bag preto. Mas há os de papelão, os de cartolina, os de folha de zinco, os daquele cobertor cinza, o mais barato que tem, sujos de tanto serem arrastados pelas ruas e calçadas. Há muitos body bags no Brasil, todos com gente ainda viva dentro, mas que para a maior parte de nós já está morta de alguma maneira.
Nessa guerra diária, temos muitas baixas, mas quase nunca nos lembramos delas. Será que um dia mudaremos?
Ele dorme, envolto em seus panos negros, debaixo das moitas que fazem a vez de cerca em um prédio. Ele dorme, talvez sonhando estar protegido em algum outro lugar, qualquer outro lugar, que não a calçada onde está. Parece um corpo dentro de um body bag.
Mas corpos americanos em body bags são diferentes, parecem até bonitos quando vistos na tela do cinema. Mas o nosso não é bonito. Está ali, no meio da calçada, atrapalhando o tráfego, como disse o Chico Buarque em Construção, atrapalhando a visão idílica que temos de nós mesmos ao lembrar que ainda há muito a fazer.
Esse é um body bag preto. Mas há os de papelão, os de cartolina, os de folha de zinco, os daquele cobertor cinza, o mais barato que tem, sujos de tanto serem arrastados pelas ruas e calçadas. Há muitos body bags no Brasil, todos com gente ainda viva dentro, mas que para a maior parte de nós já está morta de alguma maneira.
Nessa guerra diária, temos muitas baixas, mas quase nunca nos lembramos delas. Será que um dia mudaremos?
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